Categoria: bem-estar

As minhas rotinas de bem-estar

Na vida tudo é uma questão de pensamento

Como mudar de pensamento

Fala-se que o nosso cérebro produz cerca de 70 mil pensamentos por dia. Claro que não damos por isso, mas há uns quantos que nos são mais presentes e constantes, que acabam por ditar a nossa realidade. Isto quer dizer que podemos escolher o pensamento que queremos que molde a nossa vida. Para isso basta chegar ao subconsciente.

Mas, porque custa tanto mudar de pensamento?

Porque a vida é uma montanha-russa de situações internas, e consequentemente, externas. Há dias em que a vida custa muito. Temos de tomar decisões difíceis, como as ondas grandes ou as correntes submersas, inesperadas. Há dias em que a nossa motivação desvanece no nevoeiro matinal, dilui-se sem nenhuma força de vontade. Tudo isto por culpa do nosso pensamento. A maneira com decidimos encarar o que nos acontece. E estamos tão habituados a acreditar no não, que raramente damos crédito a um pensamento mais positivo (eu consigo tudo o que quero, eu sou capaz, eu acredito em mim). As crenças que crescem connosco, aquilo que nos ensinam na infância, tiveste boa nota mas podes fazer melhor, não faças isso ou aquilo, ou seja, nunca se é bom o suficiente. Sendo esta a nossa verdade uma vida inteira, como mudar o que pensamos?

As nossas crenças limitam a nossa capacidade de mudar o pensamento.

Temos de desconstruir essas crenças e dar a conhecer novas, mesmo que não acreditemos nelas. É uma espécie de contar tantas vezes uma história que se torna realidade. Mas vamos lá fazer isto de uma forma fácil.

 

Como mudar de pensamento

  1. Ter consciência de que somos os criadores dos nossos pensamentos. Desde crianças que estamos programados a pensar e a reagir de certa forma. Mas podemos alterar isso ao mergulhar no subconsciente. Alterando estas crenças que temos desde sempre através de afirmações subliminais, conseguimos mudar a nossa atitude perante a vida.
  2. Rodeia-te de pessoas positivas, que acreditam em ti, que têm sempre boas palavras para te dizer. No domingo, sentada na prancha, resmunguei: “estou desmotivada, não faço nada de jeito.” Lá do outside oiço, “vai Susana, tu consegues, a onda é tua!”, e foi mesmo.
  3. Pratica a visualização. Dou por mim, a sonhar acordada, no lugar onde quero estar. E com esta vibração, sei que vou chegar. Ver o objetivo que queres alcançar, deixa-te com uma força de vontade tão mais leve e feliz.
  4. Aprende a meditar. Fecha os olhos no caos e mergulha em ti. Aprende a limpar os pensamentos, a tirar de dentro de ti o que não interessa. Treina a tua mente através da meditação.
  5. Vive a tua vida com gratidão. Planeia o teu dia, investe tempo para fazeres o que gostas, mantém foco nisso, e sente-te bem pelas coisas que tanto aprecias. Se te sentires grato ou grata pelas coisas mais pequenas na tua vida, vais sentir-te nas nuvens e acumular uma crença em ti que tens tudo o que mereces porque assim escolhes.

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Os segredos para uma pele de surfista

No verão queremos pele salgada e bronzeada, reluzente e hidratada também. Para que a vida de sal se mantenha por perto tenho certos rituais de beleza para me darem o ar de praia ano inteiro. Os meus segredos para uma pele de surfista.

Óleo de coco

Podes usar na cozinha, mas confesso eu gosto de usar o óleo de coco no cabelo e como hidratante para o corpo. Tento comprar a versão orgânica, mais sustentável para o ambiente e saudável para a pele. Depois do banho, aplico com massagem nas pernas, barriga e braços deixando a pele super macia e brilhante. O toque de praia sobressai com o cheirinho maravilhoso do coco.

Água com pepino

Não me deixa salgada, mas extremamente hidratada. O clima aqui na Suíça é muito seco, faz com que a minha pele fique meio deserto do Saara. Acrescento umas rodelas de pepino à minha água e vou bebendo ao longo do dia. Ter cuidado com a pele é essencial para quem faz surf porque a exposição ao sol é sempre muita. Portanto, há que focar nos bons hábitos ano inteiro.

