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Treinar com a Sally Fitzgibbons

Aos poucos a vida por Basileia vai-se encaixando, ainda que continue a repetir na alma a falta do mar. O lado bom é que aprendemos a viver com o que temos e, com força de vontade e foco no melhor lado da vida, tudo volta a fluir.

Quando aqui cheguei, uma das minhas preocupações foi a manutenção física. Como vou fazer para manter a agilidade e a energia certa para voltar sempre a surfar sem dificuldade? Eu sabia que treinos como do SurfBuilder iam ser impossíveis de conseguir. Por isso, o primeiro passo era encontrar um ginásio e criar uma rotina de presenças. Vou sempre que posso ao final do dia, depois do trabalho, e já que o tempo chega para tudo, nada melhor do que descomprimir com treinos recorrentes. Sentia, no entanto, pouco efeito. Eu tentei reproduzir vários exercícios que fazia no SurfBuilder mas confesso que não me recordo de tudo.

Num desses scrolls infinitos no Instagram vi que a Sally Fitzgibbons, a surfista pro do circuitos internacionais, tinha uma app dedicada ao fitness. E não é um fitness qualquer; é inspirado nos treinos que a Sally faz para se preparar para as competições de surf. Mesmo o que precisava!

Não fui a modos. Instalei a @All Australian Beach Body (AABB) e descobri a minha nova PT de surf. Estou a adorar cada gota de suor que deixo no tapete. São cerca de 35m de treinos intensivos, para se fazer duas a três vezes por semana pelo menos desenhados para quem quer sentir-se com vigor. Sempre disse que não sou de dietas loucas ou de ir ao ginásio à procura de um corpo perfeito. Quero continuar a construir a minha melhor versão, e ser saudável significa ter espirito de atleta. Saltar à corda, trabalhar bem as costas e o core são algumas das maravilhas que a app nos guia, aliás, que a Sally nos guia. E que mais diz a surfista sobre a AABB?

Encontra um estilo de treino que gostes

Já percebi que sou fã de treinos intensivos mas curtos. Por isso, mais do que encontrar tempo, precisamos de encontrar algo que nos motive e faça voltar. Treinar deve ser divertido, não um sacrifício. Palavra de Sally.

Treina consistentemente

Para resultados excelentes, não há grande segredo há que treinar com consistência. Tentar treinar pelo menos 3 vezes por semana para garantir o aumento da nossa energia e força física. Sally aconselha definir um objectivo e tê-lo em mente nas sessões de treinos. A determinação é um excelente motivador para combater dias de desânimo.

Mantém contacto com a natureza

A natureza é muito importante para a Sally, é o que a mantém com os pés no chão. Sempre que pode, treina na rua, faz circuito no parque ou praia. E nem sempre precisa de ser de alta intensidade, caminhadas na praia para ajudar a relaxar.

Arco-íris no prato

Sally confessa que gosta de manter a alimentação simples, com foco nas frutas, vegetais e proteínas de qualidade. Devemos questionar-nos sobre aquilo que ingerimos para garantir que o nosso corpo funcione na sua melhor capacidade.

Ler os rótulos

Sempre que possível lê os rótulos e evita consumir alimentos cujos ingredientes não sejam pronunciáveis. Uma alimentação à base de alimentos naturais é essencial para ajudar a manter vitalidade et voilá, corpo de atleta.

 

O surf é compromisso para o resto da vida

Sinceramente não sei como vou voltar ao surf depois destes meses sem entrar no mar. Alguma dica? Lembro-me de um amigo dizer, num tom frustrado, que voltava sempre à estaca zero depois de estar uma temporada sem salgar o corpo.

Eu comprometi-me com o surf como uma relação para a vida, com marés altas, marés baixas, meia goofy ou regular. O que interessa é que hei-de sempre, nalgum momento, entrar por mar adentro com a minha prancha e aproveitar a harmonia que a mãe natureza me dá.

Só que não sei como me vou sentir quando me deparar com o swell… como vai ser este reencontro. Conhecendo-me como me conheço, o mais provável é petrificar uns instantes. Já sei, é não pensar tanto no assunto e deixar-me ir na altura, de sorriso na alma, e entregar-me com toda a paixão e motivação que possa ter. Será o melhor cenário, e o meu foco também para os longos meses de inverno que se avizinham.

