Category: take off

Um dia pego na mochila e vou conhecer o mundo

Sempre tive esta certeza: as viagens transformam. O facto de nos ausentarmos da nossa zona de conforto, da nossa vida rotineira, dos que nos são próximos, faz com que nos tenhamos de adaptar e descobrir mais sobre nós.

Vou finalmente, depois de um interregno, pegar na mochila e conhecer o mundo. Vou atravessar continentes para na verdade fazer uma viagem de autodescoberta, de perceber até que ponto sou feliz, de por em perspetiva tudo o que tenho e faço, aquilo que quero para o meu futuro, por que esta ausência da minha realidade, vai-me ajudar a redirecionar o meu foco.

Vou conhecer o meu mundo do surf, do yoga, da minha espiritualidade. Quero dizer vezes sem conta namaste; quero rodopiar no mar com sorriso largo na face, permitir-me a lidar com uma nova cultura, e ser redondamente grata por esta oportunidade.

Que venham daí as boas energias. Espero conseguir colocar em palavras a minha experiência, partilhá-la. Prometo deixar-vos com pequenas reportagens no Instagram. From Bali with love  ♥

É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão. O importante é aproveitar o momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem saber ver.

 

Quando a vida te tira o telemóvel, faz ligações

 

De certa maneira arrependo-me de não ter anotado tudo o que sentia à medida que me ia entregando à experiência de ficar (no) Offline Portugal. Quando vi as notícias sobre a guest house da Bárbara e da Rita, pensei para os meus botões, as minhas férias vão ser ali e por estas razões: o destino é a Arrifana, é a minha primeira surf trip e viagem solo. Depois, e a melhor de todas, preciso de me desligar. Assim foi. Enfiei a prancha no Smart, o kit do surf, a mala com excesso de roupa (tenho de aprender a viver com menos bens) e alguma comida essencial à minha vida saudável. Fui nas calmas pela costa fora sem saber muito bem como me ia portar sem o iPhone por perto. Como é que vou ver as horas? Como é que vou encontrar a minha irmã? E se me perder no caminho para as praias será que sei usar mapa de papel? Ah, e a lanterna…? É que dá mesmo jeito… OMG, no que é que me vou meter?

Assim que cheguei a Bárbara instalou-me, fez-me a tour pela casa e apresentou-me a todos os outros hóspedes e equipa. Depois, a Rita, implacável diz “Susana, ainda não deste o teu telemóvel” (ups, estava a fazer-me de esquecida, mas não lhes escapa nada). Lá entreguei, modo avião porque não sabia o pin do cartão, e pronto ficou fechado a cadeado. E agora? O mundo acabou.

Só que não.

Não ter um iPhone é perfeitamente suportável. Aliás, é libertador. Não saber de ninguém é, e não me considerem egoísta, uma lufada de ar fresco. Trata-se essencialmente de conseguirmos ouvir a nossa voz, a nossa paz interior, darmos tempo a nós próprios. Eu fui sozinha, e para quem quiser vibrar com dias de comunhão consigo próprio, deve fazê-lo sem companhia. Há algo garantido naquele lar: as anfitriãs nunca nos abandonam. Envolvem-nos, fazem-nos sentar à mesa ao pequeno-almoço dizer o bom dia olhos nos olhos, mergulham-nos com elas no mar, nas aulas de yoga, nas fogueiras e sunsets do verão, nos passeios pelas praias na van do Surf. Falamos inglês, falamos francês mesmo que não saibamos, falamos a língua universal da harmonia. Há espaço para exploradores do mundo, jornalistas de Lisboa, consultoras de Braga, marketeers da Hungria, surfistas apaixonadas pela região. Há acima de tudo pessoas disponíveis, sem compromissos, sem horas marcadas, sempre sorridentes e prontas a partilhar dias cheios de ligações.

Estive desligada cinco noites, que passaram a seis, sete… Os que eu quis desligar. Tenho em mim a consequência de querer ficar assim mais offline do telemóvel. É desnecessária esta dependência que a sociedade criou. Foi um regressar ao básico das relações humanas, sem receio dos momentos de silêncio – quantos de nós pegamos no telemóvel nessas alturas a fingir que estamos ocupados – que até se transformam em momentos de ligação com estranhos e em oportunidades de criar novas amizades.

Além disso, estes dias de tranquilidade, ausência de notícias e leituras virtuais fizeram-me ler mais livros, e como Fénix das cinzas renasceu em mim o sonho de escrever um livro. Como sei que coisas boas acontecem quando menos esperamos, sei que tudo o que vida tiver de bom para me dar, dará. Tal como me deu estes dias maravilhosos na casa da Rita e da Bárbara à qual vou voltar e sempre apadrinhar.

Portanto, quando a vida nos tirar o telemóvel, o melhor é ficar Offline Portugal.

Mais ligação que isto, impossível.

PS: a experiência corre tão bem que não tirei uma única fotografia com o telemóvel para publicar neste texto… Direitos de imagem Offline Portugal.

Offline Portugal: desliga-te para te Ligares

Ando à procura de um lugar para ir de férias e não quero um sítio qualquer. Tem de envolver certas características como praia, surf, yoga e pessoas. E nisto descubro a Offline Portugal.

Aqui incentivam-te a desligares do mundo; fecham-te o telemóvel num cacifo e não têm internet, com um único objetivo, ligares-te às pessoas. Radical demais? Talvez seja para algumas pessoas, mas é uma questão de aprendermos a conviver.

Nesta casa de amigos sem internet, em Vale da Telha, Aljezur, há espaço para 15 pessoas desligadas (tem quartos duplos e dormitórios com beliches) com a possibilidade de se ligarem nas mini sunset parties e churrascadas à volta da piscina. Soa-me tão a verão… Chega depressa junho!

Para os que sofrem muito com a ausência do telemóvel, organizam por lá aulas de surf e yoga para compensar. Tudo isto, perto do paraíso da Arrifana.

Precisamos de mais argumentos? Estou mais do que pronta a desligar na Offline Portugal. Quem alinha?