Sou a Susana Meireles, uma miúda simples, apaixonada pelo mar, pelas palavras, por tudo aquilo que temos de bom na vida, seja desporto, nutrição, mindfulness, bem-estar e sustentabilidade. Da vida, levo o que ela me dá. Trabalho como Gestora de Redes Sociais, gosto em particular de explorar o Instagram.

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The Seea: uma marca sustentável para as mulheres do mar

The Seea sustainable surfwear

O amor pelo mar deu origem a esta marca de surfwear muito inspiradora, The Seea. É sustentável e mantém um design muito feminino.

Amanda Chinchelli, fundadora da The Seea, quis criar uma marca cujo nome fosse feminino, com musicalidade. Os cortes das peça são pensadas nas ondas, de forma a refletir a necessidade das surfistas que dançam no mar. Na The Seea encontras rashguards, biquínis, acessórios, fatos de surf para ti e para as mais pequenas também.

A marca celebra o ritmo e a graciosidade das mulheres no mar, nesta magia de surfar as ondas. Leah Dawson, nas fotografias, é uma dessas mulheres e também embaixadora da marca.

Aprecio a marca e identifico-me bastante com ela. É uma marca sustentável, trocou o neoprene por Yulex, uma borracha 100% natural proveniente de florestas certificadas que asseguram que a mesma é preservada na sua diversidade biológica e que beneficiem os trabalhadores locais (garantindo sustentabilidade económica). Depois, mantém aquele estilo boho-chic tão reconhecido na costa californiana.

São produtos pensados e desenhados para as mulheres apaixonadas por mar, pelos desportos de água que procuram alternativas sustentáveis às marcas mainstream, sem perder pinta. Vale a pena explorar a loja online da The Seea e segui-las no instagram para te inspirar a vida de surfista.

Como iniciar no surf ou surfskate? (parte 2)

surfskate sunset

O surf e o skate andam de mãos dadas. Minto. O surf e o surfskate deslizam lado a lado. É mais isso. A grande vantagem do skate em comparação com o surf é a progressão, que é mais rápida. Só precisas do teu skate e de uma estrada. Não dependes nunca das condições do mar. Além disso, consegues praticar as manobras vezes sem conta. Resultado: fotos e vídeos com pinta para partilhares no teu Instagram. Então vamos lá, como iniciar no surfskate?

O precisas de ter ou saber antes de te meteres nesta aventura

Skate, Longboard ou Surfskate

Penso que é importante distinguir. Já andei de skate, longboard e surfskate e de longe que o meu preferido é o último, por razões óbvias. Se a tua intenção é melhorar o teu surf, ou se gostas da fluidez que um surfskate te permite, esta deve ser a tua escolha. Mas se queres downhills ou dançar sobre um skate, opta pelo longboard. O skate clássico, penso que não precisa de apresentações. Todos nós devemos ter tido um na nossa infância, mas confesso, nunca aprendi a fazer um ollie. Compreende primeiro o que queres fazer e aprender para depois escolheres o skate certo.

Fazer parte de uma comunidade

Praticar surfskate abre-te portas a uma comunidade de miúdos e graúdos apaixonados por surf e skate. Vais simplesmente conhecer, sem grande esforço, pessoas com uma energia muito positiva e vibrante. A meu ver, é uma das maiores vantagens do surfskate. Ganhas um apoio incontestável, a torcer sempre por ti.

Cair, faz parte!

Aprender a andar de skate não tem a mesma dificuldade que o surf, na medida em que não dependes do swell para aproveitar. Uma boa estrada e tempo seco garantem momentos de diversão sobre o skate. No entanto, como qualquer outra prática desportiva ou atividade, há que ter cuidado. As quedas acontecem, mesmo com experiência. Por isso, é fundamental usar capacete, e eu diria proteções nos pulsos e joelhos. Das quedas que tenho visto e as que tive, as mãos vão quase sempre primeiro ao chão. E não vale a pena arriscar lesões maiores.

Os surfskates não são baratos

Existem várias marcas de surfskate. Eu recomendo os da Carver Skateboards. Não são propriamente acessíveis, e é dificil encontrá-los em segunda mão. Compreendo, porque quem tem um Carver vicia. Mas o interesse pelo surfskate tem crescido ao longo dos anos, e com isso, vejo o boom de muitas outras marcas e igualmente boas: YOW Surf Skateboards, Slide, Smoothstar, SwellTech, entre outros.

