Sou a Susana Meireles, uma miúda simples, apaixonada pelo mar, pelas palavras, por tudo aquilo que temos de bom na vida, seja desporto, nutrição, mindfulness, bem-estar e sustentabilidade. Da vida, levo o que ela me dá. Trabalho como Gestora de Redes Sociais, gosto em particular de explorar o Instagram.

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Wavy Ocean: porque deves proteger os teus ouvidos no surf

WavyOcean earplugs para ouvidos de surfista

A expressão inglesa, na tradução literal, é ouvido de surfista. Em português, mesmo que não soe tão bem como surfer’s ear, é exatamente o que devemos proteger – a saúde dos nossos ouvidos. Se compramos fatos de neoprene quentes e usamos botas para aguentar o frio, devemos também entrar no mar com os ouvidos protegidos (inverno ou verão, diria eu). É a melhor forma de prevenir complicações mais sérias como uma potencial cirurgia.

Passar uma cirurgia é o cenário mais drástico. Felizmente existem opções no mercado como a Wavy Ocean. Há uns meses que recebi os meus earplugs para experimentar e quero aqui partilhar a minha experiência.

Ouvido de surfista, o que é e como se trata?

É uma lesão que acontece na parte interna do canal auditivo externo, sendo mais comum acontecer aos praticantes de desportos de água. Como passamos muito tempo na água, os ouvidos desprotegidos ficam constantemente molhados, expostos ao vento e ao frio, promovendo o aparecimento das exostoses. O nosso corpo é muito inteligente. De forma a proteger os ouvidos, ou seja, evitando que a água fria e o vento cheguem ou tenham impacto sobre a membrana do tímpano, vai criando sucessivas camadas ósseas que se depositam como osso neoformado – as tais exostoses.

Nestas situações, já mais avançadas, a cirurgia é a melhor opção. De qualquer forma, o melhor a fazer é procurar um otorrinologista e a prevenção.

Como prevenir o aparecimento da otite do surfista?

Como não queremos cirurgias aos ouvidos, até porque nos obriga a estar muitas semanas sem ir ao mar, usar earplugs ou gorros, são a solução.

A Wavy Ocean falou comigo há uns meses para experimentar os earplug que desenvolveram. Loïc Boisnard, o fundador da marca, é engenheiro com experiência na área da música e também conhecedor dos problemas da água na audição por praticar esqui aquático. Apaixonado por produtos de audição, dedicou-se à criação dos Wavy Ocean, um produto de qualidade para a proteção dos ouvidos sem bloquear a audição, o que acontece com tampões de ouvido mais clássicos.

A minha experiência

Recebi em poucos dias os meus earplugs. Vem com três pontas de tamanhos diferentes (S, M e L) e uma bolsa de silicone. Confesso que foi um pouco confuso perceber como colocar os earplugs, mas nada que as instruções não resolvessem. Fazem parte do meu kit surfista, já não entro no mar sem os Wavy Ocean. Não dou por eles, são confortáveis, consigo ouvir tudo perfeitamente e acima de tudo, evitar otites e outros problemas. Podem encomendar no site ou encontrar um revendedor local. Custam 39,95€ e tem garantia de dois anos. Recomendo! ★

wavy ocean earplugs ouvidos de surfista

#wavestories: procurei sempre por ti

procurei sempre por ti

procurei sempre por ti.

entre os grãos, as espumas e os nevoeiros.

procurei por ti em todos os lugares, em todos os mares. procurei-te sempre nas madrugadas vazias, nas enchentes envoltas de maresia. procurei-te nos finais dos dias, nas curvas do horizonte, no sol resplandecente. procurei-te nas gargalhadas das espumas de arrancar asma, nas lágrimas de sal das temperaturas frias, nos abraços quentes de verão. procurei-te nos sopros de vento, nos dias de pouco temperamento. procurei-te nas conchas, nos rochedos edificados, nas dunas espalhadas. procurei-te. tanto. o quanto pude. atravessei oceanos. procurei-te noutros planos. procurei-te sempre. pois só assim aceitei ser feliz.

e hei-de continuar a procurar.

onda do meu mar.

 

The Circle Vee: a promessa de sustentabilidade da Vans

Todos temos uma marca que gostamos. A minha, mais óbvia, é a Vans. Adoro andar de Carver com eles, além de agarrarem bem a tábua, têm muita pinta. Depois, sendo uma marca com um posicionamento jovem (eu incluída), sentem a responsabilidade de proteger o meio ambiente. Eu gosto disso e da nova coleção, The Circle Vee.