Esfoliante de café e coco

Volto ao óleo de coco, mas desta vez com o café que resta nas cápsulas da Nespresso. Pelo menos três vezes por semana passo este esfoliante no banho. Ajuda com a circulação sanguínea, a remover a tal pele desidratada e a manter um bronzeado duradouro, sem manchas. Experimenta para ver.

Banhos de sal

Encontrei num supermercado na Alemanha sal para banhos, do mar Morto. Uma forma de fazer detox às energias pesadas da semana e de repor o sal na pele de surfista, que tanto pede pela distância que tenho hoje ao mar. Deito duas a três mãos de sal na banheira, umas gotas de óleo essencial de alfazema e alecrim e deixo-me de molho. No entanto, e sendo consciente, banheira cheia de água não é uma forma de vida sustentável. Troca-se fácil colocando apenas os pés de molho.

No surf sossegado de Basileia

Há uma certa inquietação ainda latente em mim… um acordar madrugador para espreitar a primeira maresia para o surf. Aos poucos, no entanto, tenho vindo a sossegar a mente e a aceitar que a minha realidade é e será esta, durante os próximos tempos, longe do mar. Não deixo o Carver de parte, sempre que posso finjo estar na água a deslizar pela parede da onda. É uma questão de imaginação fértil e sentir o sopro na pele que a velocidade do skate provoca para me fazer reviver um pouco a boa energia de seduzir uma onda (de alcatrão, eu sei). Mas é assim que tenho passado o tempo, nas calmas, a aprender a gostar deste sossego por Basileia.

O que ajuda também é a descoberta da cidade de bicicleta, as idas ao ginásio onde a consistência dos treinos se focam nos movimentos do surf, na agilidade, na resistência cardio. Fica apenas em falta o regresso a um estúdio de yoga para me ajudar encaixar mais um pouco a minha vida nesta vida dos Alpes… e libertar-me do irresistível vício do chocolate (eterna luta, confesso). Dez meses volvidos e só agora é que sinto que posso conquistar certas glórias por aqui – as saudades de casa fazem-me nos comer desmedidamente, coisas boas, coisas não tão boas em especial a quem se dedicou nos últimos 4 anos a comer de forma mais consciente e saudável. Mas como disse, aos poucos, este surf sossegado de Basileia está-me a levar a bom porto.

Por algum motivo, um bom motivo, a vida lá me mandou para estas bandas. Hoje não sei a resposta mas não tarda terei sentido para esta experiência. Dela, só levarei de volta coisas positivas. Com toda a certeza.

 

 

5 pilares de Dorian Paskowitz para uma vida cheia de saúde e surf

Quando ganhamos admiração por alguém e ficamos com o vazio de nunca poder conhecer, conviver com essa mesma pessoa, é o que sinto, depois de aprender um pouco sobre a vida de Dorian ‘Doc Paskowitz no documentário Surfwise. Um surfista, médico judeu, que abandonou as convicções de uma vida estandardizada para criar uma família de 9 filhos numa velha carinha e muito surf. O meu objetivo não é convencer ninguém a fazer o mesmo, quero antes passar as mensagens vitais de Dorian, o homem que levou o surf até Israel e colocou a saúde em sintonia com o mar.

Para Doc, o surf estava intimamente ligado à saúde, ao viver bem, com longevidade. No livro “Surfing and Health” fala sobre cinco pilares que fazem isso acontecer: dieta, exercício, descanso, lazer, e atitudes da mente. Admirei-o pela franqueza com a qual interpretou a vida, a humildade de não querer ser uma ovelha no rebanho, e destreza de perceber que numa vida ligada ao mar facilmente se atingem os cinco pilares, logo a longevidade. Doc faleceu a 14 de novembro de 2014 com 93 anos, apesar de todas as mazelas que o envelhecimento traz, acreditava que a “saúde é a presença de um estado de bem-estar superior, um vigor, uma vitalidade, uma energia (garra) para a qual tens de trabalhar todos os dias da tua vida,” (tens trabalhado para isso?).

