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Sem sol ficamos SAD

Com o fim do verão, ficamos SAD. Eu pelo menos fico. o Transtorno Afetivo Sazonal ou o Seasonal Affective Disorder (SAD) pode justificar a forma como nos sentimos nos próximos meses.

O sol anda a ficar mais tímido, as manhãs já despertam frescas. Aos poucos despeço-me do verão que, felizmente, nos últimos dias, teima em estender-se. Entro na minha fase de introspeção, de recolhimento, tal como uma tartaruga. Dou por mim mais melancólica, sem energia, com uma preguiça monstruosa a imobilizar o meu corpo. Por saber que a ausência de sol nos afecta e muito tentei saber mais sobre este assunto e na verdade, a falta de sol chega mesmo a provocar um transtorno psicológico, o Seasonal Affective Disorder (SAD).

Eu fico SAD, de facto. Apesar de ter nascido nos Alpes e o frio ser-me indiferente, detesto os dias curtos e cinzentos. Abomino a ausência de sol. Entre os sintomas do transtorno SAD está a falta de energia, a fadiga, o aumento de apetite e de peso, a dificuldade de concentração e a vontade de estar sozinho. Provavelmente reconhecemos alguns dos sintomas sem nos apercebermos que podemos estar diante de um transtorno, algo que esteja a afetar o nosso bem-estar.

Portanto, nos meses que se avizinham, temos de nos adaptar para que a ausência de sol em abundância não nos afete por demais. Ainda que eu deixe algumas sugestões, este tema é para ser levado com seriedade, portanto falar com algum profissional de saúde será sempre o mais indicado.

#Manter a dieta equilibrada para nivelar a nossa energia. Aproveitar os alimentos do outono, como a abóbora, as tangerinas, as romãs, as castanhas e tantos outros tesouros que nascem da terra para manter o nosso bem-estar ao seu melhor nível.

#A vitamina D é produzida no nosso corpo por meio da exposição ao sol, ou seja, nos dias cinzentos e nublados, torna-se difícil manter a quantidade necessária que o corpo pede. Apesar de ser encontrada em alguns alimentos como salmão ou ovos, pode ser necessário tomar um suplemento alimentar, se o médico assim o consentir. 

#Praticar atividades físicas na rua ainda que chova, faça frio ou não nos apeteça. Há que contrariar o espírito pesado. Já se sabe que mexer o corpo deixa-nos mais felizes (a ciência já provou isso), portanto sem desculpas. Há que fazer subir os níveis de endorfina. 

#Tirar partido da vida social no outono e no inverno, ou seja, vamos manter o ritmo do verão nisto da convivência, da partilha, das gargalhadas conjuntas. Estar entre amigos combate a falta de sol. 

Se nada disto resultar, a solução pode ser viajar para sul ou em situações extremas, mudar de país (mas calma, isto além de ser provisório até temos um inverno com bastante sol).

O que faz de mim uma pessoa feliz

Descobri cedo que sorrir contagia, que ter boa disposição é motivo certo para manter as pessoas por perto. Sou assim sorridente desde que me lembro. Não por sistema nervoso, sou antes feliz por ter a vida que tenho. Mas claro que atingir a felicidade, sentir-me assim neste estado, é algo complexo. Requer subir e descer a montanha russa vezes sem conta. Mas é a  forma como viajamos neste sobe e desce que nos vai definir. Embora sinta calafrios na barriga, gosto de fechar os olhos e de levantar os braços. Mais ainda, quando se trata de elementos essenciais que me levam a este estado. Partilho aqui as mudanças na minha vida que vieram reforçar esta boa energia.

#O mar. Nada me deixa mais radiante do que um dia a beira-mar. Um templo, um espaço de liberdade. Seja dentro de água, na areia ou num pontão, ver o mar transmite-me uma serenidade que me deixa bem-disposta. Faça frio, chuva ou sol o mar é o meu mantra, essencial para o meu equilíbrio. Portanto, uma vez por semana, seja uma caminhada, corrida ou apenas estar ali perto sentada, tenho de ver e ouvir o mar.

#O surf. Não tenho assim tanto tempo de surf. Mas percebi a magia de me colocar em cima da prancha e não conter o sorriso. Em Biarritz, um médico é conhecido por prescrever “dose de surf” como tratamento. Segundo li na revista Sábado, “a actividade física no mar também combate a depressão e outros traumas psicológicos. As endorfinas, a serotonina, a dopamina e a adrenalina – libertadas durante os treinos – aliviam o stress e têm efeitos positivos no humor.” Ora, é este efeito positivo no meu humor que sinto quando saio do mar depois da minha surfada. Sempre de sorriso na cara.

#O yoga. O yoga apareceu na minha vida como salvação. E tem sido. Despertou em mim, na altura aos 30 anos, uma lúcida vontade de alcançar o bem-estar. Não sabia bem como… Só que o acaso da vida levou-me a descobrir um pequeno estúdio de hatha yoga ao pé de casa. Fiz uma primeira aula. No final, saí de lá renovada com os músculos faciais tão relaxados que dei por mim num estado de serenidade contemplativo até casa. Nada me faz sentir tão completa e feliz como aqueles 60 minutos de yoga. É o meu espaço, o meu tempo, a eterna busca da minha felicidade.

#A nutrição. Não ligava nenhuma ao que comia. Sentia-me bem a devorar batatas fritas e M&Ms entre outras tantas coisas. Ao mesmo tempo que fazia a caminhada no yoga, a nutrição foi elemento crucial para me deixar conscientemente mais feliz. Saber escolher os alimentos certos. Perceber o valor nutricional deles. Descobrir que um abacate com cacau e mel pode ser uma mousse de chocolate muito mais feliz. Todos os alimentos, na sua composição, têm um papel essencial no bem-estar e na promoção da saúde. Lógico, lá está, uma pessoa saudável é mais feliz: sentimos uma nova energia, vemos o cabelo a crescer, unhas sem partir, pele mais brilhante, os órgão a funcionar como suposto. Em suma, um corpo feliz.

#A gratidão. Tudo culmina neste ponto, essencial na conquista da minha felicidade, o saber agradecer. Não poderia sentir tanta felicidade se eu não soubesse ser grata pelo que a vida me tem dado. As lições e as benesses. Agradeço a tudo e a todos. Aos meus pais, à minha irmã, à minha família, à minha vida em geral. Viver grata faz de mim mais feliz. Aliás, não sou eu que o digo, a ciência também já o provou. De acordo com a Harvard Medical School, a gratidão ajuda as pessoas a sentirem mais emoções positivas, a vivenciar experiências mais enriquecedoras, a melhorar a saúde, a lidar com a adversidade e a construir relacionamentos mais fortes.

PS: obrigada por me acompanharem no Mar de Sal.