Como sobre(viver) sem mar

Há uma expressão em inglês que define o meu estado físico neste momento: landlock, presa em terra. Viver com o mar a espreitar no fundo da rua era dado adquirido. Estivesse sol ou chuva, inverno ou verão, ali permanecia o meu mar. Acontece que o malandro tem correntes e desta vez arrastou-me para longe dele. E o surf, perguntam-me. Não sei, mas estou a encontrar forma de sobreviver até o reencontrar.

A maioria deve estar a desfrutar do bom verão português, brindada pela maravilhosa costa que temos, praias por desbravar, peles bronzeadas, pranchas de surf espalhadas, carros repletos de areia e apetrechos de quem passa o dia virado a sol. Onde estou, não tenho nada disso. Confesso que é castigo não ver a imensidão azul no nosso raio de visão, e honestamente, para quem é surfista, custa a triplicar vezes infinito. Mas, como em tudo na vida, temos de nos centrar no lado certo da equação, como quem diz, encontrar uma forma de manter a vida de mar por perto.

Espírito de surf por toda a casa

Fotografias a posters, mapas, adereços, decoração em tons de mar, em casa tudo tem de transpirar espírito de praia. Também vale usar incenso que tenha na embalagem algo como “ocean breeze”. A próxima estratégia é encontrar uma prancha de surf faz de conta para pendurar na parede (como não vou usar, pode ser em cartolina). Se mantivermos o espírito do surf um pouco por toda a parte, disfarça a distância a que estamos do mar.

Vida de surfista continua online

Sites de surf? Subscrevo a todos. Tenho o email cheio de swell, imparáveis notificações nas redes sociais sobre surf, vídeos no youtube de aulas, tutoriais, inspirações… Tudo vale para viajar mentalmente até ao mar. Embora possa soar a tortura na verdade serve para me manter ligada a este estilo de vida.

O asfalto nunca acaba

As ondas nem sempre temos. O asfalto nunca acaba e, por isso, o melhor é ter um skate. Em termos de movimento e de sensação de liberdade, o skate engana o cérebro. É o meu faz de conta que estou em cima da onda a ripar.

Ter foco noutras atividades físicas

Mais fácil é encontrar um lugar para praticar yoga e estrada para correr. Passeios de bicicleta pelo campo também me ajudam a abstrair. O meu foco é encontrar atividades físicas que me mantenham em forma para quando for altura de regressar ao mar, a surfada não seja tão exigente fisicamente.

Encontrar amigos do mar

Se há algo fácil de descobrir – acho que há uma empatia instantânea entre a comunidade surfista – é um amante do mar. Aqui presa em terra já encontrei vários surfistas e estar à conversa com eles ajuda a desligar a ausência das ondas; é que o tema passa a ser snowboard.