#Dieta

A alimentação importa a todos, não apenas a atletas de alta competição. Esta palavra significa que sabemos fazer escolhas conscientes para o nosso corpo e sentir a plena energia proveniente dos ingredientes naturais. Neste sentido, um pouco extremista talvez, Doc dizia que não queria fazer nada que fosse diferente do comportamento dos nossos primatas. Se comem maçã sem casca, nós também vamos tirar a casca.

#Exercício

Nunca na vida seremos completamente saudáveis se mantivermos o exercício físico longe da vista, longe dos músculos. Doc levava os filhos a surfar todos os dias. Caminhar igualmente todos os dias 10km, correr, praticar alguma atividade que nos dê prazer faz com tenhamos força de vontade, coragem, audácia e consequentemente, mais saúde. Para Doc, o surf é o desporto que devolve a vida ao corpo. Eu, subscrevo, atentamente.

#Descanso

Dormir é tão importante quanto beber água. Desligar o motor e entrar em descanso profundo para recuperar as células do nosso dia desgastante (isto porque quase ninguém larga a vida que tem para andar de caravana à procura da melhor onda, se sim, dá-me coragem para o fazer). Dormir 8 horas por dia. Dormir bem. Todos os dias.

#Lazer

O que é a vida sem prazer, sem nunca fazermos aquilo de que gostamos? Ler, escrever, praticar yoga, jantar com amigos, passar bons momentos seja no que for. Vivenciar uma experiência que nos dê prazer deixa-nos mais felizes, relaxados, menos propensos a pensamentos negativos e isso traz saúde, vitalidade. E cereja no topo do bolo, incluir gargalhadas vindas da alma.

#Atitudes da mente

A sabedoria vem da intenção, da experiência e de encontrar coragem. E tudo isto permite uma vida mais positiva, resiliente. Doc viveu até aos 93 anos com problemas de saúde crónicos – asma e artrite – ainda assim, o surf susteve-o durante todos os seus dias. Ali encontrou no pensamento positivo e forte, a forma de contornar os problemas, chutando para canto o que não interessava.

Quem me acompanha desde o início do Mar de Sal, sabe que tenho vindo a trabalhar esta transformação em mim – a de me tornar mais saudável. Procuro continuamente inspirar-me em indivíduos únicos como Dorian Paskowitz; procuro acordar todos os dias grata pela oportunidade do dia, de enxotar os pensamentos negativos, de recusar açúcar e outros alimentos não naturais, de encontrar um desporto (na ausência do meu surf) que me deixe feliz, cheia de vitalidade, de descobrir sempre a melhor forma de viver eternamente aqui e agora.

E tu alinhas a fazer o mesmo?

Health is a presence of a superior state of wellbeing, a vigor, a vitality, a pizzazz you have to work for every single day of your life.

Resoluções simples para o resto da vida

Uma lista de resoluções para sempre, mas que podemos começar a praticar em 2017.

Todos pensamos em resoluções para o ano novo, está mais do que enraizado na nossa sociedade mas, quem cumpre até ao fim? Eu não, assumo a minha responsabilidade. Ao longo do ano há resoluções que caem no meu esquecimento, por isso, ainda antes deste ano novo começar, decidi criar uma lista de resoluções conscientes para o resto da minha vida. Aqui partilho.

Aprender o poder do agora. Tanto falo nisto… e escrevo também. Viver o momento presente é para sempre. Quando aprendemos a desligar do passado, que vinga constantemente na nossa memória, nas nossas decisões; quando aprendemos a relativizar as questões da vida, e sentir apenas o que importa, estamos simplesmente presentes. Aqui e agora. Isto implica meditar, respirar fundo, apreciar o que temos à nossa volta. Não ansiar o futuro ou chorar o passado. Esta coisa do hygge que nos ensina a viver as boas experiências do dia-a-dia em casa, na melhor companhia, como beber um chá em frente à lareira, sem sentimento de culpa ou pressão. Saborear simplesmente vida. Uma resolução para adoptar sempre, o estar e o viver o presente.

