Lombok, que a civilização demore a chegar

Enquanto Bali foi um ponto de encontro espiritual, Lombok foi a descoberta de paisagens virgens por explorar. De baías azuis turquesas, passeios de mota entre arrozais e altivas palmeiras, e com surf garantido para os mais experientes, esta é a Indonésia que se quer viver no seu estado mais puro.

Esta minha viagem à Indonésia ficou dividia entre as ilhas de Bali e Lombok. Após uns dias por Uluwatu e a aproveitar a boa vibe desta parte da ilha, fui até Kuta, Lombok. Surpreendeu-me a simpatia dos locais, de lhes ver na alma a boa vontade, a harmonia, o querer tratar bem os turistas tão preciosos nestes lugares remotos. É um claro sinal de prosperidade. Surgem os primeiros investimentos a uma escala maior, ainda que muito devagar, nota-se esta vontade de Lombok vingar enquanto destino de férias. Para já, Kuta ainda é uma vila para exploradores, aventureiros, pessoas que procurem por um refúgio da civilização ocidental. Contrasta aqui a Internet, curiosamente, em quase todos os espaços comerciais e de hospitalidade com a falta de água canalizada (diria que as prioridades estão trocadas).

O sossego em Kuta…

Tirando o zumbido constante das motas, consegui em Kuta descansar e desconectar do mundo. Aproveitei conhecer o espaço Mana onde experimentei yoga para surfistas. De longe, para mim, o lugar com mais mística e envolvência para se ficar. Tenho saudades de me sentar no Milk Expresso & Spa de capuccino na mão e a escrever no meu caderno de viagens, de olhos postos na passarela de lambretas rápidas e gente gira a rodopiar (volto a frisar isto, na Indonésia vê-se de facto pessoas mesmo giras, talvez por andarem todas descontraídas, mas é mesmo tudo giro). Quem lá for ao Milk Expresso, recomendo vivamente os pequenos-almoços sejam os ovos com abacate ou os batidos e sumos naturais, e depois aproveitar para fazer uma massagem ao estilo sueco, super relaxante, o melhor que fiz para descomplicar os músculos doridos do surf.

…e nas praias também

Mawi

Tirando duas artérias que atravessam Kuta, o resto da vila bem como os caminhos para as praias são de puro sossego. Aliás quem até aqui viaja sabe que vai atrás da falta de civilização como a conhecemos. Se por um lado temos Kuta de Bali que se assemelha ao nosso Algarve de agosto (no sentido que está cheio de turistas e só se vive para eles), Kuta de Lombok está a romper devagar naquela baía. E ainda bem que assim é. De mota exploram-se os caminhos até se descobrir as praias: Mawi, Are Guling, Tanjung Aan, Selong Belanak. O que têm em comum? Águas cristalinas quentes, areias macias de coral, águas de coco e poucas pessoas (a mais preenchida era Selong Belanak com aulas de surf, pequenos bares de praia em bamboo, cadeiras e chapéus de sol para se passar o dia). São na maioria praias por desbravar, simples, puras, onde os surfistas tentam a sorte naquele mar pouco conhecido. Apenas lamento os plásticos espalhados por toda a parte, que na verdade são um problema por toda a Indonésia.

O surf em Lombok

Gerupuk

Tal como em Bali, o surf não foi fácil para mim. Acho que ficou a faltar um guia local, um professor de surf para me orientar a explorar as praias certas. Tive vontade de entrar em Mawi, mas a onda impôs respeito. Vi os surfistas a remar muito, a tentar contornar a força das correntes do agueiro e isso comprometeu a minha vontade em experimentar. Felizmente fui abençoada em Gerupuk. Marcamos ponto de encontro as 6 da manhã na receção do hotel. Seguimos viagem num caminho de altos e baixos, pranchas penduradas, muita ansiedade por aquilo que nos esperava. À entrada de Gerupuk os locais aguardavam-nos com os barcos prontos para nos navegar até ao primeiro pico, Don-Don, que funciona tanto à esquerda como à direita e apenas quando o mar está maior. Atirei-me do barco, remei, remei, remei. Espreito por cima do ombro direito e vejo a onda a formar, a sorrir para mim. Vinha de facto na minha direção, deixei-me de coisas, e fiz-me à onda. Uau… Lisa, intensa, interminável (remar de volta para o pico foi a segunda parte do desafio, acho que nunca remei tanto quanto nestas férias). Não me irei esquecer da sensação daquela onda. De longe a melhor experiência de surf que já tive, parecia não acabar. Correu tão bem que no segundo dia repeti, mas mais adiante nesta baía de Gerupuk, no pico chamado Inside. Aqui forma uma direita consistente sob fundo de recife. Apanhei mais crowd, mas a simpatia dos locais e confesso, dos surfistas nipónicos (uma agradável surpresa dentro de água), fez tudo fluir. Fica a dica: vale sempre a pena acordar de madrugada. Ver nascer o dia e surfar ao mesmo tempo fez daquele lugar o meu templo do surf.

