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5 pilares de Dorian Paskowitz para uma vida cheia de saúde e surf

Quando ganhamos admiração por alguém e ficamos com o vazio de nunca poder conhecer, conviver com essa mesma pessoa, é o que sinto, depois de aprender um pouco sobre a vida de Dorian ‘Doc Paskowitz no documentário Surfwise. Um surfista, médico judeu, que abandonou as convicções de uma vida estandardizada para criar uma família de 9 filhos numa velha carinha e muito surf. O meu objetivo não é convencer ninguém a fazer o mesmo, quero antes passar as mensagens vitais de Dorian, o homem que levou o surf até Israel e colocou a saúde em sintonia com o mar.

Para Doc, o surf estava intimamente ligado à saúde, ao viver bem, com longevidade. No livro “Surfing and Health” fala sobre cinco pilares que fazem isso acontecer: dieta, exercício, descanso, lazer, e atitudes da mente. Admirei-o pela franqueza com a qual interpretou a vida, a humildade de não querer ser uma ovelha no rebanho, e destreza de perceber que numa vida ligada ao mar facilmente se atingem os cinco pilares, logo a longevidade. Doc faleceu a 14 de novembro de 2014 com 93 anos, apesar de todas as mazelas que o envelhecimento traz, acreditava que a “saúde é a presença de um estado de bem-estar superior, um vigor, uma vitalidade, uma energia (garra) para a qual tens de trabalhar todos os dias da tua vida,” (tens trabalhado para isso?).

#Dieta

A alimentação importa a todos, não apenas a atletas de alta competição. Esta palavra significa que sabemos fazer escolhas conscientes para o nosso corpo e sentir a plena energia proveniente dos ingredientes naturais. Neste sentido, um pouco extremista talvez, Doc dizia que não queria fazer nada que fosse diferente do comportamento dos nossos primatas. Se comem maçã sem casca, nós também vamos tirar a casca.

#Exercício

Nunca na vida seremos completamente saudáveis se mantivermos o exercício físico longe da vista, longe dos músculos. Doc levava os filhos a surfar todos os dias. Caminhar igualmente todos os dias 10km, correr, praticar alguma atividade que nos dê prazer faz com tenhamos força de vontade, coragem, audácia e consequentemente, mais saúde. Para Doc, o surf é o desporto que devolve a vida ao corpo. Eu, subscrevo, atentamente.

#Descanso

Dormir é tão importante quanto beber água. Desligar o motor e entrar em descanso profundo para recuperar as células do nosso dia desgastante (isto porque quase ninguém larga a vida que tem para andar de caravana à procura da melhor onda, se sim, dá-me coragem para o fazer). Dormir 8 horas por dia. Dormir bem. Todos os dias.

#Lazer

O que é a vida sem prazer, sem nunca fazermos aquilo de que gostamos? Ler, escrever, praticar yoga, jantar com amigos, passar bons momentos seja no que for. Vivenciar uma experiência que nos dê prazer deixa-nos mais felizes, relaxados, menos propensos a pensamentos negativos e isso traz saúde, vitalidade. E cereja no topo do bolo, incluir gargalhadas vindas da alma.

#Atitudes da mente

A sabedoria vem da intenção, da experiência e de encontrar coragem. E tudo isto permite uma vida mais positiva, resiliente. Doc viveu até aos 93 anos com problemas de saúde crónicos – asma e artrite – ainda assim, o surf susteve-o durante todos os seus dias. Ali encontrou no pensamento positivo e forte, a forma de contornar os problemas, chutando para canto o que não interessava.

Quem me acompanha desde o início do Mar de Sal, sabe que tenho vindo a trabalhar esta transformação em mim – a de me tornar mais saudável. Procuro continuamente inspirar-me em indivíduos únicos como Dorian Paskowitz; procuro acordar todos os dias grata pela oportunidade do dia, de enxotar os pensamentos negativos, de recusar açúcar e outros alimentos não naturais, de encontrar um desporto (na ausência do meu surf) que me deixe feliz, cheia de vitalidade, de descobrir sempre a melhor forma de viver eternamente aqui e agora.

E tu alinhas a fazer o mesmo?

Health is a presence of a superior state of wellbeing, a vigor, a vitality, a pizzazz you have to work for every single day of your life.

