Mudei de corpo em cinco anos

Por culpa da disciplina e da consistência.

Sempre pratiquei desporto. Desde miúda que os meus pais me incentivavam a ser ativa. Esqui na neve, esqui aquático, karaté, natação, surf e musculação — já fiz de tudo um pouco. Pôr o meu corpo a mexer nunca foi o problema. Foram, antes, a disciplina e a consistência.

Treinava uns meses, parava outros. Uma semana consistente, noutra desistente. Comia o que me apetecia, não ligava a dietas exceto quando chegava a pesar mais do que devia. Aquilo de semana sim, semana não. O caminho para chegar onde estou não foi linear. Tive de aprender que a motivação quase nunca existe e que, para obter os resultados que quero, tinha de me disciplinar e ser consistente.

Lembro-me perfeitamente da primeira vez que experimentei treino personalizado. Nem dez minutos depois de ter iniciado o treino, fiquei indisposta. Talvez dos nervos, da vergonha, da falta de preparação física ou mesmo da dieta insuficiente para aquela sessão. Ainda assim, sempre pensei que tinha muito mais a ganhar com acompanhamento. É o mais lógico para progredir em qualquer atividade física.

Ainda que na época me tenha ficado pelas aulas de grupo como treino militar e outras, tinha sempre vontade de ir para a “sala das máquinas.” Até que conheci o Sérgio Penajóia e mudou o meu mindset. Morri de vergonha na primeira sessão. Na segunda também. Queixava-me muito da air bike. Dei por mim a falecer várias vezes, mas não falhava. E aos poucos a vergonha ficou do lado de fora dos treinos e comecei a frequentar o ginásio com mais à-vontade.

Mas não foi só isso que trouxe os resultados.

Pelo meio, pesquisava sobre treinos de força e ficava sempre na dúvida sobre que planos seguir. Experimentei os do Bret Contreras e de algumas influencers de fitness.

Mas também nenhum deles teve peso ou responsabilidade final na disciplina e consistência.

O que teve foi a minha capacidade de superar desafios. Não é uma fórmula mágica. É antes uma que pede presença, compromisso. Mesmo cansada, mesmo quando custava, eu ia treinar. Bem ou mal, ia. Quando tirei a primeira pós-graduação, acordava às 5h para treinar, trabalhar e estudar. Chegava ao fim de semana de rastos, mas feliz por me escolher.

Devagar, fui acumulando os efeitos de dedicar aquele tempo a mim. Treinar deixou de ser um sofrimento e passou a ser o meu momento de desligar a cabeça, focar nos exercícios e cuidar da minha saúde.

E o meu corpo finalmente começou a mostrar mais músculo e uma postura mais direita. Uma energia que combina mais com o meu estado de espírito. Cinco anos depois, é isso que vejo ao espelho — não apenas um corpo diferente, mas alguém que aparece, mesmo quando não apetece.

Hoje treino 6 dias por semana. Treino com vontade. Sentir-me bem dá-me prazer. A motivação veio como consequência de ver os resultados. Agora, tenho um novo objetivo. Já não se trata de ter disciplina ou consistência, mas de ter mais saúde aos quarenta do que tive aos vinte.

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