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O surf é compromisso para o resto da vida

Sinceramente não sei como vou voltar ao surf depois destes meses sem entrar no mar. Alguma dica? Lembro-me de um amigo dizer, num tom frustrado, que voltava sempre à estaca zero depois de estar uma temporada sem salgar o corpo.

Eu comprometi-me com o surf como uma relação para a vida, com marés altas, marés baixas, meia goofy ou regular. O que interessa é que hei-de sempre, nalgum momento, entrar por mar adentro com a minha prancha e aproveitar a harmonia que a mãe natureza me dá.

Só que não sei como me vou sentir quando me deparar com o swell… como vai ser este reencontro. Conhecendo-me como me conheço, o mais provável é petrificar uns instantes. Já sei, é não pensar tanto no assunto e deixar-me ir na altura, de sorriso na alma, e entregar-me com toda a paixão e motivação que possa ter. Será o melhor cenário, e o meu foco também para os longos meses de inverno que se avizinham.

Dylan Graves disse um dia que as melhores ondas coincidem sempre com algo importante na nossa vida. É isso que sinto agora à distância quando tenho o telemóvel aos apitos na partilha das ondas do dia. É isso que sinto cada vez que não posso pegar no carro e seguir estrada fora até uma praia qualquer à volta de Lisboa para descobrir aquela onda sorridente na minha direção. Há sempre algo mais importante que me me impede de ter esse momento. Estranha vida a minha. Quando assumi este compromisso com o surf, nunca pensei que ficar longe do mar fosse opção… Vi-me unida ao surf, e com ele, para sempre, por perto. Só que não. Aqui estou. Longe quando o mais importante era estar presente. Porque estava a evoluir, a querer mais, a vencer o medo, a ganhar resistência. Apanhada neste agueiro só me resta remar paralelamente até conseguir sair, nas calmas. Porque como disse, estou de caso sério com o surf. E será para o resto da minha vida.

Surf antes do trabalho é possível

Quem disse que não se pode ir surfar antes do trabalho? Dicas práticas para quem quer agendar o surf nas manhãs madrugadoras.

Poder surfar durante o dia para quem trabalha a tempo inteiro, tem filhos e outras responsabilidades, é tarefa complicada. Por isso, o melhor é antecipar o despertador e levar a prancha até ao mar antes de mergulhar no dia. E como fazer isto?

Para quem mora perto da praia, é mais fácil. Ainda assim, que a distância não seja fator de desistência. É uma questão de organizar a manhã com mais eficácia do que o costume. Aqui deixo dicas práticas que podem facilitar uma ida à praia antes de começar o dia.

#1. Não esquecer do relógio. Seja no pulso ou para marcar as horas de saída de casa, previsão de chegada à praia e ao trabalho, o objetivo é gerir o tempo de forma tranquila. Evitar ataques de pânico e stress por estar já fora de horas. Além disso, é um bom mote de conversa dentro de água. Quantas vezes já perguntaram a alguém pelas horas no mar?

#2. Levar água para beber e não só. Há praias, como a de Carcavelos, que nos dão acessos a chuveiros para tirar o sal do corpo. Quando não há, um garrafão de água a escorrer pela cabeça também ajuda a ter um ar menos salgado e estar pronto para o resto do dia.

#3. Ter um nécessaire no carro. Desodorizante, creme para a cara, cabelo, escova. Seja o que for necessário para nos ajudar a dar um ar mais profissional antes de seguir para o escritório.

#4. Pôr protetor solar. Ainda que seja inverno agora, o sol e o respetivo reflexo no mar bronzeiam. Importa proteger sempre a pele, por motivos de saúde, além de evitar as marcas à surfista. Não esquecer do pescoço e das mãos.

#5. Alimentos para depois da surfada. Para quem não tem muito tempo de manhã facilita levar fruta, barras energéticas (de preferência caseiras), ovo cozido, para comer depois. O surf abre o apetite, que as escolhas sejam então saudáveis para retribuir ao nosso corpo a boa energia gasta.

Como tornar o surf mais apetecível no inverno

O sol está cada vez mais tímido, os dias de chuva e de frio estão-se a intensificar. E agora, coragem para o surf, quem tem? Dicas simples para manter o corpo e alma quente enquanto se desfruta do mar.

Nasci entre a neve dos Alpes; o frio corre-me nas veias desde a infância, mas isso não significa que gosto de ir para o mar com temperaturas baixas. Apenas me tornou mais tolerante em relação ao frio. E para aqueles que me perguntam sempre “mas vais para o surf neste frio?”, eu respondo com muita assertividade, “vou”. Acontece que já não é o primeiro outono/inverno que passo no mar, o que me tem deixado mais preparada em cada temporada. Aqui ficam os meus truques para tornar o surf mais suportável nos meses cinzentos tanto dentro como fora de água.

Chá quente

O chá é um dos maiores aliados do frio. Levar um termo que mantenha a temperatura do chá quente, durante duas horas pelo menos, é meio caminho andado para aquecer o corpo. Por regra, escolho chás com gengibre, cardomomo ou pimenta preta para provocar uma onda de calor de dentro para fora

Vestir como um viking

Imprescindível levar gorro, cachecol e luvas até em certos. O corpo deve ser rapidamente aquecido e estes detalhes fazem a diferença. Uma boa forma de saber como agasalhar após o surf é pensar como se vestia um viking: coberto de pelo de animal nos ombros e pescoço, uma faixa de pele a envolver a zona lombar (os rins regulam a temperatura no corpo), e botas bem quentes. Tapar as extremidades do corpo e as partes mais vulneráveis ao frio.