Desabafo de uma surfista em transição

As correntes levam a água salgada a percorrer milhas infinitas. Eu tenho a certeza que vai e volta, não perece no mesmo lugar. Também acredito que esta magia natural corre nas minhas veias. Vou de um lado para o outro, retorno, mas nunca fico demasiado tempo no mesmo lugar. Pela (novamente) primeira vez, em 25 anos, a vida afastou-me do mar. Estou de passagem numa nova experiência e essa decisão custou-me o surf, a praia, a vida boémia ligada ao sal.

Mas alma de surfista será sempre de surfista, esteja onde estiver. Rodeada de montanhas, neve, julho chuvoso, serei surfista. De pele esbranquiçada, cabelo escurecido, serei surfista. Mal humorada pela ausência de sol, apática pelo inaudível som tranquilizante do swell, serei surfista porque corre em mim água salgada nas veias.

Hoje mergulho no rio frio. Recorda-me as vezes que tive o privilégio de ter o mar aos meus pés. E vou ser tão mais grata pela oportunidade de voltar a surfar, de voltar à praia, ao meu lugar. Até lá, sigo e aprendo a viver sem swell.

Como bate forte a saudade de temperar a alma nas ondas…

Na vida tudo é uma questão de atitude

Uns dizem que é de signo; eu digo que é de feitio. Há dias em que mergulho num marasmo, fico à tona, a flutuar nas calmas. Sem destino, sem objetivo. Ainda há dias tive vontade de desistir do surf. É difícil, pede dedicação e persistência e todas as surfadas são diferentes.

Mas, porquê?

Há dias em que a vida custa muito. Decisões difíceis, ondas grandes, correntes submersas, inesperadas. Há dias em que a nossa motivação desvanece no nevoeiro matinal, dilui-se sem nenhuma força de vontade em emergir. Tudo isto por culpa da nossa atitude. A maneira com decidimos encarar o que nos acontece. Devemos aproveitar os momentos mais desafiantes para imbuir o pensamento de vibrações positivas. Mas, na maior parte das vezes deixamos que o lado negro das coisas tome lugar, ganhe peso. Uma âncora que nos arrasta para o fundo.

A atitude perante a vida é tudo. Temos de aprender a aproveitar os desafios a nosso favor. É só mudar de atitude.

A maneira como decidimos encarar os desafios, é muito mais na vida do que possamos imaginar. Que os dias sejam sempre de luz, de boas energias, de pensamentos certos para um futuro feliz.

 

Como mudar de atitude

  1. Ter consciência de que os nossos pensamentos não são nada mais do que a nossa percepção perante a realidade. Não são a nossa realidade em si. Logo, podemos trocar o não pelo sim facilmente para nos dar o impulso necessário para voltar à superfície do mar.
  2. Rodeia-te de pessoas positivas, que acreditam em ti, que têm sempre boas palavras para te dizer. No domingo, sentada na prancha, resmunguei: “estou desmotivada, não faço nada de jeito.” Lá do outside oiço, “vai Susana, tu consegues, a onda é tua!”, e foi mesmo.
  3. Pratica a visualização. Dou por mim, a sonhar acordada, no lugar onde quero estar. E com esta vibração, sei que vou chegar. Ver o objetivo que queres alcançar, deixa-te com uma força de vontade tão mais leve e feliz.
  4. Aprende a meditar. Fecha os olhos no caos e mergulha em ti. Aprende a limpar os pensamentos, a tirar de dentro de ti o que não interessa. Treina a tua mente através da meditação.
  5. Nutre apenas bons sentimentos. Gostar de algo ou alguém faz-nos, imediatamente, mais felizes. E ser feliz, é sinónimo de atitude positiva na vida.

Resoluções simples para o resto da vida

Uma lista de resoluções para sempre, mas que podemos começar a praticar em 2017.

Todos pensamos em resoluções para o ano novo, está mais do que enraizado na nossa sociedade mas, quem cumpre até ao fim? Eu não, assumo a minha responsabilidade. Ao longo do ano há resoluções que caem no meu esquecimento, por isso, ainda antes deste ano novo começar, decidi criar uma lista de resoluções conscientes para o resto da minha vida. Aqui partilho.