O lado trendy de Kuta

Há uma liberdade subjacente nestes lugares distantes no mundo (ou do mundo?). Talvez seja por isso que alguns europeus arrisquem deixar para trás a sociedade ocidental e aqui persistirem. Para quem um dia passar por Kuta, El Bazar e Krnk são dois restaurantes com muita boa onda e comida também. Pertencem ao mesmo proprietário e que tem consigo aquela história que tanto queremos ter. A pessoa que abandonou uma carreira internacional das nove às seis na Holanda para descobrir um futuro mais simples em Kuta. Quando lá cheguei ainda estava a sofrer de Bali Belly (não me livrei disso) e felizmente encontrei nestes lugares o conforto de pratos menos adocicados ou picantes e uma boa dose de kombucha para me ajudar a recuperar. O jantar começa cedo e a noite também, é que logo a seguir vamos ter festa num dos bares de praia (há uma festa por noite, todas as noites). Música ao vivo, venda de cogumelos com fartura, Bitangs, miúdas de chinelos e calções, surfistas arranhados pelo fundo coral. Neste misto de culturas conhecemos pessoas de todo o lado, num tempo parado do tempo propenso às conversas soltas pela noite.

Bali: viagem ao meu horizonte

Estou de volta, mas com a alma em Bali. Um lugar tão espiritual quanto pensei ser, emana uma energia tão positiva que só dá vontade de lá voltar, de lá ficar. Uma viagem fisicamente longa, uma viagem tão próxima ao meu horizonte.

Tudo é viagem, tudo é experiência. Sabia que ia custar passar tantas horas nos aviões, demasiadas escalas e tempo morto, mas faz parte da aventura. Assim que saí do avião, mergulhei nos aromas de Bali: em todo o lado o incenso arde. A pele ficou humedecida, o cabelo descontrolado, um cansaço feliz por poisar os pés em terra firme após 25h de viagem. Não vi grande paisagem à chega, a noite cerrada escondeu os primeiros encantos da ilha dos deuses. Mas fui abençoada ao acordar com o som da chuva tropical, pássaros exóticos, macacos saltitantes e uma piscina serena virada a nascente. Ali senti uma paz imensa, meditei, pratiquei yoga. Seguiram-se dias de procura de praias e ondas que se coadunassem com o meu nível.

O surf em Bali

Não é fácil surfar em Bali quando não se tem grande experiência. As ondas são perfeitas, mágicas, mas o fundo coral na maioria dos lugares impõe respeito à falta de destreza. Apanhei a primeira onda ao fim de dois dias em Padang Padang. Com a maré cheia, lá remei e fui. Senti as ondas mais lisas, mais demoradas a desenrolar. Deu-me tempo e oportunidade para cortar logo a onda e ir, quase eternamente no pensamento, a surfar. Ainda tenho em mim essa sensação. De frente para a costa, uma falésia de palmeiras, rocha vulcânica, comerciantes locais com saris e bonés para todos os gostos.

O lado boémio de Bali

Estive por Uluwatu. A meu ver, uma área cool e boémia. Resume-se a pessoas bonitas vindas de todo o mundo, a um povo a querer vingar na vida através do turismo, a refeições com muitos alimentos orgânicos, pratos adocicados como mie goreng ou gado-gado, cheia de vegetais, óleo de coco e amendoim. Batidos e sumos naturais em toda a parte, água de coco (quente, nunca fresca), mas que ainda assim sabe maravilhosamente. Ficam cravados no palato os pequenos-almoços no Bukit Café, aquele bagel com abacate e ovos mexidos escoltados pelo sumo de papaia ou as panquecas de banana divinais (cresce água na boca só de me recordar).

