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Como iniciar no surf ou surfskate? (parte 1)

Nunca é tarde para começar ou não há uma determinada idade para arriscar numa nova aventura. Iniciar no surf ou no surfskate é simplesmente uma questão de vontade. As dúvidas que todos temos ao começar; que te motivem a entrar nesta onda.

Se começarmos em criança a praticar estas modalidades, obviamente que não teremos tantas perguntas na vida adulta. Torna-se natural, parte da rotina. A meu ver, a grande vantagem de começar a surfar ou a andar de skate em criança, é pelo facto de ter um baixo centro de gravidade. O medo de cair é relativo. Não que eu seja particularmente alta, mas estar no topo da onda e decidir fazer o drop ou estar na berma do bowl e atirar-me com o Carver em vertical – dá medo. Sejamos realistas. Mas isso não me impediu de experimentar ou de querer levar esta vida ligada às boas ondas.

Como iniciar no surf? Quais os primeiros passos?

Saber nadar e gostar do mar

O surf pede, em primeiro lugar, algo muito simples – saber nadar, em especial no mar. Eu sempre fui peixe, andei natação desde pequena. Nadar e mergulhar no mar sempre me fez sentir em casa. É senso comum, mas é preciso perceber que o mar não é sempre como no verão, com ondas pequenas e divertidas. Tem correntes, tem mudanças de humor (marés) ao longo das horas, e pede o que vem a seguir…

Capacidade física e resistência

Depois, vamos à parte do teu nível de fitness. Mesmo para alguém ativo, o surf pede um bom pulmão e uma boa remada. Ainda hoje sinto que é um desafio, em particular, por passar meses longe do mar, logo torna-se complicado ter a resistência necessária. O truque é surfar sempre que possível, o mais tempo possível. Eu tento compensar com desporto fora de água e hoje já temos vários treinos disponíveis para ganhar ou manter capacidade física para o surf. Deixo aqui a referência às aulas do Surfset Portugal.

Aulas de surf sim

Se fizeste um check às duas primeiras etapas, inscrever-te numa escola de surf é o passo a seguir. Eu iniciei o surf com amigos. O que significou entrar em mar não adequado à minha experiência e com pranchas erradas. Eu sou apologista das aulas, como já partilhei antes. São a melhor forma de ganhar confiança e corrigir logo de início a postura a ter tanto na remada como na prancha.

Capacidade de investimento

O surf hoje já se está a tornar mais acessível, ainda assim é um desporto que pede capacidade investimento inicial tanto para a prancha, como para o fato de surf e outros acessórios que se tornam essenciais (poncho para trocar de roupa no estacionamento). Mas como dizia, a indústria do surf cresceu e facilmente encontramos alternativas mais acessíveis, importantes para estas primeiras compras. O meu conselho é este: há pranchas lindas, queremos as de performance, a de design minimalista, de um determinado shaper – mas para primeiras ondas, não compensa. A minha primeira prancha é uma NO LOGO, qualidade-preço recomendado.

Supera os teus bloqueios

Não menos importante, é parte psicológica. O que me reteve para iniciar mais cedo no surf? Primeiro, o medo. Depois, a vergonha. Medo de cair, de me magoar, de ser arrastada para o fundo do mar ou levada por correntes. Depois, a vergonha de não ter jeito para aquilo, de já começar tarde (aos 30), e de me meter no lineup com pros e eu ali, com a minha prancha iniciante a tentar dar o melhor. É tudo uma questão de atitude. Há que lembrar que todos tiveram de passar pelo processo de começar: primeiras espumas, primeiras paredes de ondas, primeiros drops. O que eu aprendi é que cair faz parte bem como ser enrolada pelas ondas.

Para uma atitude mais confiante no surf, eu visto esta lycra: faço isto porque me diverte e não importa o que os outros possam pensar sobre o meu estilo, porque o surf deixa-me com um sorriso na alma.

Como o meu primo me diz, “não é a água com açúcar que acalma, é a água com sal” (até porque a vida sem sal que nos enferruja). Espero que estas palavras te ajudem. Vou deixar na segunda parte do artigo as dicas para começares no surfskate.

Encontro-te no outside? 

Treinar o surf no asfalto com um Carver Skateboard

O meu primeiro skate foi um Penny. Não me recordo se o meu era o amarelo ou azul, mas era uber cool ir para a escola, nos anos 90, de skate nos pés. No fundo, sempre gostei desta sensação de andar livremente pela estrada fora ao estilo indie Woodstock dos tempos modernos. Quando passei para o surf, o skate estava adormecido até perceber a semelhança dos movimentos e a liberdade subjacente entre as duas atividades. Tudo isto para justificar a chegada de um Carver na minha vida.

Apesar de não haver mar na Suíça, há a vantagem de ter estradas muito boas para andar de skate. Desde que cheguei passou-me a fazer cada vez mais sentido ter um surf skate para me divertir nas ruas e trazer à minha memória um pouco da sensação do surf. É o que faz morar num país da europa central. O que eu espero é que com esta nova prática a minha próxima surfada não seja um começo do zero. Segundo li no The Inertia andar de skate pode mesmo ajudar a melhorar a performance no mar, mais ainda, quando se trata de um skate desenhado para replicar os movimentos do surf como acontece com o Carver.

Compromisso

O surf é assustador, mas andar de skate supera pela proximidade que temos com o alcatrão. De acordo com David, autor do artigo, quando começamos a praticar manobras na estrada estamos a lidar de caras com o nosso receio. Isto faz com que fiquemos um pouco mais audazes a experimentar as manobras no mar. Assim espero (evidentemente sem ir com o rosto ao chão).

Repetição

Uma das vantagens óbvias do skate é poder repetir a manobra que queremos treinar vezes sem conta. No mar, há que esperar sempre pela onda e já sabemos como é que isso corre. A repetição é amiga da técnica. Espero sacar um bottom turn na próxima surfada com a mesma agilidade com que brinco com o skate.

Equilíbrio

A postura no skate e surf são muito semelhantes, exigindo o mesmo tipo de equilíbrio. Confirmo. Andar de skate desafia-nos constantemente o ponto equilíbrio, precisamos de usar os braços e as pernas, além obviamente do core para corrigir o desequilíbrio. Tudo isto se faz e repete no surf.

Os pros também andam de skate

Basta espreitar as redes sociais do John John Florence e encontrar videos dele a deslizar no asfalto. Diz o miúdo maravilha que andar de skate “dá-nos a oportunidade de treinar vezes sem conta uma manobra, o que não acontece no surf” (Stab Magazine | Surfing is the most difficult sport in the world). Ainda que não ande de skate com a intenção de melhorar o surf, prova ser uma consequência lógica a qualquer pessoa que queira fazer algo mais pelo surf fora de água.

Por isso, enquanto uns evoluem no surf dentro de água, os surfistas presos em terra tornam-se criativos e transformam estradas em ondas.