Aprender o poder do agora. Tanto falo nisto… e escrevo também. Viver o momento presente é para sempre. Quando aprendemos a desligar do passado, que vinga constantemente na nossa memória, nas nossas decisões; quando aprendemos a relativizar as questões da vida, e sentir apenas o que importa, estamos simplesmente presentes. Aqui e agora. Isto implica meditar, respirar fundo, apreciar o que temos à nossa volta. Não ansiar o futuro ou chorar o passado. Esta coisa do hygge que nos ensina a viver as boas experiências do dia-a-dia em casa, na melhor companhia, como beber um chá em frente à lareira, sem sentimento de culpa ou pressão. Saborear simplesmente vida. Uma resolução para adoptar sempre, o estar e o viver o presente.

Menos vida virtual. Contra mim falo, que vivo ligada ao universo digital. Mas não sejamos extremistas. Há dias, numa visita ao Oceanário, reparei que ninguém apreciava os animais. Aqueles monstros aquáticos, que majestosos nadavam, e os nossos olhos ignoravam… Todos registavam o momento apenas para partilhar nas redes sociais. A vida virtual. Vamos combater essa preguiça instalada de guardar na memória os momentos e as fotografias. Que tudo seja documentado em nós e não nas redes sociais. Fazer disto uma missão de equilíbrio para a vida.

Manter foco no minimalismo. Quando me propus a criar o Projecto 21, a intenção era a de passar mensagens de como viver uma vida tão mais feliz com muito menos. Que seja um para todos nós um projecto eterno este de limpar a mente, as emoções e os nossos espaços físicos dos excessos que criamos, compramos, consumimos. Que se abra espaço para os sentimentos bons, o amor, a compaixão, o perdão, a paciência. Uma entrega absoluta a uma vida mais serena, mais feliz. E isto, deve ser feito, sempre.

Como gerir o stress ao longo do ano

A melhor sensação que podemos ter é o desligar da vida rotineira, seja quando vamos de férias ou quando nos entregamos a algo que nos dê sossego ao espírito. Comigo resulta o surf e o yoga. De resto, gerir o stress que o dia-a-dia me provoca, é ainda caminho por desbravar. Falei, por isso, com a psicóloga clínica Isa Silvestre, autora do livro “Como Gerir 1 ano de Stress”, para me passar soluções práticas para atenuar as ansiedades diárias.

Para quem como eu vive na cidade é difícil não sentir stress. Esta rotina que nos obriga a andar de transportes, no trânsito, a cumprir horários e metas de trabalho ou até pelas intermináveis tarefas de casa, andamos sempre sob pressão. Por causa disto tudo, eu procuro viver em harmonia com a natureza para me acalmar os nervos. É irrecusável o convívio apaixonado com o mar ou as minhas sessões de yoga no parque, mas nem sempre estou disponível para estas práticas. Então, como lidar com o stress nos restantes momentos? Conversei com Isa Silvestre, psicóloga clínica e que publicou recentemente um livro, nem a propósito, sobre o stress, para me esclarecer mais sobre o tema.

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O que é o Stress?

O Stress é uma reação natural do organismo perante uma situação inesperada, de especial tensão ou de intensa emoção, que pode ocorrer em qualquer pessoa, independente de idade, raça, sexo, situação socioeconómica. Quando o stress persiste no tempo pode ser definido como “um desgaste do organismo”. A nossa reação contém sensações físicas e psicológicas que causam mudanças químicas no corpo.

Para algumas pessoas o stress permite que estejam mais atentas e estimuladas nas tarefas. É o stress positivo que nos ajuda a manter o foco no objetivo que pretendemos alcançar, favorecendo a energia e o estado de alerta. É útil para os atletas de competição; durante uma apresentação estimula a nossa concentração e foco; quando estamos cansados conseguimos concentrar-nos e ter energia para concluir um trabalho.

Mas o stress também reativa sentimentos de angústia, medo de falhar e tensão. Quando atinge níveis excessivos, o stress pode mesmo ser o maior responsável por situações depressivas.

O stress manifesta-se através de sintomas físicos de stress como a tensão muscular, as dores de cabeça, cansaço, sonolência, alergias, como a comichão na pele. Os sintomas comportamentais e cognitivos traduzem-se por agitação, dificuldade em cumprir responsabilidades, adiar as tarefas, pensamentos ansiosos, preocupação constante, dificuldades de memória e em tomarmos decisões. E, em termos emocionais, podem haver manifestações de choro, irritabilidade, nervosismo, tristeza e depressão.