Dylan Graves disse um dia que as melhores ondas coincidem sempre com algo importante na nossa vida. É isso que sinto agora à distância quando tenho o telemóvel aos apitos na partilha das ondas do dia. É isso que sinto cada vez que não posso pegar no carro e seguir estrada fora até uma praia qualquer à volta de Lisboa para descobrir aquela onda sorridente na minha direção. Há sempre algo mais importante que me me impede de ter esse momento. Estranha vida a minha. Quando assumi este compromisso com o surf, nunca pensei que ficar longe do mar fosse opção… Vi-me unida ao surf, e com ele, para sempre, por perto. Só que não. Aqui estou. Longe quando o mais importante era estar presente. Porque estava a evoluir, a querer mais, a vencer o medo, a ganhar resistência. Apanhada neste agueiro só me resta remar paralelamente até conseguir sair, nas calmas. Porque como disse, estou de caso sério com o surf. E será para o resto da minha vida.

Surf antes do trabalho é possível

Quem disse que não se pode ir surfar antes do trabalho? Dicas práticas para quem quer agendar o surf nas manhãs madrugadoras.

Poder surfar durante o dia para quem trabalha a tempo inteiro, tem filhos e outras responsabilidades, é tarefa complicada. Por isso, o melhor é antecipar o despertador e levar a prancha até ao mar antes de mergulhar no dia. E como fazer isto?

Para quem mora perto da praia, é mais fácil. Ainda assim, que a distância não seja fator de desistência. É uma questão de organizar a manhã com mais eficácia do que o costume. Aqui deixo dicas práticas que podem facilitar uma ida à praia antes de começar o dia.

#1. Não esquecer do relógio. Seja no pulso ou para marcar as horas de saída de casa, previsão de chegada à praia e ao trabalho, o objetivo é gerir o tempo de forma tranquila. Evitar ataques de pânico e stress por estar já fora de horas. Além disso, é um bom mote de conversa dentro de água. Quantas vezes já perguntaram a alguém pelas horas no mar?

#2. Levar água para beber e não só. Há praias, como a de Carcavelos, que nos dão acessos a chuveiros para tirar o sal do corpo. Quando não há, um garrafão de água a escorrer pela cabeça também ajuda a ter um ar menos salgado e estar pronto para o resto do dia.

#3. Ter um nécessaire no carro. Desodorizante, creme para a cara, cabelo, escova. Seja o que for necessário para nos ajudar a dar um ar mais profissional antes de seguir para o escritório.

#4. Pôr protetor solar. Ainda que seja inverno agora, o sol e o respetivo reflexo no mar bronzeiam. Importa proteger sempre a pele, por motivos de saúde, além de evitar as marcas à surfista. Não esquecer do pescoço e das mãos.

#5. Alimentos para depois da surfada. Para quem não tem muito tempo de manhã facilita levar fruta, barras energéticas (de preferência caseiras), ovo cozido, para comer depois. O surf abre o apetite, que as escolhas sejam então saudáveis para retribuir ao nosso corpo a boa energia gasta.

Como tornar o surf mais apetecível no inverno

O sol está cada vez mais tímido, os dias de chuva e de frio estão-se a intensificar. E agora, coragem para o surf, quem tem? Dicas simples para manter o corpo e alma quente enquanto se desfruta do mar.

Nasci entre a neve dos Alpes; o frio corre-me nas veias desde a infância, mas isso não significa que gosto de ir para o mar com temperaturas baixas. Apenas me tornou mais tolerante em relação ao frio. E para aqueles que me perguntam sempre “mas vais para o surf neste frio?”, eu respondo com muita assertividade, “vou”. Acontece que já não é o primeiro outono/inverno que passo no mar, o que me tem deixado mais preparada em cada temporada. Aqui ficam os meus truques para tornar o surf mais suportável nos meses cinzentos tanto dentro como fora de água.

Chá quente

O chá é um dos maiores aliados do frio. Levar um termo que mantenha a temperatura do chá quente, durante duas horas pelo menos, é meio caminho andado para aquecer o corpo. Por regra, escolho chás com gengibre, cardomomo ou pimenta preta para provocar uma onda de calor de dentro para fora

Vestir como um viking

Imprescindível levar gorro, cachecol e luvas até em certos. O corpo deve ser rapidamente aquecido e estes detalhes fazem a diferença. Uma boa forma de saber como agasalhar após o surf é pensar como se vestia um viking: coberto de pelo de animal nos ombros e pescoço, uma faixa de pele a envolver a zona lombar (os rins regulam a temperatura no corpo), e botas bem quentes. Tapar as extremidades do corpo e as partes mais vulneráveis ao frio.

Saltar à corda

Para quem faz surf no inverno é primordial aquecer o corpo e rapidamente. Nada melhor do que um exercício físico intenso como o salto à corda. Durante dois minutos, salta. Aumenta a circulação, o ritmo cardíaco e o corpo aquece, tornando até menos doloroso despir para vestir o fato de surf.