Menos vida virtual. Contra mim falo, que vivo ligada ao universo digital. Mas não sejamos extremistas. Há dias, numa visita ao Oceanário, reparei que ninguém apreciava os animais. Aqueles monstros aquáticos, que majestosos nadavam, e os nossos olhos ignoravam… Todos registavam o momento apenas para partilhar nas redes sociais. A vida virtual. Vamos combater essa preguiça instalada de guardar na memória os momentos e as fotografias. Que tudo seja documentado em nós e não nas redes sociais. Fazer disto uma missão de equilíbrio para a vida.

Manter foco no minimalismo. Quando me propus a criar o Projecto 21, a intenção era a de passar mensagens de como viver uma vida tão mais feliz com muito menos. Que seja um para todos nós um projecto eterno este de limpar a mente, as emoções e os nossos espaços físicos dos excessos que criamos, compramos, consumimos. Que se abra espaço para os sentimentos bons, o amor, a compaixão, o perdão, a paciência. Uma entrega absoluta a uma vida mais serena, mais feliz. E isto, deve ser feito, sempre.

Como gerir o stress ao longo do ano

A melhor sensação que podemos ter é o desligar da vida rotineira, seja quando vamos de férias ou quando nos entregamos a algo que nos dê sossego ao espírito. Comigo resulta o surf e o yoga. De resto, gerir o stress que o dia-a-dia me provoca, é ainda caminho por desbravar. Falei, por isso, com a psicóloga clínica Isa Silvestre, autora do livro “Como Gerir 1 ano de Stress”, para me passar soluções práticas para atenuar as ansiedades diárias.

Para quem como eu vive na cidade é difícil não sentir stress. Esta rotina que nos obriga a andar de transportes, no trânsito, a cumprir horários e metas de trabalho ou até pelas intermináveis tarefas de casa, andamos sempre sob pressão. Por causa disto tudo, eu procuro viver em harmonia com a natureza para me acalmar os nervos. É irrecusável o convívio apaixonado com o mar ou as minhas sessões de yoga no parque, mas nem sempre estou disponível para estas práticas. Então, como lidar com o stress nos restantes momentos? Conversei com Isa Silvestre, psicóloga clínica e que publicou recentemente um livro, nem a propósito, sobre o stress, para me esclarecer mais sobre o tema.

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O que é o Stress?

O Stress é uma reação natural do organismo perante uma situação inesperada, de especial tensão ou de intensa emoção, que pode ocorrer em qualquer pessoa, independente de idade, raça, sexo, situação socioeconómica. Quando o stress persiste no tempo pode ser definido como “um desgaste do organismo”. A nossa reação contém sensações físicas e psicológicas que causam mudanças químicas no corpo.

Para algumas pessoas o stress permite que estejam mais atentas e estimuladas nas tarefas. É o stress positivo que nos ajuda a manter o foco no objetivo que pretendemos alcançar, favorecendo a energia e o estado de alerta. É útil para os atletas de competição; durante uma apresentação estimula a nossa concentração e foco; quando estamos cansados conseguimos concentrar-nos e ter energia para concluir um trabalho.

Mas o stress também reativa sentimentos de angústia, medo de falhar e tensão. Quando atinge níveis excessivos, o stress pode mesmo ser o maior responsável por situações depressivas.

O stress manifesta-se através de sintomas físicos de stress como a tensão muscular, as dores de cabeça, cansaço, sonolência, alergias, como a comichão na pele. Os sintomas comportamentais e cognitivos traduzem-se por agitação, dificuldade em cumprir responsabilidades, adiar as tarefas, pensamentos ansiosos, preocupação constante, dificuldades de memória e em tomarmos decisões. E, em termos emocionais, podem haver manifestações de choro, irritabilidade, nervosismo, tristeza e depressão.

É sob diferentes formas que o stress pode prejudicar a nossa motivação e ânimo para as relações sociais e familiares; o nosso poder de concentração e de memória nos estudos e no trabalho.