Saltar à corda

Para quem faz surf no inverno é primordial aquecer o corpo e rapidamente. Nada melhor do que um exercício físico intenso como o salto à corda. Durante dois minutos, salta. Aumenta a circulação, o ritmo cardíaco e o corpo aquece, tornando até menos doloroso despir para vestir o fato de surf.

Sempre em movimento

Dentro de água, quando o swell é menos intenso, mantém-te à mesma em movimento. Treina a remada, procura o pico das ondas. Não te deixes ficar na prancha à espera que a onda vá ao teu encontro. Precisamos de manter o corpo quente, e para isso, há que ter o coração em bom ritmo, sempre a pulsar com alguma intensidade.

Neoprene de qualidade

Por mais óbvio que possa parecer, de facto, devemos apostar num bom fato, selado e bem temperado (ou seja, pelo menos com uma espessura 4/3). Além disso, acrescenta as botas de neoprene. O ideal é aproveitar coleções anteriores e a época de saldos para comprar um fato de qualidade com preços mais simpáticos. Garantes assim uma boa temperatura no corpo enquanto estás no mar gelado, vale a pena o investimento.

Let it go: o som de outono para ouvir no Spotify

Há uma certa melancolia no ar. Vejo da janela as folhas que caem lentamente dos seus ramos, pintando o chão em tons de laranja. Gosto deste cenário. E como todo bom filme, também isto pede banda sonora. Das horas que passo ligada ao Spotify, não faz sentido ouvir tanta música sem partilhar. Por isso, e em jeito de homenagem a esta estação, aqui deixo o som de outono para vos inspirar.

  1. Bones – Dustin Tebbutt
  2. Berlin – RY X
  3. Nightcall – London Grammar
  4. Cold – Novo Amor
  5. All I want – Codaline
  6. Fever To The Form – Nick Mulvey
  7. Skinny Love – Bon Iver
  8. To Me – Chet Faker
  9. Higher Love – James Vincent McMorrow
  10. Wait – M83
  11. Elation – Isbells
Para ouvir e seguir aqui.

SAL: o festival de cinema para os amantes do mar

Confesso que no ano passado fui a correr ao são jorge para comprar bilhetes para o View From a Blue Moon com John john florence. Este ano vou de novo a correr para outras sessões de cinema cheias de mar. SAL | SURF at lisbon film fest, no cinema São Jorge, Lisboa, de 17 a 20 de novembro.

Quem não gosta de uma boa sessão de cinema? E se for à volta do tema do surf? Eu ponho vários “likes” a isto. O SAL é o primeiro Festival de Cinema de Surf por terras lusas e acontece este ano pela quinta vez, de 17 a 20 de novembro. O objetivo é promover o potencial da costa portuguesa e criar laços duradouros entre a cultura, o turismo e o desporto numa perspetiva internacional.

Além das sessões de filmes de surf no SAL temos também música, exposições de pintura, fotografia e debates sobre assuntos sobre o mar, sustentabilidade e ambiente. É um fim de semana em cheio para nos preencher a agenda. Relativamente aos filmes, tenho uns quantos na calha, estou certa que quero ver quase tudo. Deixo aqui três escolhas.

Red Charges. O SAL passa em primeira mão e em pareceria com a Mercedes-AMG, as ondas gigantes da Nazaré. Deve ser tão magnético ver a coragem dos surfistas de ondas gigantes. Estou ansiosa para ver!

We Rise Together. Uma curta-metragem com Eveline Van Brande, Taylor Nelson e Anna Ehrgott durante uma aventura à vela pelo sul da Califórnia, que foge ao sex-appeal comercial do surf feminino para mostrar uma versão genuína disto que é uma vida de paixão e de surf.

Deep Islands. Outra curta-metragem que não quero perder. Celebra a simbiose entre o microcosmos e a beleza do surf num cenário paradisíaco nas ilhas do Oceano Índico, onde a fragilidade do fundo de coral é enaltecido e chama a atenção para a necessidade da sua preservação.

Deixo apenas estes exemplos para não ficarem perdidos como eu na escolha. Para mim está a ser tão difícil quanto saber que onda surfar… Vejam o cartaz e deixem-se levar. Encontram mais informações no facebook do SAL. Temos encontro marcado?

programa-sal

Fonte: SAL | Surf At Lisbon Surf Film Fest

 

 

 

 

Mazari Zoio: graciosidade sobre o mar

 Mazari Zoio é modelo, artista, surfista. Metade alemã, metade portuguesa é no blogue by mazari que expressa livremente um estilo de vida ligado ao mar, à moda e à vida saudável. Percorre as ondas algarvias na sua longboard Retro Movement, registadas pelo veterano olhar de João Brek

É de mulheres assim que o nosso mar precisa, sem grandes pretensões. Mulheres simples, graciosas, apaixonadas pelo que fazem. Uma fonte de inspiração, tenho-vos a dizer.
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