Sempre em movimento

Dentro de água, quando o swell é menos intenso, mantém-te à mesma em movimento. Treina a remada, procura o pico das ondas. Não te deixes ficar na prancha à espera que a onda vá ao teu encontro. Precisamos de manter o corpo quente, e para isso, há que ter o coração em bom ritmo, sempre a pulsar com alguma intensidade.

Neoprene de qualidade

Por mais óbvio que possa parecer, de facto, devemos apostar num bom fato, selado e bem temperado (ou seja, pelo menos com uma espessura 4/3). Além disso, acrescenta as botas de neoprene. O ideal é aproveitar coleções anteriores e a época de saldos para comprar um fato de qualidade com preços mais simpáticos. Garantes assim uma boa temperatura no corpo enquanto estás no mar gelado, vale a pena o investimento.

Let it go: o som de outono para ouvir no Spotify

Há uma certa melancolia no ar. Vejo da janela as folhas que caem lentamente dos seus ramos, pintando o chão em tons de laranja. Gosto deste cenário. E como todo bom filme, também isto pede banda sonora. Das horas que passo ligada ao Spotify, não faz sentido ouvir tanta música sem partilhar. Por isso, e em jeito de homenagem a esta estação, aqui deixo o som de outono para vos inspirar.

  1. Bones – Dustin Tebbutt
  2. Berlin – RY X
  3. Nightcall – London Grammar
  4. Cold – Novo Amor
  5. All I want – Codaline
  6. Fever To The Form – Nick Mulvey
  7. Skinny Love – Bon Iver
  8. To Me – Chet Faker
  9. Higher Love – James Vincent McMorrow
  10. Wait – M83
  11. Elation – Isbells
Para ouvir e seguir aqui.

SAL: o festival de cinema para os amantes do mar

Confesso que no ano passado fui a correr ao são jorge para comprar bilhetes para o View From a Blue Moon com John john florence. Este ano vou de novo a correr para outras sessões de cinema cheias de mar. SAL | SURF at lisbon film fest, no cinema São Jorge, Lisboa, de 17 a 20 de novembro.

Quem não gosta de uma boa sessão de cinema? E se for à volta do tema do surf? Eu ponho vários “likes” a isto. O SAL é o primeiro Festival de Cinema de Surf por terras lusas e acontece este ano pela quinta vez, de 17 a 20 de novembro. O objetivo é promover o potencial da costa portuguesa e criar laços duradouros entre a cultura, o turismo e o desporto numa perspetiva internacional.

Além das sessões de filmes de surf no SAL temos também música, exposições de pintura, fotografia e debates sobre assuntos sobre o mar, sustentabilidade e ambiente. É um fim de semana em cheio para nos preencher a agenda. Relativamente aos filmes, tenho uns quantos na calha, estou certa que quero ver quase tudo. Deixo aqui três escolhas.

Red Charges. O SAL passa em primeira mão e em pareceria com a Mercedes-AMG, as ondas gigantes da Nazaré. Deve ser tão magnético ver a coragem dos surfistas de ondas gigantes. Estou ansiosa para ver!

We Rise Together. Uma curta-metragem com Eveline Van Brande, Taylor Nelson e Anna Ehrgott durante uma aventura à vela pelo sul da Califórnia, que foge ao sex-appeal comercial do surf feminino para mostrar uma versão genuína disto que é uma vida de paixão e de surf.

Deep Islands. Outra curta-metragem que não quero perder. Celebra a simbiose entre o microcosmos e a beleza do surf num cenário paradisíaco nas ilhas do Oceano Índico, onde a fragilidade do fundo de coral é enaltecido e chama a atenção para a necessidade da sua preservação.

Deixo apenas estes exemplos para não ficarem perdidos como eu na escolha. Para mim está a ser tão difícil quanto saber que onda surfar… Vejam o cartaz e deixem-se levar. Encontram mais informações no facebook do SAL. Temos encontro marcado?

programa-sal

Fonte: SAL | Surf At Lisbon Surf Film Fest

 

 

 

 

Leah Dawson

I love surfing with other women because there is an extraordinary energy a woman exudes when she is in the ocean. Women, historically, are elegant. When we see a woman embody this elegance in the sea, it is breathtaking. She makes it a dance. She moves with the waves, not always looking just for the maneuver, but enjoying each moment of the ride.

Mazari Zoio: graciosidade sobre o mar

 Mazari Zoio é modelo, artista, surfista. Metade alemã, metade portuguesa é no blogue by mazari que expressa livremente um estilo de vida ligado ao mar, à moda e à vida saudável. Percorre as ondas algarvias na sua longboard Retro Movement, registadas pelo veterano olhar de João Brek

É de mulheres assim que o nosso mar precisa, sem grandes pretensões. Mulheres simples, graciosas, apaixonadas pelo que fazem. Uma fonte de inspiração, tenho-vos a dizer.
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