É tão fácil falar com estranhos em Bali. Dás por ti com uma disponibilidade incrível em querer conhecer pessoas, falar, trocar experiências, contemplar o por do sol de Bintang na mão… Surfistas giros, naquele registo hippie chic sofisticado, tatuagens, bronze dourado, cabelos loiros, livres pelo asfalto nas aceleras e pranchas penduradas. O ponto de encontro era sempre no Single Fin ou nas festas nas praias. É um lugar para celebrar a vida, livremente, descomprometidos.

A magia hindu

A religião será sempre um ponto de referência para a forma de vida de um povo. Diz muito sobre hábitos, valores, comportamentos e em Bali, isso não e diferente. Maioritariamente hindus, ao contrário do resto da Indonésia que é muçulmana, a diversidade deles começa inclusivamente no seu hinduísmo que difere do da Índia, e talvez a justificação seja a mistura religiosa que ali se sente. Tanto vemos biquinis reduzidos na praia como mulheres em burkinis. Há pelo meio budistas, católicos, protestantes e outros tantos que têm o seu deus. Mas em Bali tudo flui, naturalmente, como as densas chuvas tropicais. Indicado para retiros, solteiros, pessoas que procurem um sossego interior ou que queiram amor solto nos fins de tarde de engate. Aquilo do Comer, Amar e Orar é tão verdade e pode ser encontrado apenas em Bali (não precisamos de passar por outras paragens).

A inevitabilidade do por do sol

Vi o nascer do dia algumas vezes, andei sempre desorientada com o fuso horário, mas nada substitui o por do sol. Ali tudo funciona ao contrário, a condução por influencia, quiçá, britânica (foi durante algum tempo colónia deles) ou dos países mais próximos como a Austrália, a Lua fica cheia na horizontal, o sol põe-se quando aqui o dia nasce. Nesta equação, estar sentada a beira-mar em Bingin, a ver surfistas a rasgar ondas na vertical como nunca vi, onde o sol se deita devagarinho no pano de fundo, naquele calor húmido… faz-me viajar de volta e a equacionar como um lugar no mundo pode dizer tanto sobre a nossa personalidade.

Como eu gosto de Abacaxi Brasil

Gosto muito de abacaxi, é fresco e combina tanto com o verão. Mais ainda quando se trata dos biquínis de Vivane Schmitz da Abacaxi Brasil. Entra nesta viagem do Rio de Janeiro a Lisboa e fica a conhecer as cores que pintam o meu verão.

Eu sou fã de água de coco, abacate e abacaxi (e tudo soa a Brasil com isto). Sou também fã de dias longos de verão, areia quente, sombrinhas, pele bronzeada, pranchas de surf e muita boa disposição à mistura. Mas nada disto faz sentido se não estivermos giras e felizes na praia.

Foi exatamente na praia do Rio de Janeiro que nasceu a Abacaxi Brasil, de Viviane Schmitz. Formada em Cinema e com uma pós-graduação em Comunicação Social, confessa, em tom de brincadeira, que trocou o mundo da produção na Globo pelos biquínis. E ainda bem que o fez. O amor trouxe-a da cidade maravilhosa a Portugal e por cá foi incentivada a apostar na marca que criou aos 25 anos. Hoje, aos 30 e em Lisboa, está feliz por descobrir que as portuguesas adoram o Rio de Janeiro e que essa boa energia é em parte responsável pelo sucesso da marca. «Eu não imaginava que as portuguesas adorassem TANTO o Rio de Janeiro. Acho que o fato de as portuguesas gostarem tanto desta “energia brasileira de ser”, acaba ajudando e contribuindo para o sucesso da minha marca», conta Viviane.