 

 

#wavestories: o surf é a minha terapia

O surf é a minha terapia

O swell tem estado pequeno, ondas coca-colinha. As algas apareceram, dando um odor mais intenso ao mar. A luz so sol tem beijado a superfície. Ainda assim, vejo o fundo com clareza. O surf é a minha terapia.

O meu sorriso rasgado vem lá da alma. Eu tenho caído nas espumas, divertida, criança feliz. No mar, eu esqueço. Estou apenas ali presente com esta minha alegria infantil, se quiserem, mas vivo intensamente naquele lugar. Poucos vão entender este meu amor pelo profundo azul. Mas eu não receio em assumir nada do que penso ou sinto. Para se ser grande, sê Inteiro, já dizia Pessoa. Ali sou eu. Inteira, despreocupada, presente, feliz. Se eu pudesse, juro que seria sereia para nunca sair do mar. O único lugar no mundo que me faz colocar tudo em perspectiva, entender que a vida traz ondas, de todos os tamanhos e intensidades. Todas elas passageiras. Tanto aprendo a apanhar as ondas, como a cair com elas, a deixá-las passar, a ficar submersa, a ter de regressar à tona. Há dias em que as ondas não vão surgir. Há dias em que vão são tão grandes que não tenho coragem de ir. Seja como for, é a minha terapia. Tudo isto faz-me perceber que a vida é mesmo assim. Um dia vou estar bem, completa. Noutro dia, cabisbaixa, incerta. Um dia disponível a aceitar, noutro a lutar por aquilo que acredito. O que importa, é que em todos estes momentos, sou inteira. Nunca esquecer quem sou e para onde vou. Nunca me diminuir ou sentir inferior por não surfar (e viver) ao mesmo nível que os outros. Saber o meu valor, e aceitar que o mar, tal como a vida, traz e leva. Traz o que precisas, leva o que não interessa.

Por isso, quando a vida perde encanto ou balanço, eu atiro-me ao mar. Sei que vou estar presente naquele momento, e nada mais importa. Aprendi a viver assim e descobri a minha verdadeira essência. Já não sei estar de outra forma. Cheia de swell, cheia de emoções. Banhada em sal, conservo em mim essas boas energias ad eternum. Eu tento colocar em palavras a forma como me sinto no mar e o que me transmite. Só que não lhe fazem justiça. Talvez se entrares no mar, se me encontrares por lá, vais finalmente perceber este meu amor pelo mar e porque me faz tão bem.

Espero-te na meia maré.

Açores: liberdade em pleno oceano

Açores: Liberdade em Pleno Oceano by Mar de Sal

Pode soar a cliché, mas foi o que senti ao visitar os Açores. Liberdade em pleno oceano. Como estava por Lisboa, foi fácil comprar um voo de última hora para São Miguel. Gosto disto; de não planear muito e deixar-me ir. Acho que ajudou a sentir ainda mais esta liberdade de explorar as paisagens intactas e serenas em pleno oceano.

Não fui de mochila, mas fui minimalista a fazer a mala. Sendo dezembro, era importante levar o impermeável e biquíni velho (sim, tem de ser velho) para me enfiar nas águas quentes termais. Não fiquei hospedada em nenhum hotel, a Inês – a minha amiga desde sempre – vive nos Açores. Tive, por isso, direito a guia privada durante 4 dias por São Miguel. A grande vantagem de conhecer o destino com um local é que não te perdes e nem perdes tempo à procura dos lugares a visitar.

Aterrei de noite, nem vi a pista. Ao sair do aeroporto, caiu-me na memória Bali. Aquela humidade de estares no meio do oceano. O frio que se fazia sentir em Lisboa, ali se esvaneceu. Palmeiras e ar tropical, foram estas as primeiras vibrações. Rasguei um sorriso, cheio de vontade.