É sob diferentes formas que o stress pode prejudicar a nossa motivação e ânimo para as relações sociais e familiares; o nosso poder de concentração e de memória nos estudos e no trabalho.

Casos práticos: quando somos confrontados com uma situação entusiasmante (estamos extremamente contentes, por exemplo, ganhar o euromilhões) ou com algo difícil (um problema para resolver, por exemplo, estar desempregado), o stress manifesta-se através do nosso corpo e da nossa mente. Estas duas situações provocam no nosso organismo as mesmas reações: ritmo cardíaco acelerado, aumento da tensão arterial, suores das mãos, aumento da nossa capacidade de concentração e atenção, e também uma subida da nossa motivação e disposição para agir. Assim, podemos dizer que o stress é o conjunto destas reações físicas e psicológicas, enquanto que o motivo que provoca determinadas reações é o fator stressante.

Que fatores influenciam o stress?

O stress é considerado a “doença dos tempos modernos”. O ritmo acelerado do dia a dia, as preocupações diárias, a forma como reagimos às exigências da vida pessoal e profissional, pode causar sentimentos de fúria, baixa autoestima, isolamento, falta de concentração, apatia, choro, dores de cabeça, falta ou excesso de ou apetite exagerado, entre outros sintomas. Regra geral, as preocupações diárias do dia-a-dia tem, normalmente, grande impacto na saúde mental e física.

Assim, sendo quase impossível evitar o mal estar causado pelo stress, é importante identificarmos os sintomas de alerta para um “estado de stress” e aprendermos as técnicas necessárias para lidarmos e gerirmos com este distúrbio e, assim, recuperar a qualidade de vida.

O que podemos encontrar no livro “Gerir 1 ano de stress”?

Este primeiro livro adere a uma escrita ilustrada por casos práticos e com estratégias comportamentais, motivando o leitor a uma introspeção pessoal e às mudanças desejadas. Aborda os momentos do ano que são causadores de stress, descrevendo os sintomas de alerta para um “estado de stress” e as técnicas fundamentais para lidar e gerir com este distúrbio, o que permitirá uma aprendizagem sobre a regulação das emoções de maneira eficaz e resgatar a qualidade de vida:

  • No ano novo, onde nos comprometemos com muitas mudanças. Mas depois fica tudo na mesma e lá vem a frustração e o stress.
  • As férias que devem ser relaxantes, mas as expectativas, as despesas, as mudanças de hábito, e o regresso ao trabalho deixam-nos stressados e cansados.
  • O regresso às aulas, que é para muitas famílias motivo de preocupação devido aos horários, às despesas com o material escolar, à reorganização familiar.
  • O emprego que é cada vez mais competitivo. A crise financeira; as situações inesperadas de stress e de morte na família.
  • O Natal que implica inúmeros compromissos e afazeres que causam stress.

O que te motivou a publicar este livro?

O tema deste livro surge da minha experiência profissional em diferentes contextos, com diferentes tipos de população e de intervenção, como o contexto escolar e clínico. Uma das queixas mais frequentes nos diferentes contextos de intervenção psicológica é o stress e a ansiedade.

Dicas práticas para gerir o stress no dia a dia

1. O stress e a ansiedade podem provocar alterações no nosso padrão de sono. No entanto, dormir bem é fundamental para regular os humor e os níveis de ansiedade.

2. Praticar exercício físico, ouvir música, conviver com os amigos/família, fazer simplesmente o que gostamos. Ou seja, ter um momento do dia ou da semana dedicado a nós: “o meu tempo”.

3. Fazer uma boa gestão do tempo, definindo objetivos realistas para nós próprios. Na maioria das vezes existe uma sobrecarga de tarefas a cumprir que, no fim, causam apenas sentimentos negativos (frustração, desilusão). 

4. Expressarmos as emoções e os sentimentos. É, igualmente, importante sermos assertivos, aprendendo a colocar limites (dizer que não) às situações tóxicas.

E quando é que o stress deixa de estar sob controlo…?

