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#wavestories: quando estás meses sem ver o mar

Photo by Marina Maliutina on Unsplash

Para alguns é sacrifício não comer o que se gosta ou a ausência de contacto físico. Para outros, eu incluída, sacrifício é viver sem o mar. Estar meses sem ver o mar, sentir o mar. Quis a vida enviar-me para os Alpes há quase três anos. A coisa até corria relativamente bem, com uma média de viagens a Portugal a cada três meses, mas nada controlamos nesta vida, e aqui estou, presa às montanhas. Sabe-se lá até quando.

Podia fugir. Clandestinamente. Até me vejo nessa aventura. De atravessar as fronteiras à boleia escondida atrás de hoodie e mochila às costas. Mas sou responsável pela minha vida, pela saúde e consequentemente de todos com quem possa interagir. Confesso que me custa, muito mesmo, não saber o quando. Quando é que irei voltar para ti, meu mar.

Não há muito a fazer. Há que aguentar o que se pode, e quando já não der para mais, aguentar à mesma. A vida é mesmo assim.

A última vez que pus os pés no mar foi em Dezembro, na praia da Torre. Tive azar no Natal, levei com a tempestade, o mar esteve revolto nos dez dias que estive por casa e só tive coragem de entrar naquelas pequenas ondas da Torre. A ausência de mar tem aumentado substancialmente o meu medo. Não me sinto de todo confortável na água. Não confio na minha capacidade física para remar. Basta sentir uma rebentação mais forte que desisto de ali estar.

Nestes dias, longe, nestes dias em que aguento mesmo quando já não dá para mais, entro nesta dicotomia do medo e da insistência. Por que raios desisto quando tenho? Porque não insisto em aguentar mais um bocado pelos tempos em que não consigo? Penso saber a resposta. Nesses momentos em que considero que “isto é demasiado para mim“, em que sou assoberbada pela minha realidade, fico grata por ter pelo menos tentado. É que ninguém vive no futuro, só no momento presente. E naquele momento, jamais penso que não te irei ver, meu mar, durante meses a fio sem previsão de voltar. Por isso, o que faz sentido aqui e agora, não faz neste instante que já é o futuro. Vivemos de escolhas conscientes. Decisões que temos de acartar a responsabilidade. E a de sair do mar quando tenho a oportunidade de lá estar é sinal de que a esperança de voltar é sempre muito grande. Como aquilo de dar a vida por garantida.

Afinal nem contigo, meu mar, as coisas são simples assim.

#wavestories: ser apaixonada por surf e não ter grande jeito para a coisa

Não sei quando é nasceu esta paixão pelo surf. A verdade é que muito antes de me meter pelo mar adentro, já tinha um certo fascínio pelo desporto. Talvez pelos miúdos giros na praia de Carcavelos, talvez pelo lado descontraído que lhes desenhava a alma, talvez por (ainda) achar que surf é uma dança no mar. Atiro um último talvez, o de me ter apaixonado de verdade no momento em que deslizei pela primeira espuma.

Só que gostar não é suficiente para saber surfar. Temos de entrar em todo o tipo de mar, apanhar todo o tipo de ondas, experiementar pranchas, observar com intensidade onde a onda se forma e vai rebentar, para fazer perceber o que é isto de surfar. Daí as perguntas: já te sentes confortável o suficiente para dizeres que sabes surfar? Não. E achas que tens jeito para a coisa? Também não. Mas isso não invalida o facto de eu ser apaixonada pelo mar e querer continuamente melhorar.

Ter receio de algo é humano, mas ao não sair da nossa zona de conforto, não aprendemos, não evoluimos. E isto serve para qualquer área da nossa vida. No surf, por termos de lidar com o mar, há este medo inerente às ondas, às correntes que nos arrastam e ainda a falta de confiança que nos retrai. O que é natural, mas não nos ajuda a dizer adoro surfar com a convicção de que o sabemos fazer com mais ou menos jeito. Com tempo e persistência, isto vai lá.

Não nascemos todos Kelly Slater ou John John Florence. Mas se temos vontade, devemos sempre ir surfar quando a oportunidade bater à porta, ter aulas, ver vídeos — nossos e dos outros, ler sobre a área para nos sentirmos ao nível que achamos ter (juro que acho que surfo muito melhor do que os outros acham). Se alguém pelo caminho nos disser, não tens grande estilo ou jeito para o surf, é só conversa. Garanto que tudo na vida, que venha do coração, da vontade imensa de chegar longe, é talento inato. E isso, ninguém nos tira.

#positivevibes

#wavestories o começo das histórias do mar

Quando comecei a escrever no Mar de Sal, a ideia era ter um lugar de inspiração. De mar, de surf, de yoga, de boa vida e sustentabilidade. Mas também um espaço para histórias de sal.

Mudar-me para a Suíça afastou-me do propósito da escrita. Sinto que por estar longe do mar, não serei autêntica a partilhar momentos. No entanto, sou feita de memórias e estas estão bem encravadas nas células que me fazem viver.

Não me comprometo com nada nem ninguém. Quero apenas começar a partilhar a série #wavestories. Momentos da vida de mar vividos por mim, por terceiros. Por paixão ao mar, por paixão à escrita. Porque sem nenhum dos dois a minha vida faz sentido e estou a precisar de lhe dar ondulação.

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