Roteiro de Chás e Paisagens Encobertas

Chá Gorreana Açores © Mar de Sal

De manhã, no primeiro dia, o céu estava demasiado encoberto. Espreitámos as câmeras de todos os pontos a visitar, e esta é uma dica indispensável, tens de o fazer. Se vês as câmaras da praia antes de ires surfar, faz o mesmo quando se trata de visitar a Lagoa das Sete Cidades e outros pontos imperdíveis. E, sendo uma ilha, temos de compreender que a volatilidade do tempo é enorme. Acho que tive várias estacões, várias vezes ao dia. Levar isto na boa porque quem comanda é a mãe natureza e siga lá aceitar o que ela nos quer dar. A Inês disse-me, não vais embora sem ter um vista deslumbrante sobre a Lagoa das Sete Cidades. Já lá voltamos.

Pegámos no carro e fomos visitar a Fábrica de Chá de Porto Formoso e a Gorreana. Pelo caminho, mar sempre à volta, estradas boas, estradas com vacas, campos verdejantes, paisagens incríveis, luxuosamente naturais. Por momentos, tive a estranha sensação de estar na Suíça, mas com mar. Digo isto pela perfeição da natureza, um enquadramento que nos que nos faz questionar Photoshop ou real? Maravilhosamente maravilhoso para não ser real.

Isto de viajar em tempos de pandemia até nos traz episódios caricatos, como não ser permitido visitar a fábrica de chá por questões de segurança, e sermos convidadas a sentar na sala a ver um vídeo que até está alojado no YouTube. Preferi sentar-me à mesa e experimentar o chá com biscoitos. Afinal, era esse o objetivo.

Seguimos ainda até à Lagoa de São Brás, no concelho de Ribeira Grande. Desci até à lagoa. Estive provavelmente ali sozinha durante uns vinte minutos. Minto. Acompanharam-me patos, vacas e outros animais que me deixaram confusa, mas chamemos-lhes de aves. Pedi-lhes colaboração nas selfies, ia levando uma bicada. Digamos que não são muito recetivos a estas tecnologias. O silêncio perdido nos sons do vento, do cintilar da água da lagoa, sobreposto ao mugir das vacas, deixou-me em estado meditativo sem culpa. Gosto deste simples prazer de sentir o mundo tal como ele é. Aquilo de apreciar o momento.

Dali seguimos até ao Miradouro de Santa Iria, com paragens provocadas pelas vacas. Se há algo que me intrigou nos Açores foi a falta de animais exóticos. Tinha esta ideia de que, por ser uma ilha vulcânica, rica em flora, a fauna seria no mínimo mais tropical. Mas não. Cavalos, vacas, cabritas e as tais aves. O vento entrou, desarrumou o cabelo e as fotografias sairam tremidas. Mas ainda bem que se meteu no meio do miradouro porque limpou a neblina, e lá me deixou vislumbrar o imperioso Atlântico a embater neste pedaço de terra decidido a erguer-se sobre o mar de sal.

Uau a tempo inteiro

Lagoa do Fogo © Mar de Sal

Confesso. Tudo para mim era momento uau. Isto de não ter expectativas em relação a algo faz-nos maravilhar facilmente. Talvez fizesse sentido aplicar este estado a mais momentos da vida. A Inês, sabendo que eu gosto de explorar, deixou-me caminhar até um riacho entre floresta verdejante e, de novo, silenciosa. Eu fico encantada com o silêncio. A natureza em pleno descanso, limitando-se apenas a ser. Não anotei o nome e falha-me agora a memória. Só que não há coincidências. Talvez a falta de lembrança serve para manter em segredo esta pequena aventura. De regresso ao carro, metemo-nos estrada fora para chegar lá cima ao miradouro da Lagoa do Fogo. Uau. Sim, de novo. Tive vontade de voar por ali, contornar a silhueta quieta da lagoa, indiferente ao mar que lhe tenta chegar. A fotografia ficou-me na memória.