O problema surge quando o stress e a ansiedade são sintomas excessivos, devido à sua intensidade, frequência e duração no tempo, conduzindo a falhas no processo de raciocínio e no desempenho de algumas situações e atividades diárias. É frequente existirem pensamentos como: “algo horrível vai acontecer”, “não me consigo concentrar”, o que, por sua vez, tem efeitos nefastos no sono e nas relações pessoais. Alguns exemplos clínicos: o ato de entrar para um elevador ou estar perto duma varanda num andar elevado pode ser vivido com muita intensidade e sofrimento para quem está a vivenciar ansiedade patológica porque avalia a situação com uma elevada probabilidade de ocorrência de um acontecimento negativo ou catastrófico; um simples encontro social pode ser vivido com enorme ansiedade e apreensão porque é interpretado como uma situação humilhante e embaraçosa (fobia social).

Todos nós temos os nosso limites que são diferentes de pessoa para pessoa. É importante procurarmos acompanhamento psicológico ou psicoterapia quando sentimos que os efeitos do stress está a ter consequências no nosso humor (irritabilidade, tristeza), no sono e, de forma geral, nas atividades do nosso dia-a-dia. Na maioria das vezes o stress negativo ou patológico leva ao desenvolvimento de quadros clínicos graves como as perturbações de ansiedade, ataques de pânico, depressão.

"Como gerir 1 ano de stress", Isa Silvestre

Lado B: onde a música da vida toca positivo

Cresci a acreditar que mereço o mundo e não faço por menos, dou o meu melhor em tudo o que faço. Com o apoio incondicional que tenho, entre em que aventura entrar, sei que à minha volta não vão faltar palavras positivas, de incentivo e de perseverança, uma energia única vinda especialmente dos meus laços de sangue. Não me falham, não me faltam.

Mas eu falho. No meio desta incrível jornada que é a vida descubro que sou uma exímia construtora de muros. São bloqueios a uma vida mais positiva, mais feliz, porque algures aqui na caminhada encontrei sinaléticas que me dizem que devemos viver com preocupação e preconceitos. Entrego-me assim a um descrédito absoluto e deixo-me ficar fechada neste conforto entre muros. Vivo o dia-a-dia no conceito fatal do “vai-se andando”, sem nunca sair do lugar. Porque fiz os muros bem altos para serem impossíveis de conquistar.

Revês-te em mim?

Somos livres de acreditar no que quisermos, mas sei de coração aberto que atraímos o que queremos. Quando alinhamos os nossos objetivos a pensamentos naturais como a alegria, amor, abundância, o céu é o limite. Não acredito que o mundo não me retribua da mesma forma. Nem que hajam explosões cósmicas que queiram fazer a terra rodar em sentido contrário. Sei que o pensamento vai atrair tudo de bom, se assim eu quiser.

E também sei hoje na vida que sou exatamente a pessoa que deveria ser. Devagar passei a focar-me no que tenho de bom em vez daquilo que me fazem acreditar faltar. Encontrei aqui a fórmula para desfazer os muros. Ouvir o lado B da cassete da vida. O lado Bom. Onde a música flui, toca sem parar. Hoje quando me olho ao espelho encontro o reflexo de alguém feliz, que tem exatamente o que quer (porque assim pedi ao universo, ainda que na maioria das vezes os pedidos estejam esquecidos no subconsciente). Mas vivo feliz na vida que quero.

É preciso ter a calma de saber aceitar que a vida acontece sim, a todos, no seu momento. A algumas pessoas tudo parece correr em linha recta, noutras montanhas por escalar, mas na verdade não quer dizer que uns sejam mais meritórios do que os outros. A vida é mesmo assim. Cada um na sua jornada.

Nas horas difíceis, dá um passo atrás, contempla o que tens e sente gratidão.

Sou evidentemente crente nos bons pensamentos, nas boas energias, na transparência da alma. Pensa positivo, emana boas vibrações em todas as ações que pratiques. Nas horas em que duvidares de tudo o que te acontece, que é apenas negativo, sempre negativo, liberta esse pensamento. Aceita que está presente na tua mente, naquele momento, e depois deixa seguir livremente. Nas horas difíceis, dá um passo atrás, contempla o que tens e sente gratidão. Põe o lado B da cassete a tocar, faz o que te deixa feliz e acredita que mais cedo ou mais tarde, tudo dá certo.

