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Como gerir o stress ao longo do ano

A melhor sensação que podemos ter é o desligar da vida rotineira, seja quando vamos de férias ou quando nos entregamos a algo que nos dê sossego ao espírito. Comigo resulta o surf e o yoga. De resto, gerir o stress que o dia-a-dia me provoca, é ainda caminho por desbravar. Falei, por isso, com a psicóloga clínica Isa Silvestre, autora do livro “Como Gerir 1 ano de Stress”, para me passar soluções práticas para atenuar as ansiedades diárias.

Para quem como eu vive na cidade é difícil não sentir stress. Esta rotina que nos obriga a andar de transportes, no trânsito, a cumprir horários e metas de trabalho ou até pelas intermináveis tarefas de casa, andamos sempre sob pressão. Por causa disto tudo, eu procuro viver em harmonia com a natureza para me acalmar os nervos. É irrecusável o convívio apaixonado com o mar ou as minhas sessões de yoga no parque, mas nem sempre estou disponível para estas práticas. Então, como lidar com o stress nos restantes momentos? Conversei com Isa Silvestre, psicóloga clínica e que publicou recentemente um livro, nem a propósito, sobre o stress, para me esclarecer mais sobre o tema.

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O que é o Stress?

O Stress é uma reação natural do organismo perante uma situação inesperada, de especial tensão ou de intensa emoção, que pode ocorrer em qualquer pessoa, independente de idade, raça, sexo, situação socioeconómica. Quando o stress persiste no tempo pode ser definido como “um desgaste do organismo”. A nossa reação contém sensações físicas e psicológicas que causam mudanças químicas no corpo.

Para algumas pessoas o stress permite que estejam mais atentas e estimuladas nas tarefas. É o stress positivo que nos ajuda a manter o foco no objetivo que pretendemos alcançar, favorecendo a energia e o estado de alerta. É útil para os atletas de competição; durante uma apresentação estimula a nossa concentração e foco; quando estamos cansados conseguimos concentrar-nos e ter energia para concluir um trabalho.

Mas o stress também reativa sentimentos de angústia, medo de falhar e tensão. Quando atinge níveis excessivos, o stress pode mesmo ser o maior responsável por situações depressivas.

O stress manifesta-se através de sintomas físicos de stress como a tensão muscular, as dores de cabeça, cansaço, sonolência, alergias, como a comichão na pele. Os sintomas comportamentais e cognitivos traduzem-se por agitação, dificuldade em cumprir responsabilidades, adiar as tarefas, pensamentos ansiosos, preocupação constante, dificuldades de memória e em tomarmos decisões. E, em termos emocionais, podem haver manifestações de choro, irritabilidade, nervosismo, tristeza e depressão.

É sob diferentes formas que o stress pode prejudicar a nossa motivação e ânimo para as relações sociais e familiares; o nosso poder de concentração e de memória nos estudos e no trabalho.

Casos práticos: quando somos confrontados com uma situação entusiasmante (estamos extremamente contentes, por exemplo, ganhar o euromilhões) ou com algo difícil (um problema para resolver, por exemplo, estar desempregado), o stress manifesta-se através do nosso corpo e da nossa mente. Estas duas situações provocam no nosso organismo as mesmas reações: ritmo cardíaco acelerado, aumento da tensão arterial, suores das mãos, aumento da nossa capacidade de concentração e atenção, e também uma subida da nossa motivação e disposição para agir. Assim, podemos dizer que o stress é o conjunto destas reações físicas e psicológicas, enquanto que o motivo que provoca determinadas reações é o fator stressante.

Que fatores influenciam o stress?

O stress é considerado a “doença dos tempos modernos”. O ritmo acelerado do dia a dia, as preocupações diárias, a forma como reagimos às exigências da vida pessoal e profissional, pode causar sentimentos de fúria, baixa autoestima, isolamento, falta de concentração, apatia, choro, dores de cabeça, falta ou excesso de ou apetite exagerado, entre outros sintomas. Regra geral, as preocupações diárias do dia-a-dia tem, normalmente, grande impacto na saúde mental e física.