Biquíni velho, mas não fui à Caldeira Velha

Parque Terra Nostra © Mar de Sal

A vantagem de ter uma amiga a viver nos Açores é que te dá dicas vitais: traz um biquíni velho. Dei-lhe ouvidos e ainda bem. Não por causa da Caldeira Velha, que por recomendação da minha Guia (olha o trocadilho Inês), não fui até lá. A aventura foi antes descobrir que o cheiro de enxofre é terrível. Isto nas Furnas. Cheira mesmo mal, mas disse-me a minha avó que foi onde provou um dos melhores cozidos à portuguesa. Troquei o cozido por um hamburger e batatas fritas. Isto de ser millennial

Estava ansiosa por chegar ao tão falado Parque Terra Nostra para finalmente dar uso ao biquíni velho. E com toda a razão. São 12,5 hectares de jardim botânico, com inúmeras árvores e plantas, que confesso, nunca ter visto. Gostei do passeio pelo parque, dos meus pedidos foto à influencer que tive o privilégio de tirar. Aliás, todo o parque é verdadeiramente instagramável, inclusivamente, a minha cara ao pisar a viscosidade na piscina de água quente termal. Primeiro, não se vê o fundo. Segundo, a água tem um aspeto de barro (daí o biquíni velho). Claro que me recusei de voltar a colocar os pés no fundo. Nestas coisas, até acho sorte contar apenas com 1,60m de existência. Não foi preciso muito esforço para perceber que o melhor era flutuar e nadar. Vem-me à memória as gargalhadas da Inês pelo meu ar de pânico o que é isto que estou a pisar?!. Na verdade, o que importa no meio daquilo tudo – que ainda não sei o que pisei – é que repus as minhas energias na água a 38º graus. Terapia. Logo a seguir, meti-me nas pequenas piscinas adjacentes com hidromassagem. Tão melhor e sem fundo, gelatina.

Baleias à vista, por do sol de perder a vista

Açores: Liberdade em Pleno Oceano by Mar de Sal

Fiquei sem ver as baleias no meu último dia. Queria muito. Infelizmente, o mar estava demasiado agitado e não houve embarcações a sair. A alternativa era continuar a explorar a ilha e dar de caras, sem querer, com o pôr do sol mais que tudo a que já tive direito nesta vida. Quem me segue no Instagram sabe que ando sempre à caça de pores-do-sol com a fatídica hashtag #foreverchasingsunsets. Fiquei ali, durante muito tempo, presente. A sentir aquela energia. Foi destino ali chegar porque quis o GPS mudar de rota e ainda bem. Só depois é que chegámos à Ferraria. O mar, como disse, não quis colaborar nesse dia. Estava demasiado bruto. Tive pena de não experimentar este banho de água quente, provocado pelos vapores vulcânicos, que se mistura com a água fria do mar. O truque é esperar pelas meias marés para sentir a temperatura certa. Quando muito vazia, dizem ser quente demais. A rebentação forte rompia pela pequena enseada, e havendo pouca luz, preferimos não arriscar.

Mas antes de me perder nisto tudo, tive que finalmente encontrar, a Lagoa das Setes Cidades. O tempo tramou todas as tentativas, mas esta era a última hipótese. Chovia. A câmara evidenciava o inevitável: céu muito encoberto. Arriscámos à mesma e pedimos à mãe natureza uma pequena colaboração. Acho que nos ouviu. Mais ou menos.

Atravessei o parque até ao Miradouro Grota do Inferno. Talvez a vantagem de viajar fora de época. Caminhei uns 15 minutos numa ampla estrada de pedrinhas cravadas até encontrar o trilho que leva ao acalmado miradouro. Tem, sem sobra de dúvida, a vista mais deslumbrante para a Lagoa das Sete Cidades. Já no trilho exalei um oh desanimado, pelo manto de neblina que cobria a vista. Dois segundos depois, uau, o vento limpou e consegui ter um momento sobre a paisagem. Voltou a tapar e eu voltei a exalar um oh, seguido de um uau porque o vento decidiu dar de novo uma limpeza ao nevoeiro. A natureza a brincar às escondidas… Felizmente, perdi a vista, vezes sem conta, e nos melhores fragmentos do tempo, tive o privilégio de vivenciar um dos lugares mais bonitos de sempre.

O que é bom é para se viver e comer também. Fechei a viagem com uma última paragem no Bar Caloura, onde me rendi às lapas açorianas, um delicioso camarão frito e uma experiência por peixes frescos grelhados. De fazer crescer água na boca. A cereja no topo do bolo, neste caso, a sobremesa envolvia duas palavras mágicas, chocolate e manteiga de amendoim.