O compromisso da Vans é simples. Reduzir o impacto que têm no planeta com a eliminação do plástico descartável das suas embalagens, reinventando o ciclo de vida dos seus produtos  e educando a família Vans para se focar numa visão mais sustentável no dia-a-dia.

Nesta lógica, todos os passos, ajudam. E assim entram em cena os meus novos favoritos da Vans Surf, os The Circle Vee. Olharam para a forma como produzem ténis e fizeram os seus ajustes, todos eles naturais: 

  • Palmilha EcoCush: feita com 70% de base biológica, derivada de óleos à base de plantas sem sacrificar o desempenho.
  • Sola EcoWaffle: novo composto de borracha natural que substitui a borracha sintética derivada do petróleo. Ah, e não compromete a aderência e a durabilidade pela qual a Vans é conhecida desde 1966.
  • Malha: fabricada com 48% de algodão biológico, 47% de cânhamo e 5% de nylon, dando a estes ténis vanguardistas um visual e toque do ADN clássico e natural da Vans, reduzindo o excesso de desperdício no processo de fabrico do calçado. A parte superior é costurada diretamente na sola para ajudar a reduzir a quantidade de adesivo usado, e todos os forros e atacadores utilizam algodão biológico, cânhamo e fibras naturais de juta.

É um pequeno passo, mas se toda a sua produção começar a incluir estas pequenas vitórias, vamos longe. Como parte da coleção, há ainda a parceria com a Ocean Conservancy, uma organização global focada em proteger os oceanos; e doam 1 dólar por cada produto Circle Vee vendido, com um mínimo de 25 mil dólares doados à Tides Foundation

Acho que é óbvio que vou juntar os ténis à minha coleção, só falta decidir a cor: cinza claro, bege ou azul. No ano passado comprei a edição surf Chris Johanson, também parte do projeto de sustentabilidade da Vans. Super fã do conforto e da leveza dos ténis.

Enquanto consumidora, tento cada vez mais comprar de forma sustentável. Apoiar a proteção dos oceanos é o meu compromisso enquanto surfista, apaixonada pelo mar e pelo nosso planeta. 

Silhueta do nosso litoral

regressar a casa e ao surf

Bate sempre uma saudade mais apertada quando o avião contorna a silhueta do nosso litoral e se faz à pista sobre o mar, debruçando-se nesta travessia entre a Costa da Caparica e o centro de Lisboa. Neste momento, de quase chegada, a alegria sobe-me à cabeça. Bate forte a saudade. Bate forte a paixão de voltar. Ali naquele instante sei que sempre terei alma lusitana. Confesso que a passagem por casa é sempre curta, demasiado curta para fazer tudo o que quero, para ter o mar que me dá prazer surfar, de regressar ao yoga, às caminhadas à beira-mar, à descoberta de Lisboa renovada aos turistas. Não consigo encaixar tudo; vou sempre embora com a sensação de incumprimento.

Mas depois pego na prancha. Levo-a vezes sem conta comigo, decido no momento se devo ou não entrar no mar. Quando decido pelo sim, dou por mim a aprender mais uma lição. Aceitar com serenidade o que o mar me dá. Pode não ser o melhor mar, de ondas perfeitas, sem correntes ou agueiros, mas é o mar que me ensina a acalmar e a aceitar aquilo que ele me dá, de livre vontade, sem questionar seja o que for. Dá como pode, quando pode. E assim é a vida. Deu-me a possibilidade de voltar a casa por uns dias com sol rasgado e pés na areia. Só posso estar grata. Nada de incumprimento. Agora está na hora de voltar à rotina, cheia de vitamina.

The Seea: uma marca sustentável para as mulheres do mar

The Seea sustainable surfwear

O amor pelo mar deu origem a esta marca de surfwear muito inspiradora, The Seea. É sustentável e mantém um design muito feminino.

Amanda Chinchelli, fundadora da The Seea, quis criar uma marca cujo nome fosse feminino, com musicalidade. Os cortes das peça são pensadas nas ondas, de forma a refletir a necessidade das surfistas que dançam no mar. Na The Seea encontras rashguards, biquínis, acessórios, fatos de surf para ti e para as mais pequenas também.