Assim, sendo quase impossível evitar o mal estar causado pelo stress, é importante identificarmos os sintomas de alerta para um “estado de stress” e aprendermos as técnicas necessárias para lidarmos e gerirmos com este distúrbio e, assim, recuperar a qualidade de vida.

O que podemos encontrar no livro “Gerir 1 ano de stress”?

Este primeiro livro adere a uma escrita ilustrada por casos práticos e com estratégias comportamentais, motivando o leitor a uma introspeção pessoal e às mudanças desejadas. Aborda os momentos do ano que são causadores de stress, descrevendo os sintomas de alerta para um “estado de stress” e as técnicas fundamentais para lidar e gerir com este distúrbio, o que permitirá uma aprendizagem sobre a regulação das emoções de maneira eficaz e resgatar a qualidade de vida:

  • No ano novo, onde nos comprometemos com muitas mudanças. Mas depois fica tudo na mesma e lá vem a frustração e o stress.
  • As férias que devem ser relaxantes, mas as expectativas, as despesas, as mudanças de hábito, e o regresso ao trabalho deixam-nos stressados e cansados.
  • O regresso às aulas, que é para muitas famílias motivo de preocupação devido aos horários, às despesas com o material escolar, à reorganização familiar.
  • O emprego que é cada vez mais competitivo. A crise financeira; as situações inesperadas de stress e de morte na família.
  • O Natal que implica inúmeros compromissos e afazeres que causam stress.

O que te motivou a publicar este livro?

O tema deste livro surge da minha experiência profissional em diferentes contextos, com diferentes tipos de população e de intervenção, como o contexto escolar e clínico. Uma das queixas mais frequentes nos diferentes contextos de intervenção psicológica é o stress e a ansiedade.

Dicas práticas para gerir o stress no dia a dia

1. O stress e a ansiedade podem provocar alterações no nosso padrão de sono. No entanto, dormir bem é fundamental para regular os humor e os níveis de ansiedade.

2. Praticar exercício físico, ouvir música, conviver com os amigos/família, fazer simplesmente o que gostamos. Ou seja, ter um momento do dia ou da semana dedicado a nós: “o meu tempo”.

3. Fazer uma boa gestão do tempo, definindo objetivos realistas para nós próprios. Na maioria das vezes existe uma sobrecarga de tarefas a cumprir que, no fim, causam apenas sentimentos negativos (frustração, desilusão). 

4. Expressarmos as emoções e os sentimentos. É, igualmente, importante sermos assertivos, aprendendo a colocar limites (dizer que não) às situações tóxicas.

E quando é que o stress deixa de estar sob controlo…?

O problema surge quando o stress e a ansiedade são sintomas excessivos, devido à sua intensidade, frequência e duração no tempo, conduzindo a falhas no processo de raciocínio e no desempenho de algumas situações e atividades diárias. É frequente existirem pensamentos como: “algo horrível vai acontecer”, “não me consigo concentrar”, o que, por sua vez, tem efeitos nefastos no sono e nas relações pessoais. Alguns exemplos clínicos: o ato de entrar para um elevador ou estar perto duma varanda num andar elevado pode ser vivido com muita intensidade e sofrimento para quem está a vivenciar ansiedade patológica porque avalia a situação com uma elevada probabilidade de ocorrência de um acontecimento negativo ou catastrófico; um simples encontro social pode ser vivido com enorme ansiedade e apreensão porque é interpretado como uma situação humilhante e embaraçosa (fobia social).

Todos nós temos os nosso limites que são diferentes de pessoa para pessoa. É importante procurarmos acompanhamento psicológico ou psicoterapia quando sentimos que os efeitos do stress está a ter consequências no nosso humor (irritabilidade, tristeza), no sono e, de forma geral, nas atividades do nosso dia-a-dia. Na maioria das vezes o stress negativo ou patológico leva ao desenvolvimento de quadros clínicos graves como as perturbações de ansiedade, ataques de pânico, depressão.

"Como gerir 1 ano de stress", Isa Silvestre