Sim. Estou deslumbrada pelos Açores. E só conheci São Miguel. A próxima etapa é pegar mesmo a mochila e saltar entre as ilhas do arquipélago. Ver o nascer do sol no Pico e conhecer a ilha das Flores. Que assim seja, em breve. Tudo para nunca deixar de ser livre em pleno oceano. Palavra de sal, Mar de Sal.

Um obrigada especial à minha Inês por esta aventura.

#wavestories: E gosto tanto

Mar de Sal - Susana Gomes

Piso a areia ainda humedecida pela noite. Os grãos chegam-se a desenhar cinzentos pela praia fora. Vislumbro a espuma branca; com ela viaja a fragrância agridoce da maresia. Neste momento, composto de tudo e nadas, puxo o fato para cima – sinto aquele nervo miúdo a romper pela minha espinha como um ligeiro formigueiro que sobe e aquece a alma. É a antecipação de me entregar ao mar.

Entro em vagar. Pé ante pé. Levemente deixo-me ser beijada pela água cintilante da madrugada. São seis da manhã. A prancha segue ao meu lado. É uma sensação plena, onde me sinto completa. A comunhão de todos os meus melhores e piores sentimentos que ali fluem. Diluem. Por mar adentro.

Passo a primeira rebentação, prancha para o fundo do mar e com ela, o meu corpo trémulo de ansiedade, deixa-se afundar. Lava-me a alma. Ao vir ao de cima, sorrio. Um raio de sol tímido arrasta-se nas calmas pelo imenso azul. Chega-se a mim sem pudor, ilumina-me os bancos de areia por debaixo dos meus pés. Vejo-lhe os segredos.

Sempre que entro no mar, dispo-me de preconceitos. Onda após onda. Em queda livre.

E gosto tanto.

Como iniciar no surf ou surfskate? (parte 1)

Nunca é tarde para começar ou não há uma determinada idade para arriscar numa nova aventura. Iniciar no surf ou no surfskate é simplesmente uma questão de vontade. As dúvidas que todos temos ao começar; que te motivem a entrar nesta onda.

Se começarmos em criança a praticar estas modalidades, obviamente que não teremos tantas perguntas na vida adulta. Torna-se natural, parte da rotina. A meu ver, a grande vantagem de começar a surfar ou a andar de skate em criança, é pelo facto de ter um baixo centro de gravidade. O medo de cair é relativo. Não que eu seja particularmente alta, mas estar no topo da onda e decidir fazer o drop ou estar na berma do bowl e atirar-me com o Carver em vertical – dá medo. Sejamos realistas. Mas isso não me impediu de experimentar ou de querer levar esta vida ligada às boas ondas.

Como iniciar no surf? Quais os primeiros passos?

Saber nadar e gostar do mar

O surf pede, em primeiro lugar, algo muito simples – saber nadar, em especial no mar. Eu sempre fui peixe, andei natação desde pequena. Nadar e mergulhar no mar sempre me fez sentir em casa. É senso comum, mas é preciso perceber que o mar não é sempre como no verão, com ondas pequenas e divertidas. Tem correntes, tem mudanças de humor (marés) ao longo das horas, e pede o que vem a seguir…

Capacidade física e resistência

Depois, vamos à parte do teu nível de fitness. Mesmo para alguém ativo, o surf pede um bom pulmão e uma boa remada. Ainda hoje sinto que é um desafio, em particular, por passar meses longe do mar, logo torna-se complicado ter a resistência necessária. O truque é surfar sempre que possível, o mais tempo possível. Eu tento compensar com desporto fora de água e hoje já temos vários treinos disponíveis para ganhar ou manter capacidade física para o surf. Deixo aqui a referência às aulas do Surfset Portugal.

Aulas de surf sim

Se fizeste um check às duas primeiras etapas, inscrever-te numa escola de surf é o passo a seguir. Eu iniciei o surf com amigos. O que significou entrar em mar não adequado à minha experiência e com pranchas erradas. Eu sou apologista das aulas, como já partilhei antes. São a melhor forma de ganhar confiança e corrigir logo de início a postura a ter tanto na remada como na prancha.