A marca celebra o ritmo e a graciosidade das mulheres no mar, nesta magia de surfar as ondas. Leah Dawson, nas fotografias, é uma dessas mulheres e também embaixadora da marca.

Aprecio a marca e identifico-me bastante com ela. É uma marca sustentável, trocou o neoprene por Yulex, uma borracha 100% natural proveniente de florestas certificadas que asseguram que a mesma é preservada na sua diversidade biológica e que beneficiem os trabalhadores locais (garantindo sustentabilidade económica). Depois, mantém aquele estilo boho-chic tão reconhecido na costa californiana.

São produtos pensados e desenhados para as mulheres apaixonadas por mar, pelos desportos de água que procuram alternativas sustentáveis às marcas mainstream, sem perder pinta. Vale a pena explorar a loja online da The Seea e segui-las no instagram para te inspirar a vida de surfista.

Como iniciar no surf ou surfskate? (parte 2)

surfskate sunset

O surf e o skate andam de mãos dadas. Minto. O surf e o surfskate deslizam lado a lado. É mais isso. A grande vantagem do skate em comparação com o surf é a progressão, que é mais rápida. Só precisas do teu skate e de uma estrada. Não dependes nunca das condições do mar. Além disso, consegues praticar as manobras vezes sem conta. Resultado: fotos e vídeos com pinta para partilhares no teu Instagram. Então vamos lá, como iniciar no surfskate?

O precisas de ter ou saber antes de te meteres nesta aventura

Skate, Longboard ou Surfskate

Penso que é importante distinguir. Já andei de skate, longboard e surfskate e de longe que o meu preferido é o último, por razões óbvias. Se a tua intenção é melhorar o teu surf, ou se gostas da fluidez que um surfskate te permite, esta deve ser a tua escolha. Mas se queres downhills ou dançar sobre um skate, opta pelo longboard. O skate clássico, penso que não precisa de apresentações. Todos nós devemos ter tido um na nossa infância, mas confesso, nunca aprendi a fazer um ollie. Compreende primeiro o que queres fazer e aprender para depois escolheres o skate certo.

Fazer parte de uma comunidade

Praticar surfskate abre-te portas a uma comunidade de miúdos e graúdos apaixonados por surf e skate. Vais simplesmente conhecer, sem grande esforço, pessoas com uma energia muito positiva e vibrante. A meu ver, é uma das maiores vantagens do surfskate. Ganhas um apoio incontestável, a torcer sempre por ti.

Cair, faz parte!

Aprender a andar de skate não tem a mesma dificuldade que o surf, na medida em que não dependes do swell para aproveitar. Uma boa estrada e tempo seco garantem momentos de diversão sobre o skate. No entanto, como qualquer outra prática desportiva ou atividade, há que ter cuidado. As quedas acontecem, mesmo com experiência. Por isso, é fundamental usar capacete, e eu diria proteções nos pulsos e joelhos. Das quedas que tenho visto e as que tive, as mãos vão quase sempre primeiro ao chão. E não vale a pena arriscar lesões maiores.

Os surfskates não são baratos

Existem várias marcas de surfskate. Eu recomendo os da Carver Skateboards. Não são propriamente acessíveis, e é dificil encontrá-los em segunda mão. Compreendo, porque quem tem um Carver vicia. Mas o interesse pelo surfskate tem crescido ao longo dos anos, e com isso, vejo o boom de muitas outras marcas e igualmente boas: YOW Surf Skateboards, Slide, Smoothstar, SwellTech, entre outros.

 

 

#wavestories: o surf é a minha terapia

O surf é a minha terapia

O swell tem estado pequeno, ondas coca-colinha. As algas apareceram, dando um odor mais intenso ao mar. A luz so sol tem beijado a superfície. Ainda assim, vejo o fundo com clareza. O surf é a minha terapia.