Quando a vida me puxa o tapete…

Quantas vezes sonhamos com algo que a vida teima em afastar? E quantas vezes estamos à porta da nossa oportunidade e a vida puxa-nos o tapete?

Já passei por isto e sei que vou continuamente passar. Nem sempre conseguimos o que queremos ou da forma como imaginamos. Mas quando somos atingidos por aquele rasgo de fé de querer algo tão intensamente, sentimos que nada nos pode impedir.

Eu quis aprender a surfar. Por várias razões, mas acima de tudo, para descobrir em mim a força de vontade e de superação a qualquer obstáculo. E nada maior do que o meu medo do mar, que ambiguamente me hipnotiza também. Comecei por me inscrever numa escola de surf. Aos fins-de-semana lá ia eu de lycra colorida vestida para as espumas do mar até dia que me dizem para remar para lá da rebentação. Chegara o momento da verdade, aquele em que o meu medo tinha de ser enfrentado. Inspirei fundo, convenci-me de que era capaz e remei como nunca. Estes movimentos tornaram-se num hábito e as aulas deram lugar a prancha, fato e idas solitárias à praia. Sempre com coragem. Sempre com medo subjacente. Mas ia, acreditando que eu e o surf fazíamos dupla perfeita.

Mas nem tudo é um mar de rosas. Certo dia de novembro, depois de sorrir a umas quantas ondas, desisti por cansaço de estar no mar. Ao sair querer saír da água, perdi o controlo da prancha, mas a prancha, sacana, não me perdeu. Embrulhada no fundo do mar, durante um tempo que me pareceu eterno, a prancha bateu-me e abri a cabeça. Coloquei a mão onde senti a pancada e dei pelo corte. Tentei voltar rápido à tona, mas a rebentação forte deu-me luta. Assim que consegui, tinha sangue por todo o lado. Quem estava pela praia veio em meu socorro. Horas depois, já nas urgências, nada de pontos. “Teve sorte”, disse a enfermeira. Era apenas um corte que iria sarar sozinho. Mas precisava de tempo e de repouso. Durante esse tempo, nada de surf, nada de mar. Castigo. Logo agora que estava a gostar tanto…

Aquela conquista inicial de força de vontade e de superação deram força ao medo que tinha do mar, e tudo se afogou no instante do acidente.

Fiquei por casa uns dias por prevenção. Tinha em repetição na minha mente a sensação da prancha me bater com força enquanto o mar me deixava no fundo. O pânico era mais forte do que a dor da pancada. E se não estivesse alguém por perto para me ajudar? E se voltar a acontecer? Aquela conquista inicial de força de vontade, de superação deram força ao medo que tinha do mar e tudo se afogou no instante do acidente. Só que como tudo na vida, precisamos de encontrar maneira de lidar com o que nos acontece. E aqui, não foi excepção.

Aceita o que acontece. Não valia a pena ignorar o incidente. O surf, como qualquer outra coisa na nossa vida, pode magoar. Na altura fiquei chateada, irritada, desacreditada. Será que sou mesmo capaz disto? É só cabeça partida no fundo do mar. Podia ser pior. Ter a noção de que isto acontece e faz parte é meio caminho andado para não me perder em pensamentos paralelos. Depois, gosto de acreditar que tudo acontece por uma razão, e que mais cedo ou mais tarde acaba por se explicar.

Manter o foco. Esta sensação de ter errado, de ter falhado de alguma forma, faz-nos questionar a nossa capacidade e vontade, por vezes até, desistir. Mas não podemos. Sabem quando nos dizem “não” e por teimosia mantemos o foco no que queremos? Aqui é igual.

Inspiração é fonte de vontade. Em casa de castigo. O mar ali ao fundo da rua com ondas perfeitas e eu sem poder ir. Podia ficar a lamentar, mas o que fiz foi simples. Procurei manter-me inspirada. Li sobre o tema, as quedas, como aprender a cair, biografias e histórias de outras pessoas de superação. Fiz aulas teóricas através do YouTube. Com isto consegui lidar de uma forma mais racional com o meu medo e manter-me inspirada para voltar ao surf.