Capacidade de investimento

O surf hoje já se está a tornar mais acessível, ainda assim é um desporto que pede capacidade investimento inicial tanto para a prancha, como para o fato de surf e outros acessórios que se tornam essenciais (poncho para trocar de roupa no estacionamento). Mas como dizia, a indústria do surf cresceu e facilmente encontramos alternativas mais acessíveis, importantes para estas primeiras compras. O meu conselho é este: há pranchas lindas, queremos as de performance, a de design minimalista, de um determinado shaper – mas para primeiras ondas, não compensa. A minha primeira prancha é uma NO LOGO, qualidade-preço recomendado.

Supera os teus bloqueios

Não menos importante, é parte psicológica. O que me reteve para iniciar mais cedo no surf? Primeiro, o medo. Depois, a vergonha. Medo de cair, de me magoar, de ser arrastada para o fundo do mar ou levada por correntes. Depois, a vergonha de não ter jeito para aquilo, de já começar tarde (aos 30), e de me meter no lineup com pros e eu ali, com a minha prancha iniciante a tentar dar o melhor. É tudo uma questão de atitude. Há que lembrar que todos tiveram de passar pelo processo de começar: primeiras espumas, primeiras paredes de ondas, primeiros drops. O que eu aprendi é que cair faz parte bem como ser enrolada pelas ondas.

Para uma atitude mais confiante no surf, eu visto esta lycra: faço isto porque me diverte e não importa o que os outros possam pensar sobre o meu estilo, porque o surf deixa-me com um sorriso na alma.

Como o meu primo me diz, “não é a água com açúcar que acalma, é a água com sal” (até porque a vida sem sal que nos enferruja). Espero que estas palavras te ajudem. Vou deixar na segunda parte do artigo as dicas para começares no surfskate.

Encontro-te no outside? 

Leite de ouro | Golden Milk para noites frias

Leite Dourado Golden Milk

Noites frias pedem uma caneca quente antes de dormir. De chá? Nem sempre. Podemos variar e começar a experimentar o que a medicina aiurveda nos ensina há tanto tempo: leite com curcuma, o leite de ouro.

O leite de ouro, um oásis de sabor, é o meu mais recente vício antes de dormir. A noite pede conforto e o corpo pede nutrientes que nos façam sentir bem. Embora seja uma novidade para mim, o leite de ouro é mais uma das tendências saudáveis atuais com origem nas tradições milenares.

Além do surf e do yoga como elementos essenciais à minha felicidade, rejo-me por uma dieta equilibrada. Significa que procuro bons ingredientes para o meu bem-estar o que me leva à constante descoberta de novos sabores (e habituação aos mesmos). Isto de me alimentar convenientemente sempre foi tema delicado, entre não querer verduras e grande parte de frutas, quanto mais a temperos provenientes da Índia. Mas quando fiz esta transição consciente para uma vida mais equilibrada e feliz, despertei os cinco sentidos.

O leite de ouro

É aqui que entra a curcuma (e no leite também). Os benefícios da curcuma são mais do que muitos. Tem propriedades anti-inflamatórias, antisséticas e antibacterianas, ou seja, ajuda na prevenção e tratamento de doenças inflamatórias crónicas, fortalece o sistema imunitário, ajuda a baixar os níveis de colesterol, um super alimento para acrescentarmos às nossas refeições.

Receita de Leite Dourado Depois, o leite quente, dourado, repleto de especiarias como a canela, o gengibre, e ainda, uma colher de mel, fazem desta bebida um uma explosão de bons sabores. A minha receita adaptada – aposto que a medicina aiurveda prepara de forma diferente – uso o leite de origem vegetal. Gosto particularmente da combinação da curcuma com o leite de amêndoa.

Tendo em conta os benefícios da curcuma em junção com as restantes especiarias, acredito que seja um excelente complemento para os dias de frio que se avizinham. Para quem como eu faz surf nestas temperaturas, é um aliado de força para nos manter quentes e resistentes. Fica a sugestão: levar no copo térmico leite de ouro para beber depois do surf. O vício do açaí fica para o verão.

#wavestories: quando estás meses sem ver o mar

Photo by Marina Maliutina on Unsplash

Para alguns é sacrifício não comer o que se gosta ou a ausência de contacto físico. Para outros, eu incluída, sacrifício é viver sem o mar. Estar meses sem ver o mar, sentir o mar. Quis a vida enviar-me para os Alpes há quase três anos. A coisa até corria relativamente bem, com uma média de viagens a Portugal a cada três meses, mas nada controlamos nesta vida, e aqui estou, presa às montanhas. Sabe-se lá até quando.