O meu sorriso rasgado vem lá da alma. Eu tenho caído nas espumas, divertida, criança feliz. No mar, eu esqueço. Estou apenas ali presente com esta minha alegria infantil, se quiserem, mas vivo intensamente naquele lugar. Poucos vão entender este meu amor pelo profundo azul. Mas eu não receio em assumir nada do que penso ou sinto. Para se ser grande, sê Inteiro, já dizia Pessoa. Ali sou eu. Inteira, despreocupada, presente, feliz. Se eu pudesse, juro que seria sereia para nunca sair do mar. O único lugar no mundo que me faz colocar tudo em perspectiva, entender que a vida traz ondas, de todos os tamanhos e intensidades. Todas elas passageiras. Tanto aprendo a apanhar as ondas, como a cair com elas, a deixá-las passar, a ficar submersa, a ter de regressar à tona. Há dias em que as ondas não vão surgir. Há dias em que vão são tão grandes que não tenho coragem de ir. Seja como for, é a minha terapia. Tudo isto faz-me perceber que a vida é mesmo assim. Um dia vou estar bem, completa. Noutro dia, cabisbaixa, incerta. Um dia disponível a aceitar, noutro a lutar por aquilo que acredito. O que importa, é que em todos estes momentos, sou inteira. Nunca esquecer quem sou e para onde vou. Nunca me diminuir ou sentir inferior por não surfar (e viver) ao mesmo nível que os outros. Saber o meu valor, e aceitar que o mar, tal como a vida, traz e leva. Traz o que precisas, leva o que não interessa.

Por isso, quando a vida perde encanto ou balanço, eu atiro-me ao mar. Sei que vou estar presente naquele momento, e nada mais importa. Aprendi a viver assim e descobri a minha verdadeira essência. Já não sei estar de outra forma. Cheia de swell, cheia de emoções. Banhada em sal, conservo em mim essas boas energias ad eternum. Eu tento colocar em palavras a forma como me sinto no mar e o que me transmite. Só que não lhe fazem justiça. Talvez se entrares no mar, se me encontrares por lá, vais finalmente perceber este meu amor pelo mar e porque me faz tão bem.

Espero-te na meia maré.

Açores: liberdade em pleno oceano

Açores: Liberdade em Pleno Oceano by Mar de Sal

Pode soar a cliché, mas foi o que senti ao visitar os Açores. Liberdade em pleno oceano. Como estava por Lisboa, foi fácil comprar um voo de última hora para São Miguel. Gosto disto; de não planear muito e deixar-me ir. Acho que ajudou a sentir ainda mais esta liberdade de explorar as paisagens intactas e serenas em pleno oceano.

Não fui de mochila, mas fui minimalista a fazer a mala. Sendo dezembro, era importante levar o impermeável e biquíni velho (sim, tem de ser velho) para me enfiar nas águas quentes termais. Não fiquei hospedada em nenhum hotel, a Inês – a minha amiga desde sempre – vive nos Açores. Tive, por isso, direito a guia privada durante 4 dias por São Miguel. A grande vantagem de conhecer o destino com um local é que não te perdes e nem perdes tempo à procura dos lugares a visitar.

Aterrei de noite, nem vi a pista. Ao sair do aeroporto, caiu-me na memória Bali. Aquela humidade de estares no meio do oceano. O frio que se fazia sentir em Lisboa, ali se esvaneceu. Palmeiras e ar tropical, foram estas as primeiras vibrações. Rasguei um sorriso, cheio de vontade.

Roteiro de Chás e Paisagens Encobertas

Chá Gorreana Açores © Mar de Sal

De manhã, no primeiro dia, o céu estava demasiado encoberto. Espreitámos as câmeras de todos os pontos a visitar, e esta é uma dica indispensável, tens de o fazer. Se vês as câmaras da praia antes de ires surfar, faz o mesmo quando se trata de visitar a Lagoa das Sete Cidades e outros pontos imperdíveis. E, sendo uma ilha, temos de compreender que a volatilidade do tempo é enorme. Acho que tive várias estacões, várias vezes ao dia. Levar isto na boa porque quem comanda é a mãe natureza e siga lá aceitar o que ela nos quer dar. A Inês disse-me, não vais embora sem ter um vista deslumbrante sobre a Lagoa das Sete Cidades. Já lá voltamos.

Pegámos no carro e fomos visitar a Fábrica de Chá de Porto Formoso e a Gorreana. Pelo caminho, mar sempre à volta, estradas boas, estradas com vacas, campos verdejantes, paisagens incríveis, luxuosamente naturais. Por momentos, tive a estranha sensação de estar na Suíça, mas com mar. Digo isto pela perfeição da natureza, um enquadramento que nos que nos faz questionar Photoshop ou real? Maravilhosamente maravilhoso para não ser real.

Isto de viajar em tempos de pandemia até nos traz episódios caricatos, como não ser permitido visitar a fábrica de chá por questões de segurança, e sermos convidadas a sentar na sala a ver um vídeo que até está alojado no YouTube. Preferi sentar-me à mesa e experimentar o chá com biscoitos. Afinal, era esse o objetivo.