Acima de tudo, temos de dar tempo ao tempo. Tudo pode acontecer e tudo acaba por curar. A forma como vivemos cada impasse dita se foi uma falha ou um sucesso. Por isso, quando a vida me voltar a puxar o tapete, eu vou continuar a surfar.

Como tornar a mudança horária mais natural

Se há algo que me perturba, é a mudança horária. Podem vir os dias de chuva, o frio, o recolhimento mas tirar a luz ao dia, perturba-me. Ainda assim, podemos tornar esta transição mais suave, natural. É Uma questão de ajustar o nosso corpo.

Chega ao final de outubro e sou atropelada por uma vontade enorme que seja primavera de novo, onde vinguem dias de mais luz. Detesto a mudança horária. Já aqui tinha falado como sofro com ausência de sol (fico com neuras, confesso). Mas, consciente, sei que tenho de passar por este processo. Não dá para passar à frente o tempo nem manter o dia mais longo.

Só que nem tudo pode ser assim tão escuro, difícil. É também saudável saber aproveitar estes momentos para nos focarmos naquilo que o nosso corpo precisa, olhar para o nosso interior, dormir com mais qualidade, cuidar da nutrição, ser mais consciente e presente em relação ao nosso bem-estar. Por isso, deixo aqui a minha intenção tornar esta transição mais suave.

Acordar com o sol. Os nossos antepassados faziam isto; é o mais natural. Acordar com luz, deitar quando o sol se põe, respeitando o ciclo circadiano. Para conseguir sair cedo da cama, vou deixar os estores entreabertos para convidar a luz da manhã a entrar e ajudar-me a despertar com naturalidade ao invés do despertador.

Contrariar a preguiça. Como? Eu vou manter a estratégia de praticar uma atividade física à minha escolha, todos os dias, pelo menos durante 30 minutos. É  o meu compromisso. Faça chuva ou faça sol. Correr, ir a uma aula de yoga, surfar, caminhar, saltar à corda, qualquer coisa serve, logo pela manhã, para me ajudar a ativar os músculos e dar energia para o resto do dia.

Comer alimentos da época. Não é por acaso que determinados alimentos existem só em certas épocas do ano, estão à nossa disposição por serem superiores em vitaminas e sais minerais. Dão-nos a energia certa para o tempo em que estamos. Além disso, consumir alimentos da época é uma atitude sustentável já que vamos contribuir para a produção agrícola local.

Apanhar sol. O máximo possível. Vou tirar 5 minutos ao intervalo do almoço só para absorver os raios solares, sempre que der. Isto vai regular o relógio biológico e a respetiva produção de melatonina, fazendo com que durma melhor. Desligar os ecrãs à noite também é válido para aumentar a qualidade de sono.

Aceito sugestões para tornar esta mudança horária (ainda que a diferença seja apenas de uma hora) mais suave. E fazer com que o nosso outono e inverno sejam mais iluminados.

Como equilibrar a vida

Equilibrar a vida é como fazer yoga, temos de ativar em nós os músculos certos a usar em cada postura. No dia a dia, temos de ativar em nós a nossa paciência e resiliência para tudo contornar e subsistir.

Andamos sempre à procura de equilibrar a nossa vida entre o trabalho, a família, o desporto, a saúde, e outros tantos malabarismos. E parece que só sentimos que tudo está equilibrado quando colocamos todas as esferas da nossa vida com o mesmo peso e medida, não é?

Só que no meio de tanta tentativa de equilíbrio, a vida acontece, e tudo se desequilibra. Perdemos aquela surfada no final do dia porque o trânsito nos fez parar; os nossos filhos são a prioridade; a correria do trabalho impede-nos de ter tempo de sentar e desfrutar de uma alimentação plena e calma. Quando isto nos acontece, quando há circunstâncias que não controlamos, ficamos frustrados, cheios de stress, irritados por não estamos a equilibrar a vida como gostaríamos.