Casos práticos: quando somos confrontados com uma situação entusiasmante (estamos extremamente contentes, por exemplo, ganhar o euromilhões) ou com algo difícil (um problema para resolver, por exemplo, estar desempregado), o stress manifesta-se através do nosso corpo e da nossa mente. Estas duas situações provocam no nosso organismo as mesmas reações: ritmo cardíaco acelerado, aumento da tensão arterial, suores das mãos, aumento da nossa capacidade de concentração e atenção, e também uma subida da nossa motivação e disposição para agir. Assim, podemos dizer que o stress é o conjunto destas reações físicas e psicológicas, enquanto que o motivo que provoca determinadas reações é o fator stressante.

Que fatores influenciam o stress?

O stress é considerado a “doença dos tempos modernos”. O ritmo acelerado do dia a dia, as preocupações diárias, a forma como reagimos às exigências da vida pessoal e profissional, pode causar sentimentos de fúria, baixa autoestima, isolamento, falta de concentração, apatia, choro, dores de cabeça, falta ou excesso de ou apetite exagerado, entre outros sintomas. Regra geral, as preocupações diárias do dia-a-dia tem, normalmente, grande impacto na saúde mental e física.

Assim, sendo quase impossível evitar o mal estar causado pelo stress, é importante identificarmos os sintomas de alerta para um “estado de stress” e aprendermos as técnicas necessárias para lidarmos e gerirmos com este distúrbio e, assim, recuperar a qualidade de vida.

O que podemos encontrar no livro “Gerir 1 ano de stress”?

Este primeiro livro adere a uma escrita ilustrada por casos práticos e com estratégias comportamentais, motivando o leitor a uma introspeção pessoal e às mudanças desejadas. Aborda os momentos do ano que são causadores de stress, descrevendo os sintomas de alerta para um “estado de stress” e as técnicas fundamentais para lidar e gerir com este distúrbio, o que permitirá uma aprendizagem sobre a regulação das emoções de maneira eficaz e resgatar a qualidade de vida:

  • No ano novo, onde nos comprometemos com muitas mudanças. Mas depois fica tudo na mesma e lá vem a frustração e o stress.
  • As férias que devem ser relaxantes, mas as expectativas, as despesas, as mudanças de hábito, e o regresso ao trabalho deixam-nos stressados e cansados.
  • O regresso às aulas, que é para muitas famílias motivo de preocupação devido aos horários, às despesas com o material escolar, à reorganização familiar.
  • O emprego que é cada vez mais competitivo. A crise financeira; as situações inesperadas de stress e de morte na família.
  • O Natal que implica inúmeros compromissos e afazeres que causam stress.

O que te motivou a publicar este livro?

O tema deste livro surge da minha experiência profissional em diferentes contextos, com diferentes tipos de população e de intervenção, como o contexto escolar e clínico. Uma das queixas mais frequentes nos diferentes contextos de intervenção psicológica é o stress e a ansiedade.

Dicas práticas para gerir o stress no dia a dia

1. O stress e a ansiedade podem provocar alterações no nosso padrão de sono. No entanto, dormir bem é fundamental para regular os humor e os níveis de ansiedade.

2. Praticar exercício físico, ouvir música, conviver com os amigos/família, fazer simplesmente o que gostamos. Ou seja, ter um momento do dia ou da semana dedicado a nós: “o meu tempo”.

3. Fazer uma boa gestão do tempo, definindo objetivos realistas para nós próprios. Na maioria das vezes existe uma sobrecarga de tarefas a cumprir que, no fim, causam apenas sentimentos negativos (frustração, desilusão). 

4. Expressarmos as emoções e os sentimentos. É, igualmente, importante sermos assertivos, aprendendo a colocar limites (dizer que não) às situações tóxicas.

E quando é que o stress deixa de estar sob controlo…?

O problema surge quando o stress e a ansiedade são sintomas excessivos, devido à sua intensidade, frequência e duração no tempo, conduzindo a falhas no processo de raciocínio e no desempenho de algumas situações e atividades diárias. É frequente existirem pensamentos como: “algo horrível vai acontecer”, “não me consigo concentrar”, o que, por sua vez, tem efeitos nefastos no sono e nas relações pessoais. Alguns exemplos clínicos: o ato de entrar para um elevador ou estar perto duma varanda num andar elevado pode ser vivido com muita intensidade e sofrimento para quem está a vivenciar ansiedade patológica porque avalia a situação com uma elevada probabilidade de ocorrência de um acontecimento negativo ou catastrófico; um simples encontro social pode ser vivido com enorme ansiedade e apreensão porque é interpretado como uma situação humilhante e embaraçosa (fobia social).