Seguimos ainda até à Lagoa de São Brás, no concelho de Ribeira Grande. Desci até à lagoa. Estive provavelmente ali sozinha durante uns vinte minutos. Minto. Acompanharam-me patos, vacas e outros animais que me deixaram confusa, mas chamemos-lhes de aves. Pedi-lhes colaboração nas selfies, ia levando uma bicada. Digamos que não são muito recetivos a estas tecnologias. O silêncio perdido nos sons do vento, do cintilar da água da lagoa, sobreposto ao mugir das vacas, deixou-me em estado meditativo sem culpa. Gosto deste simples prazer de sentir o mundo tal como ele é. Aquilo de apreciar o momento.

Dali seguimos até ao Miradouro de Santa Iria, com paragens provocadas pelas vacas. Se há algo que me intrigou nos Açores foi a falta de animais exóticos. Tinha esta ideia de que, por ser uma ilha vulcânica, rica em flora, a fauna seria no mínimo mais tropical. Mas não. Cavalos, vacas, cabritas e as tais aves. O vento entrou, desarrumou o cabelo e as fotografias sairam tremidas. Mas ainda bem que se meteu no meio do miradouro porque limpou a neblina, e lá me deixou vislumbrar o imperioso Atlântico a embater neste pedaço de terra decidido a erguer-se sobre o mar de sal.

Uau a tempo inteiro

Lagoa do Fogo © Mar de Sal

Confesso. Tudo para mim era momento uau. Isto de não ter expectativas em relação a algo faz-nos maravilhar facilmente. Talvez fizesse sentido aplicar este estado a mais momentos da vida. A Inês, sabendo que eu gosto de explorar, deixou-me caminhar até um riacho entre floresta verdejante e, de novo, silenciosa. Eu fico encantada com o silêncio. A natureza em pleno descanso, limitando-se apenas a ser. Não anotei o nome e falha-me agora a memória. Só que não há coincidências. Talvez a falta de lembrança serve para manter em segredo esta pequena aventura. De regresso ao carro, metemo-nos estrada fora para chegar lá cima ao miradouro da Lagoa do Fogo. Uau. Sim, de novo. Tive vontade de voar por ali, contornar a silhueta quieta da lagoa, indiferente ao mar que lhe tenta chegar. A fotografia ficou-me na memória.

Biquíni velho, mas não fui à Caldeira Velha

Parque Terra Nostra © Mar de Sal

A vantagem de ter uma amiga a viver nos Açores é que te dá dicas vitais: traz um biquíni velho. Dei-lhe ouvidos e ainda bem. Não por causa da Caldeira Velha, que por recomendação da minha Guia (olha o trocadilho Inês), não fui até lá. A aventura foi antes descobrir que o cheiro de enxofre é terrível. Isto nas Furnas. Cheira mesmo mal, mas disse-me a minha avó que foi onde provou um dos melhores cozidos à portuguesa. Troquei o cozido por um hamburger e batatas fritas. Isto de ser millennial

Estava ansiosa por chegar ao tão falado Parque Terra Nostra para finalmente dar uso ao biquíni velho. E com toda a razão. São 12,5 hectares de jardim botânico, com inúmeras árvores e plantas, que confesso, nunca ter visto. Gostei do passeio pelo parque, dos meus pedidos foto à influencer que tive o privilégio de tirar. Aliás, todo o parque é verdadeiramente instagramável, inclusivamente, a minha cara ao pisar a viscosidade na piscina de água quente termal. Primeiro, não se vê o fundo. Segundo, a água tem um aspeto de barro (daí o biquíni velho). Claro que me recusei de voltar a colocar os pés no fundo. Nestas coisas, até acho sorte contar apenas com 1,60m de existência. Não foi preciso muito esforço para perceber que o melhor era flutuar e nadar. Vem-me à memória as gargalhadas da Inês pelo meu ar de pânico o que é isto que estou a pisar?!. Na verdade, o que importa no meio daquilo tudo – que ainda não sei o que pisei – é que repus as minhas energias na água a 38º graus. Terapia. Logo a seguir, meti-me nas pequenas piscinas adjacentes com hidromassagem. Tão melhor e sem fundo, gelatina.