Mas há que aprender com isto. Surgem-nos coisas giras na vida como no yoga que nos mostram como fazer malabarismo. Há aulas de yoga em que trabalhamos mais o equilíbrio, em posturas aparentemente simples como a Árvore ou Vrikshasana. Na verdade pedem-nos que subtilmente sejamos capazes de ativar diferentes músculos, pequenos ajustes para alcançar tal postura. Ao colocar uma das pernas dobrada em triângulo com a planta do pé na zona de virilha, ao olharmos em frente, ao elevarmos os braços para o alto da nossa cabeça, estamos a desafiar o equilíbrio e a pedir ao corpo que o controle. Ao mesmo tempo que executamos a postura, e nos equilibramos, surge-nos um sentimento de serenidade no corpo. O nosso cérebro descobre ali os músculos necessários para nos manter firmes e inteiros como uma árvore.

É exatamente este tipo de equilíbrio que temos de conseguir encontrar nas diferentes esferas da nossa vida, e de forma harmoniosa, conjugá-los sem frustração. Nos meus dias mais intensos ou de situações mais inesperadas, tento activar em mim determinados comportamentos que me ajudem a descobrir o equilíbrio entre o caos. Como?

↠ Mantenho-me fiel aos meus objetivos. Se num dia não consigo praticar desporto, encaixo amanhã com mais calma, mas faço os possíveis para cumprir este objetivo e me manter ativa todos os dias.

↠ Tento adaptar-me aos imprevistos. Tento não ter expectativas muito altas, gerir aquilo que quero fazer durante o meu dia e aquilo que sou capaz de conseguir.

↠ Aceitar o que a vida me dá (é ensinamento do yoga). Faz com que fique mais calma, serena, logo equilibrada. É que às vezes perdemos energia em coisas que pouco ou nada interessam…

↠ Nunca desistir. E como é que isto me ajuda a equilibrar o dia? Sou dona do meu destino. Tenho em mim todo o poder e força do mundo, por isso, posso sempre voltar a tentar fazer o que queria. Se não foi naquele momento, é só uma questão de ter um pouco de paciência e resiliência para voltar a tentar.

Rituais diários: o que não dispenso nos meus dias

Há rituais nossos dos quais não devemos prescindir se nos fazem o dia sorrir. Aqui fica uma pequena lista para inspirar a criar bons hábitos.

Aquilo que nos faz sentir bem, nos deixa felizes, é o que devemos manter na rotina diária. Viver de forma saudável significa respeitar o nosso templo – o corpo – tratá-lo da melhor forma para que o nosso brilho venha de dentro para fora. Criar rituais é honrar este mesmo templo. Aqui fica a minha pequena lista de rituais (quase obrigatórios).

Limão e Gengibre

Não dispenso de manhã, em jejum, o copo de água morna com gotas de limão e rodelas de gengibre. Sei que contribui para a perda de peso, mas é um ritual que não dispenso por outra razão: limpa as toxinas do nosso corpo. E ao fazê-lo logo de manhã significa que estou a preparar o meu corpo para o tratar da melhor forma ao longo do dia, nutri-lo o melhor que sei. A Sociedade Vegan explica bem as vantagens desta dupla.

Saudação ao Sol

O sol existe sempre mesmo quando o céu está encoberto. Logo, das primeiras coisas a fazer no meu dia é o Surya Namaskara, a minha saudação ao sol para dar a energia certa ao corpo, para o despertar, para o alongar e deixar apto para o que ai vem. Ajuda ter um pequeno canto de yoga em casa, acender incenso, velas e imagens alusivas ao relaxamento. O dia fica sempre mais inspirador.

Matcha

A primeira vez que bebi matcha confesso que não gostei. Contudo, o efeito que me provocou ao longo da manhã ao nível da concentração e serenidade, tornou-o imediatamente companheiro de pequeno-almoço (foi trocado pelo café). E depois, acompanha tão bem a sessão de yoga matinal…

Mantra

Tenho um caderno onde escrevo diariamente o meu mantra. Não acordo todos os dias com a mesma motivação. Escrever mantras foi a forma que encontrei para contornar a minha falta de energia, concentração, força de vontade. Ao escrever o mantra, interiorizo-o. E ao libertar essa vibração ao longo do dia, faz com que me sinta melhor.

Ficar Offline

Quem me conhece sabe que vivo colada ao universo digital, mas não é tudo para mim. Sou adepta de um sono tranquilo portanto o smartphone fica desligado a partir das 22h até às 7h da manhã. Melhoramos e muito a qualidade de tempo e reservo esse tempo para me deixar dormir ou por a leitura em dia.

E quais os teus rituais diários? Partilha nos comentários.