Todos nós temos os nosso limites que são diferentes de pessoa para pessoa. É importante procurarmos acompanhamento psicológico ou psicoterapia quando sentimos que os efeitos do stress está a ter consequências no nosso humor (irritabilidade, tristeza), no sono e, de forma geral, nas atividades do nosso dia-a-dia. Na maioria das vezes o stress negativo ou patológico leva ao desenvolvimento de quadros clínicos graves como as perturbações de ansiedade, ataques de pânico, depressão.

"Como gerir 1 ano de stress", Isa Silvestre

Lado B: onde a música da vida toca positivo

Cresci a acreditar que mereço o mundo e não faço por menos, dou o meu melhor em tudo o que faço. Com o apoio incondicional que tenho, entre em que aventura entrar, sei que à minha volta não vão faltar palavras positivas, de incentivo e de perseverança, uma energia única vinda especialmente dos meus laços de sangue. Não me falham, não me faltam.

Mas eu falho. No meio desta incrível jornada que é a vida descubro que sou uma exímia construtora de muros. São bloqueios a uma vida mais positiva, mais feliz, porque algures aqui na caminhada encontrei sinaléticas que me dizem que devemos viver com preocupação e preconceitos. Entrego-me assim a um descrédito absoluto e deixo-me ficar fechada neste conforto entre muros. Vivo o dia-a-dia no conceito fatal do “vai-se andando”, sem nunca sair do lugar. Porque fiz os muros bem altos para serem impossíveis de conquistar.

Revês-te em mim?

Somos livres de acreditar no que quisermos, mas sei de coração aberto que atraímos o que queremos. Quando alinhamos os nossos objetivos a pensamentos naturais como a alegria, amor, abundância, o céu é o limite. Não acredito que o mundo não me retribua da mesma forma. Nem que hajam explosões cósmicas que queiram fazer a terra rodar em sentido contrário. Sei que o pensamento vai atrair tudo de bom, se assim eu quiser.

E também sei hoje na vida que sou exatamente a pessoa que deveria ser. Devagar passei a focar-me no que tenho de bom em vez daquilo que me fazem acreditar faltar. Encontrei aqui a fórmula para desfazer os muros. Ouvir o lado B da cassete da vida. O lado Bom. Onde a música flui, toca sem parar. Hoje quando me olho ao espelho encontro o reflexo de alguém feliz, que tem exatamente o que quer (porque assim pedi ao universo, ainda que na maioria das vezes os pedidos estejam esquecidos no subconsciente). Mas vivo feliz na vida que quero.

É preciso ter a calma de saber aceitar que a vida acontece sim, a todos, no seu momento. A algumas pessoas tudo parece correr em linha recta, noutras montanhas por escalar, mas na verdade não quer dizer que uns sejam mais meritórios do que os outros. A vida é mesmo assim. Cada um na sua jornada.

Nas horas difíceis, dá um passo atrás, contempla o que tens e sente gratidão.

Sou evidentemente crente nos bons pensamentos, nas boas energias, na transparência da alma. Pensa positivo, emana boas vibrações em todas as ações que pratiques. Nas horas em que duvidares de tudo o que te acontece, que é apenas negativo, sempre negativo, liberta esse pensamento. Aceita que está presente na tua mente, naquele momento, e depois deixa seguir livremente. Nas horas difíceis, dá um passo atrás, contempla o que tens e sente gratidão. Põe o lado B da cassete a tocar, faz o que te deixa feliz e acredita que mais cedo ou mais tarde, tudo dá certo.

Quando a vida me puxa o tapete…

Quantas vezes sonhamos com algo que a vida teima em afastar? E quantas vezes estamos à porta da nossa oportunidade e a vida puxa-nos o tapete?