A Abacaxi Brasil não vende online, o que nos dá alguma exclusividade ao usar os biquínis. Participa em algumas feiras, como na Summer Market Stylista, mas para encontrar estes abacaxis temos de viajar até ao showroom no Príncipe Real, na Travessa Monte do Carmo, 46. Basta tocar à porta que nos aparece Viviane, muito sorridente, pronta a receber-nos. O espaço apela a praia. Biquínis, fatos de banho (ou seja, maiôs), de “jeitinho carioca”, com vibrações do Brasil pelos cortes e cores que tem, pendurados em cabides de corda que contrastam com a parede branca. Assim que entramos, e pela luz natural que rompe por este pequeno espaço, temos vontade de experimentar tudo. O mais difícil é decidir o que levar (na dúvida, levamos um de cada, já que os preços são acessíveis). Dos 14 aos 60 anos, os biquínis Abacaxi Brasil são para todas as mulheres que se identifiquem com a essência da marca, ou seja, a brasilidade que flui nas cores e vibrações que nos levam de volta até ao Rio de Janeiro.

E porquê Abacaxi Brasil? A resposta foi fácil.«A imagem da fruta abacaxi representa de certa forma o Brasil para mim, pelas cores verde e amarelo. Além de ser algo que é mais gostoso comer no calor, ou seja, remete o verão», disse Viviane. E eu não podia estar mais de acordo. Este verão uso e abuso de Abacaxi Brasil.

Sessão de surf a solo

Ao início, quando nos metemos nisto do surf, é complicado ter companhia e acabamos muitas vezes por ter direito a sessões de surf a solo. Isto porque não saímos das espumas, demoramos a chegar ao outside, caímos muitas vezes e quem já sabe apanhar ondas é exatamente isso que vai fazer. Mas podemos sempre aprender a desfrutar das nossas idas solitárias ao mar.

Entrar no mar sozinha assusta, confesso. Há que chegar à praia e perceber o estado do mar, se há correntes e as dúvidas que tiver, não tenho ninguém para as debater. Depois, quando entro no mar fico preocupada com a minha figura, os outros surfistas vão perceber que sou principiante, as quedas podem ter um tom mais ridículo e sabe-se lá se não me magoo no meio disto tudo. Portanto, surf e solidão até aqui, parecem não combinar. Só que a experiência da vida, seja ela onde e como for, torna-nos mais sólidos e ensina-nos a superar os medos e a falta de confiança. O que aqui escrevo hoje não é uma fórmula mágica, mas é a minha estratégia para aproveitar melhor estas sessões de surf sem companhia.

Surfar na praia do costume

Quando decido ir sozinha, vou para uma praia que conheço. Apanhar ondas numa praia que nos é familiar, até mesmo com o crowd que possa lá estar, faz-nos ter mais confiança para entrar.

Primeiro a segurança

Agueiros, correntes, simplesmente ficar em perigo não é surf. Devemos ir até onde temos capacidade mental e física. Já sabemos que o surf demora tempo para se aprender, por isso, uma onda de cada vez. E por falar em segurança, nada de deixar as roupas, carteiras, mochilas, sacos, o que for, à vista no carro.

Concentrar no nosso surf

Porque, sinceramente, é o que todos fazem. Ninguém está a avaliar o que fazemos, se caímos ou se temos falta de jeito. O surf é um desporto tão individualista que na verdade só nos faz preocupar com a próxima onda que vamos apanhar, por isso, a nossa figura nada interessa aos restantes surfistas.

Ter bom espírito

Significa ter sentido comunitário, cumprimentar os outros surfistas (aqui há vantagem se fores miúda). Tentar manter o civismo dentro de água, evitar de roubar a onda a alguém e caso aconteça por acidente, pedir desculpa é uma atitude bagus. E faz com que a nossa surfada se torne mais fácil, fluida.

Cair faz parte

Já não me preocupo mais com isso, cair é natural, até o Kelly Slater cai da prancha. Não faz de mim menos capaz, aliás é com as quedas que vamos aprendendo. Nada de sentir vergonha ou desmotivar. A atitude certa é voltar a pegar na prancha e tentar, só mais uma vez. É assim que se constrói a confiança.

Recompensa após o surf

Quando termino a minha surfada solitária, gosto de me presentear. Nada como uma mega taça de açaí na Padaria da Praia, em São João da Caparica para me fazer sentir meritória do meu esforço e dedicação.

Yoga para Surfistas no Mana Yoga & Studio

O Mana Yoga & Studio foi uma experiência inesquecível. Perdido pelas simples ruas de Kuta, Lombok, ali somos envolvidos pela vegetação local, as enormes palmeiras, as plantas exóticas e os incalculáveis animais desde aranhas a geckos (para nós, assemelham-se às osgas), que ecoam pelo pequeno resort fora. Com aulas diárias, decidi experimentar Yoga para Surfistas.