Podia fugir. Clandestinamente. Até me vejo nessa aventura. De atravessar as fronteiras à boleia escondida atrás de hoodie e mochila às costas. Mas sou responsável pela minha vida, pela saúde e consequentemente de todos com quem possa interagir. Confesso que me custa, muito mesmo, não saber o quando. Quando é que irei voltar para ti, meu mar.

Não há muito a fazer. Há que aguentar o que se pode, e quando já não der para mais, aguentar à mesma. A vida é mesmo assim.

A última vez que pus os pés no mar foi em Dezembro, na praia da Torre. Tive azar no Natal, levei com a tempestade, o mar esteve revolto nos dez dias que estive por casa e só tive coragem de entrar naquelas pequenas ondas da Torre. A ausência de mar tem aumentado substancialmente o meu medo. Não me sinto de todo confortável na água. Não confio na minha capacidade física para remar. Basta sentir uma rebentação mais forte que desisto de ali estar.

Nestes dias, longe, nestes dias em que aguento mesmo quando já não dá para mais, entro nesta dicotomia do medo e da insistência. Por que raios desisto quando tenho? Porque não insisto em aguentar mais um bocado pelos tempos em que não consigo? Penso saber a resposta. Nesses momentos em que considero que “isto é demasiado para mim“, em que sou assoberbada pela minha realidade, fico grata por ter pelo menos tentado. É que ninguém vive no futuro, só no momento presente. E naquele momento, jamais penso que não te irei ver, meu mar, durante meses a fio sem previsão de voltar. Por isso, o que faz sentido aqui e agora, não faz neste instante que já é o futuro. Vivemos de escolhas conscientes. Decisões que temos de acartar a responsabilidade. E a de sair do mar quando tenho a oportunidade de lá estar é sinal de que a esperança de voltar é sempre muito grande. Como aquilo de dar a vida por garantida.

Afinal nem contigo, meu mar, as coisas são simples assim.

#wavestories: ser apaixonada por surf e não ter grande jeito para a coisa

Não sei quando é nasceu esta paixão pelo surf. A verdade é que muito antes de me meter pelo mar adentro, já tinha um certo fascínio pelo desporto. Talvez pelos miúdos giros na praia de Carcavelos, talvez pelo lado descontraído que lhes desenhava a alma, talvez por (ainda) achar que surf é uma dança no mar. Atiro um último talvez, o de me ter apaixonado de verdade no momento em que deslizei pela primeira espuma.

Só que gostar não é suficiente para saber surfar. Temos de entrar em todo o tipo de mar, apanhar todo o tipo de ondas, experiementar pranchas, observar com intensidade onde a onda se forma e vai rebentar, para fazer perceber o que é isto de surfar. Daí as perguntas: já te sentes confortável o suficiente para dizeres que sabes surfar? Não. E achas que tens jeito para a coisa? Também não. Mas isso não invalida o facto de eu ser apaixonada pelo mar e querer continuamente melhorar.

Ter receio de algo é humano, mas ao não sair da nossa zona de conforto, não aprendemos, não evoluimos. E isto serve para qualquer área da nossa vida. No surf, por termos de lidar com o mar, há este medo inerente às ondas, às correntes que nos arrastam e ainda a falta de confiança que nos retrai. O que é natural, mas não nos ajuda a dizer adoro surfar com a convicção de que o sabemos fazer com mais ou menos jeito. Com tempo e persistência, isto vai lá.

Não nascemos todos Kelly Slater ou John John Florence. Mas se temos vontade, devemos sempre ir surfar quando a oportunidade bater à porta, ter aulas, ver vídeos — nossos e dos outros, ler sobre a área para nos sentirmos ao nível que achamos ter (juro que acho que surfo muito melhor do que os outros acham). Se alguém pelo caminho nos disser, não tens grande estilo ou jeito para o surf, é só conversa. Garanto que tudo na vida, que venha do coração, da vontade imensa de chegar longe, é talento inato. E isso, ninguém nos tira.

#positivevibes