Já passei por isto e sei que vou continuamente passar. Nem sempre conseguimos o que queremos ou da forma como imaginamos. Mas quando somos atingidos por aquele rasgo de fé de querer algo tão intensamente, sentimos que nada nos pode impedir.

Eu quis aprender a surfar. Por várias razões, mas acima de tudo, para descobrir em mim a força de vontade e de superação a qualquer obstáculo. E nada maior do que o meu medo do mar, que ambiguamente me hipnotiza também. Comecei por me inscrever numa escola de surf. Aos fins-de-semana lá ia eu de lycra colorida vestida para as espumas do mar até dia que me dizem para remar para lá da rebentação. Chegara o momento da verdade, aquele em que o meu medo tinha de ser enfrentado. Inspirei fundo, convenci-me de que era capaz e remei como nunca. Estes movimentos tornaram-se num hábito e as aulas deram lugar a prancha, fato e idas solitárias à praia. Sempre com coragem. Sempre com medo subjacente. Mas ia, acreditando que eu e o surf fazíamos dupla perfeita.

Mas nem tudo é um mar de rosas. Certo dia de novembro, depois de sorrir a umas quantas ondas, desisti por cansaço de estar no mar. Ao sair querer saír da água, perdi o controlo da prancha, mas a prancha, sacana, não me perdeu. Embrulhada no fundo do mar, durante um tempo que me pareceu eterno, a prancha bateu-me e abri a cabeça. Coloquei a mão onde senti a pancada e dei pelo corte. Tentei voltar rápido à tona, mas a rebentação forte deu-me luta. Assim que consegui, tinha sangue por todo o lado. Quem estava pela praia veio em meu socorro. Horas depois, já nas urgências, nada de pontos. “Teve sorte”, disse a enfermeira. Era apenas um corte que iria sarar sozinho. Mas precisava de tempo e de repouso. Durante esse tempo, nada de surf, nada de mar. Castigo. Logo agora que estava a gostar tanto…

Aquela conquista inicial de força de vontade e de superação deram força ao medo que tinha do mar, e tudo se afogou no instante do acidente.

Fiquei por casa uns dias por prevenção. Tinha em repetição na minha mente a sensação da prancha me bater com força enquanto o mar me deixava no fundo. O pânico era mais forte do que a dor da pancada. E se não estivesse alguém por perto para me ajudar? E se voltar a acontecer? Aquela conquista inicial de força de vontade, de superação deram força ao medo que tinha do mar e tudo se afogou no instante do acidente. Só que como tudo na vida, precisamos de encontrar maneira de lidar com o que nos acontece. E aqui, não foi excepção.

Aceita o que acontece. Não valia a pena ignorar o incidente. O surf, como qualquer outra coisa na nossa vida, pode magoar. Na altura fiquei chateada, irritada, desacreditada. Será que sou mesmo capaz disto? É só cabeça partida no fundo do mar. Podia ser pior. Ter a noção de que isto acontece e faz parte é meio caminho andado para não me perder em pensamentos paralelos. Depois, gosto de acreditar que tudo acontece por uma razão, e que mais cedo ou mais tarde acaba por se explicar.

Manter o foco. Esta sensação de ter errado, de ter falhado de alguma forma, faz-nos questionar a nossa capacidade e vontade, por vezes até, desistir. Mas não podemos. Sabem quando nos dizem “não” e por teimosia mantemos o foco no que queremos? Aqui é igual.

Inspiração é fonte de vontade. Em casa de castigo. O mar ali ao fundo da rua com ondas perfeitas e eu sem poder ir. Podia ficar a lamentar, mas o que fiz foi simples. Procurei manter-me inspirada. Li sobre o tema, as quedas, como aprender a cair, biografias e histórias de outras pessoas de superação. Fiz aulas teóricas através do YouTube. Com isto consegui lidar de uma forma mais racional com o meu medo e manter-me inspirada para voltar ao surf.

Acima de tudo, temos de dar tempo ao tempo. Tudo pode acontecer e tudo acaba por curar. A forma como vivemos cada impasse dita se foi uma falha ou um sucesso. Por isso, quando a vida me voltar a puxar o tapete, eu vou continuar a surfar.