Ali deitados sob um enorme tecto de palha, ventoinhas gigantes e o burburinho da natureza, a aula iniciou-se em silêncio. Donald Hill é um tipo esguio, sereno, juro que não lhe senti os passos (mantive-me de olhos fechados até iniciar a aula), com um timbre forte, mas calmo. A aula foi dada em inglês, valeu-me saber já de antemão os nomes dos asanas. Começamos com o acalmar da mente através do pranayama completo – encher a barriga e fazer o ar ondular pelas costelas e peito, e na inspiração o sentido inverso – para depois dar início à prática de yoga para surfistas. A aula foi pensada numa sequência lógica de quem passa tempo na prancha, a remar no mar, obrigando costas, ombros, pernas a trabalhar mais do que o normal. Retiro da aula as posturas que mais sentido fizeram ao meu corpo cansado do surf.

Matsyásana ou a postura do peixe

Deitados no tapete esta postura exige a elevação do tórax fazendo com que o alto da cabeça fique apoiada no chão. Mantemos a respiração abdominal até sentir os primeiros sinais de desconforto. Esta postura é especialmente benéfica para a tiroide por causar irrigação sanguínea na área, mas o que mais apreciei na postura é o facto de contrair os músculos da nuca e alongar os das costas. De acordo com o professor Hermógenes, este asana desenvolve a musculatura torácica e da coluna.

Uttana Shishosana ou Postura do Cão Estendido

Nesta postura alongamos a espinha bem como os ombros, e consequentemente, faz com que se desenvolva uma coluna mais flexível. Além disso, é um bom reforço muscular para os braços, ancas e parte superior da coluna. Ou seja, aliviamos e trabalhamos nesta postura as costas tão necessárias no surf. Ficar na postura pelo menos três respirações completas para sentir a descompressão e alongamento.

Parsva Balasana ou Postura da Linha na Agulha

É uma postura simples, mas que traz vários benefícios: além de alongar gentilmente a musculatura superior do corpo, descontrai os ombros, desintoxica, sossega a mente e aumenta a circulação sanguínea no tronco e costas, excelente para ajudar a recuperar suavemente os músculos cansados do surf. Como fazemos uma torção na espinha, estamos igualmente a expelir tensões, logo, a sossegar o corpo e mente.

 Salabhasana ou Postura do Gafanhoto

Aqui trabalhamos flexibilidade, mobilidade, respiração e força. O Yoga deve ser sempre praticado dentro do nosso limite, sem nunca exagerar ou sair da zona de conforto. A postura do gafanhoto exige que a nossa parede abdominal se cole ao chão, seja lisa, intensa sendo também o sustento da postura para que quando se elevem as pernas e os braços, o esforço não seja feito na lombar. Fortalece assim as costas, abre o peito, as costas, dando energia ao corpo.

Todas estas posturas foram feitas mediante as indicações de Donald, que apresentava sempre uma contra-postura para ajudar a recuperar algum eventual desconforto. Eu saí da aula mais leve e com mais certezas de que o yoga é o par perfeito do surf. Pura gratidão por ter feito esta aula no Mana. Agora só me falta encontrar aulas de yoga para surfistas perto de casa. #namaste

No meu mar a minha espiritualidade

Lembro-me de ser miúda e questionar incansavelmente os mais velhos sobre o Mundo de Sofia, pela vida em geral. Isto da religião, da fé, da vida depois da morte. Recordo-me com franqueza das respostas sábias de que um dia iria encontrar solução para as minhas dúvidas existenciais. Tudo leva o seu tempo, mas nada fica sem resposta, nem mesmo a própria espiritualidade.