Baleias à vista, por do sol de perder a vista

Açores: Liberdade em Pleno Oceano by Mar de Sal

Fiquei sem ver as baleias no meu último dia. Queria muito. Infelizmente, o mar estava demasiado agitado e não houve embarcações a sair. A alternativa era continuar a explorar a ilha e dar de caras, sem querer, com o pôr do sol mais que tudo a que já tive direito nesta vida. Quem me segue no Instagram sabe que ando sempre à caça de pores-do-sol com a fatídica hashtag #foreverchasingsunsets. Fiquei ali, durante muito tempo, presente. A sentir aquela energia. Foi destino ali chegar porque quis o GPS mudar de rota e ainda bem. Só depois é que chegámos à Ferraria. O mar, como disse, não quis colaborar nesse dia. Estava demasiado bruto. Tive pena de não experimentar este banho de água quente, provocado pelos vapores vulcânicos, que se mistura com a água fria do mar. O truque é esperar pelas meias marés para sentir a temperatura certa. Quando muito vazia, dizem ser quente demais. A rebentação forte rompia pela pequena enseada, e havendo pouca luz, preferimos não arriscar.

Mas antes de me perder nisto tudo, tive que finalmente encontrar, a Lagoa das Setes Cidades. O tempo tramou todas as tentativas, mas esta era a última hipótese. Chovia. A câmara evidenciava o inevitável: céu muito encoberto. Arriscámos à mesma e pedimos à mãe natureza uma pequena colaboração. Acho que nos ouviu. Mais ou menos.

Atravessei o parque até ao Miradouro Grota do Inferno. Talvez a vantagem de viajar fora de época. Caminhei uns 15 minutos numa ampla estrada de pedrinhas cravadas até encontrar o trilho que leva ao acalmado miradouro. Tem, sem sobra de dúvida, a vista mais deslumbrante para a Lagoa das Sete Cidades. Já no trilho exalei um oh desanimado, pelo manto de neblina que cobria a vista. Dois segundos depois, uau, o vento limpou e consegui ter um momento sobre a paisagem. Voltou a tapar e eu voltei a exalar um oh, seguido de um uau porque o vento decidiu dar de novo uma limpeza ao nevoeiro. A natureza a brincar às escondidas… Felizmente, perdi a vista, vezes sem conta, e nos melhores fragmentos do tempo, tive o privilégio de vivenciar um dos lugares mais bonitos de sempre.

O que é bom é para se viver e comer também. Fechei a viagem com uma última paragem no Bar Caloura, onde me rendi às lapas açorianas, um delicioso camarão frito e uma experiência por peixes frescos grelhados. De fazer crescer água na boca. A cereja no topo do bolo, neste caso, a sobremesa envolvia duas palavras mágicas, chocolate e manteiga de amendoim.

Sim. Estou deslumbrada pelos Açores. E só conheci São Miguel. A próxima etapa é pegar mesmo a mochila e saltar entre as ilhas do arquipélago. Ver o nascer do sol no Pico e conhecer a ilha das Flores. Que assim seja, em breve. Tudo para nunca deixar de ser livre em pleno oceano. Palavra de sal, Mar de Sal.

Um obrigada especial à minha Inês por esta aventura.

#wavestories: E gosto tanto

Mar de Sal - Susana Gomes

Piso a areia ainda humedecida pela noite. Os grãos chegam-se a desenhar cinzentos pela praia fora. Vislumbro a espuma branca; com ela viaja a fragrância agridoce da maresia. Neste momento, composto de tudo e nadas, puxo o fato para cima – sinto aquele nervo miúdo a romper pela minha espinha como um ligeiro formigueiro que sobe e aquece a alma. É a antecipação de me entregar ao mar.

Entro em vagar. Pé ante pé. Levemente deixo-me ser beijada pela água cintilante da madrugada. São seis da manhã. A prancha segue ao meu lado. É uma sensação plena, onde me sinto completa. A comunhão de todos os meus melhores e piores sentimentos que ali fluem. Diluem. Por mar adentro.

Passo a primeira rebentação, prancha para o fundo do mar e com ela, o meu corpo trémulo de ansiedade, deixa-se afundar. Lava-me a alma. Ao vir ao de cima, sorrio. Um raio de sol tímido arrasta-se nas calmas pelo imenso azul. Chega-se a mim sem pudor, ilumina-me os bancos de areia por debaixo dos meus pés. Vejo-lhe os segredos.

Sempre que entro no mar, dispo-me de preconceitos. Onda após onda. Em queda livre.

E gosto tanto.