Esta tão boa e feliz sensação de flutuar é o que mais se assemelha, para mim, à fé. Sabe mesmo bem, sem muito bem conseguir explicar por palavras, a verdadeira sensação. O soltar, deixar ir,  é a minha fé. Mas até encontrar o meu lado de poder interior, vaguei pela religião católica, silenciei-me nas mesquitas no Dubai, enveredei por livros de auto ajuda e mestres budistas. Namaste tornou-se na palavra gentil praticada obrigatoriamente no meu dia a dia; Amén o respeito profundo por um Deus omnipresente, mas a minha espiritualidade, essa no seu estado mais puro, advém do mar. Aqui reina a força de Adamastor e a compaixão de Iemanjá. É ali que a minha força ali se sustenta, protegida pelos rochedos e milhões grãos de areia a levar o que não importa e a trazer o que preciso. É no mar que retempero a minha energia, nas ondas descubro a minha felicidade. É na partilha deste maravilhoso mundo que sinto a minha fé.

Com isto quero apenas salientar quão importante é, para cada um de nós, descobrir a sua espiritualidade, força motriz, capacidade de superação. Não precisamos de nos cingir ao que nos ensinaram, somos livres de encontrar em qualquer forma ou sentido, a chama interior que nos sustenta. Ainda que para alguns deus esteja morto, o que vive dentro de nós e se o permitirmos, é mar. Vai e vem, traz e leva, e intenso se mantém.

Um dia pego na mochila e vou conhecer o mundo

Sempre tive esta certeza: as viagens transformam. O facto de nos ausentarmos da nossa zona de conforto, da nossa vida rotineira, dos que nos são próximos, faz com que nos tenhamos de adaptar e descobrir mais sobre nós.

Vou finalmente, depois de um interregno, pegar na mochila e conhecer o mundo. Vou atravessar continentes para na verdade fazer uma viagem de autodescoberta, de perceber até que ponto sou feliz, de por em perspetiva tudo o que tenho e faço, aquilo que quero para o meu futuro, por que esta ausência da minha realidade, vai-me ajudar a redirecionar o meu foco.

Vou conhecer o meu mundo do surf, do yoga, da minha espiritualidade. Quero dizer vezes sem conta namaste; quero rodopiar no mar com sorriso largo na face, permitir-me a lidar com uma nova cultura, e ser redondamente grata por esta oportunidade.

Que venham daí as boas energias. Espero conseguir colocar em palavras a minha experiência, partilhá-la. Prometo deixar-vos com pequenas reportagens no Instagram. From Bali with love  ♥

É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão. O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem saber ver.

 

O que saber antes de começar a surfar…

Ninguém quer ser o inexperiente no mar. Aliás, acarretamos algum peso quando atravessamos o areal de prancha na mão, cabelos loiros torrados pelo sol, pele bronzeada, cheios de estilo, e depois, se alguém nos observar com atenção, estamos nas espumas a dar grande show de quedas. Não é isto que se quer.

No surf, como em qualquer outra coisa na vida, temos de começar por algum lado. Agora que já tive algumas lições partilho dicas que me teriam sido úteis antes de ter começado a surfar (e assim saber, na verdade, no que me estava a meter).

Domina o pop up

Mais do que qualquer outra manobra que possas vir aprender, levantar da prancha é fundamental para o teu surf evoluir, e bem. Treina sempre que possível, fora de água, o movimento do pop up. Faz exercícios de agilidade e força, foco nos braços, abdominais e pernas. Desenha uma cruz na areia, deita-te e pop up. Repete vezes sem conta. Vais ver que se torna mais rápida a tua progressão (não queiras ignorar essa parte na aula).

Rema, rema, rema

Não estamos habituados a usar os braços no movimento da remada. Confesso que ainda hoje me custa a remada, apesar de trabalhar o corpo nesse sentido. A quanto obriga a força do mar. Não quero com isto passar desmotivação, antes pelo contrário. Ter a noção que este movimento custa e que as ondas não esperam, seja para as apanhar seja para as passar, temos de saber remar.

Encontra a tua prancha

Quando começamos a surfar, a estabilidade é mesmo muito importante, daí as escolas usarem pranchas de espuma, estas têm bastante superfície e flutuabilidade. Escolher a prancha certa, de acordo com o nosso peso e altura, é fundamental para garantir que deslizamos na onda com a estabilidade que precisamos. Experimenta diferentes pranchas até perceberes qual o modelo que melhor se adapta ao teu nível de surf e corpo.

Entra no mar com companhia

Só depois de partir a cabeça é que percebi que entrar sozinha no mar não é opção. Sempre que puderes leva companhia. Caso não tenhas ninguém para entrar contigo está onde estão os outros surfistas. Não te deixes ficar sem companhia no mar.

Mantém-te fiel ao surf

Vais querer desistir. Ninguém me avisou da facilidade com que queremos desistir do surf, porque é difícil evoluir, os dias nunca são iguais, o mar muda constantemente e a nossa mente, trai. Por isso, o que devemos fazer para nos manter motivados é celebra sempre o facto de te tentado, de ter entrado no mar e pensar sempre que a próxima surfada vai ser melhor.

Bucketlist de uma Surfista

Fazer uma bucketlist é assumir a vontade de concretizar sonhos. Ser capaz de traçar objetivos e ir atrás deles. Quero que a minha vida seja feita de boas ações, inspiradas no mar, na vida saudável, na vontade imensa de sair da minha zona de conforto, na minha capacidade de superação.

Recordo-me com franca lucidez o sentimento que me persegue cada vez que sonho com uma viagem. Há três anos que decidi fazer uma viagem, para dentro. Aprender a dar ouvidos à minha intuição, aos meus sonhos e vontades subconscientes através do yoga e da meditação. Já voei muito no tapete, sai do meu lugar de conforto, atravessei o desconhecido e conquistei o topo da montanha espiritual. Desafiei-me a centrar-me no terceiro olho, o Ajna Chakra, para despertar uma mente serena.

Esta conquista deveria ter sido, desde sempre, a primeira cláusula da minha lista “coisas que quero fazer antes de morrer”. Nutrir este amor próprio. Sem lhe dar essa devida importância, ou melhor, pensar nisto como um desejo a cumprir, acabou por ser revelar na minha jornada. Hoje estou pronta para pensar noutros desejos vitais no campo físico, mental e espiritual. Quero a simplicidade da vida nas ações. Quero ser guiada por uma vida cheia de boas intenções. Daí, aqui e agora, a minha bucketlist do surf e yoga.

Viver de frente para o mar.

Conhecer Bali.

Fazer uma surftrip num pão de forma clássica.

Conquistar uma manobra de surf em 2017.

Ensinar a minha sobrinha a surfar.

Viajar para um destino de surf nos invernos.

Deixar a praia sempre melhor do que a encontrei.

Fazer um retiro espiritual todos os anos.

Ser professora de yoga.

DawnPatrol: o surf de madrugada

Ainda que as manhãs sejam de preguiça, ver o dia nascer no mar é uma bênção. Quem ainda não tem o surf enraizado na alma, perde o direito a ondas quase exclusivas ao acordar do dia. Descobre as vantagens do surf nas sessões de dawn patrol.

Não é a primeira vez que falo sobre fazer algum tipo de exercício logo pela manhã. No menu, incluo yoga, corrida ou o surf. Acredito que seja particularmente difícil para quem não aprecia sair da cama antes do nascer do sol, mas se pensarmos bem nos positivos desta ação, os resultados são mais felizes do que ficar na ronha.

O down patrol é o surf de manhã cedo, de madrugada. Apesar de a tradução literal ser patrulha da madrugada, aqueles que observam as condições do mar antes de qualquer raio de sol, para os fiéis ao surf significa vestir o fato de neoprene e ter direito a um swell só para si. Mas há mais razões para nos dedicarmos ao surf de manhã cedo:

  1. Menos crowd. Como nem todos são amantes de acordar de madrugada, a possibilidade de ter muitos surfistas na água é bastante reduzida.
  2. A serenidade da manhã. É um privilégio de poder desfrutar dos sonos da natureza enquanto tudo dorme. E apreciar as cores do céu que devagar mudam de cores frias para quentes.
  3. Ter tempo para nós próprios. Que sejamos egoístas antes de nos dedicarmos ao nosso dia. Ter tempo para nos mimar ou dar aquilo que mais apreciamos é essencial para a nossa vida.
  4. Para quem está sempre à espera do fim-de-semana, um surf de manhã cedo, a meio da semana faz toda a diferença. Além de evoluirmos mais facilmente, retiramos pressão às sessões de sábado e domingo (que nem sempre existem).
  5. Ficamos simplesmente mais felizes para o nosso dia. As endorfinas sobem, o sorriso e boa disposição ficam por perto.

Vamos a isso?