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Os segredos para uma pele de surfista

No verão queremos pele salgada e bronzeada, reluzente e hidratada também. Para que a vida de sal se mantenha por perto tenho certos rituais de beleza para me darem o ar de praia ano inteiro. Os meus segredos para uma pele de surfista.

Óleo de coco

Podes usar na cozinha, mas confesso eu gosto de usar o óleo de coco no cabelo e como hidratante para o corpo. Tento comprar a versão orgânica, mais sustentável para o ambiente e saudável para a pele. Depois do banho, aplico com massagem nas pernas, barriga e braços deixando a pele super macia e brilhante. O toque de praia sobressai com o cheirinho maravilhoso do coco.

Água com pepino

Não me deixa salgada, mas extremamente hidratada. O clima aqui na Suíça é muito seco, faz com que a minha pele fique meio deserto do Saara. Acrescento umas rodelas de pepino à minha água e vou bebendo ao longo do dia. Ter cuidado com a pele é essencial para quem faz surf porque a exposição ao sol é sempre muita. Portanto, há que focar nos bons hábitos ano inteiro.

Esfoliante de café e coco

Volto ao óleo de coco, mas desta vez com o café que resta nas cápsulas da Nespresso. Pelo menos três vezes por semana passo este esfoliante no banho. Ajuda com a circulação sanguínea, a remover a tal pele desidratada e a manter um bronzeado duradouro, sem manchas. Experimenta para ver.

Banhos de sal

Encontrei num supermercado na Alemanha sal para banhos, do mar Morto. Uma forma de fazer detox às energias pesadas da semana e de repor o sal na pele de surfista, que tanto pede pela distância que tenho hoje ao mar. Deito duas a três mãos de sal na banheira, umas gotas de óleo essencial de alfazema e alecrim e deixo-me de molho. No entanto, e sendo consciente, banheira cheia de água não é uma forma de vida sustentável. Troca-se fácil colocando apenas os pés de molho.

No surf sossegado de Basileia

Há uma certa inquietação ainda latente em mim… um acordar madrugador para espreitar a primeira maresia para o surf. Aos poucos, no entanto, tenho vindo a sossegar a mente e a aceitar que a minha realidade é e será esta, durante os próximos tempos, longe do mar. Não deixo o Carver de parte, sempre que posso finjo estar na água a deslizar pela parede da onda. É uma questão de imaginação fértil e sentir o sopro na pele que a velocidade do skate provoca para me fazer reviver um pouco a boa energia de seduzir uma onda (de alcatrão, eu sei). Mas é assim que tenho passado o tempo, nas calmas, a aprender a gostar deste sossego por Basileia.

O que ajuda também é a descoberta da cidade de bicicleta, as idas ao ginásio onde a consistência dos treinos se focam nos movimentos do surf, na agilidade, na resistência cardio. Fica apenas em falta o regresso a um estúdio de yoga para me ajudar encaixar mais um pouco a minha vida nesta vida dos Alpes… e libertar-me do irresistível vício do chocolate (eterna luta, confesso). Dez meses volvidos e só agora é que sinto que posso conquistar certas glórias por aqui – as saudades de casa fazem-me nos comer desmedidamente, coisas boas, coisas não tão boas em especial a quem se dedicou nos últimos 4 anos a comer de forma mais consciente e saudável. Mas como disse, aos poucos, este surf sossegado de Basileia está-me a levar a bom porto.

Por algum motivo, um bom motivo, a vida lá me mandou para estas bandas. Hoje não sei a resposta mas não tarda terei sentido para esta experiência. Dela, só levarei de volta coisas positivas. Com toda a certeza.

 

 

No princípio estava a onda

Hoje tenho um boa onda para partilhar. Aquela de meio metro, que se dobra contorcida numa criança feliz, sem tempo para desperdiçar. Como é bom não parar um segundo e querer a todo o instante sentir esta vida ondular que desliza entre o leve sopro da brisa e a energia contagiante do mar. Isto para te admitir, voltei ao mar. A amar o mar.

Pensei que não fosse capaz, que ali tivesse para sempre uma memória associada, ainda que de bons momentos, mas que refletissem a saudade. Saudade pesada ancorada a uma vida que não volta mais à tona, e afunda, profunda. Só que encontrei na minha prancha a tábua de salvação. A capacidade de mergulhar por baixo de cada onda, rebentação, espuma branca, e regressar, rompendo pela crista acima.

Sem saudade.

Depois, passei também a saber que basta encontrar o foco, não pensar, focar para onde quero navegar a vida e deixar-me ir. Posso cair, posso levar com a tábua cabeça, a cabeça pode de novo partir, mas como Buda diz, por pior que tenha sido o passado, podemos e devemos sempre recomeçar. E é isso que me ensina o mar.

Estou grata por permanecer em mim a curiosidade ingénua de uma criança que desbrava o mundo no primeiro andar. Observar assim mesmo como se tudo fosse a primeira vez nesta intensidade ondular da vida que vai e vem, traz e leva, retira e devolve, e só aproveita quem se deixar levar pelo mar. Como os carreirinhos que fazemos de braços estendidos e biquinis perdidos, enrolados e divertidos, nas ondas tombando ininterruptamente de puro espaço e lúcida unidade, onde apenas encontramos, apaixonadamente, a nossa própria liberdade*.

Por isso não fazia sentido ficar com saudade de um momento que não é meu, de uma saudade que não me faz sentir a superfície. De uma saudade que não vale a pena ser saudade. Porque o que se quer é sentir uma gratidão profunda por tudo o que o universo nos dá, sempre em medida certa. Ondas grandes, ondas pequenas, ondas picadas e revoltadas. Puras ondas. Boas ondas.

Tinha mesmo de voltar ao mar. Acima de tudo, a amar o mar.

*Sophia de Mello Breyner Anderson

Para o ano há que surfar mais ainda

A última vez que vim a casa, em Outubro, fui brindada pela mãe natureza com o furacão Ofélia. Estive 10m dentro de água, provavelmente menos. Mas pelo menos senti de novo a pele salgada, e consequentemente, energias renovadas. Aqui estou, meses depois, para descansar em casa e aproveitar os bons dias de dezembro de maresias mais suaves.

Não é fácil remar. O meu corpo já não está habituado ao movimento e tendo tido bronquite asmática no último mês, faz com que o meu regresso seja para lá de vagaroso. Mas tenho de ter paciência e respeitar acima de tudo o meu corpo. Dar-lhe tempo para reagir ao surf. Dormir, alimentar-me bem, frequentar as aulas de yoga e recuperar da melhor forma.

Tenho ido até à praia de Carcavelos nestes dias. O mar tem estado pequeno, o sol tem sido generoso, e ali fico sentada a contemplar o lado bom da vida. Se há uns meses vingavam ondas grandes e potentes, agora dançam os pequenos swells que acalmam a alma. Assim se faz a vida, de um ciclo para outro, pedindo sempre humildade em aceitar o que o mar nos traz.

Esta corrente leva-me a pensar no meu 2017. Surfar muito foi um dos objectivos que estabeleci. Por isso, enquanto aqui estou – até regressar aos Alpes – vou pegar na prancha e cumprir o máximo desta missão. Porque para o ano, der por onde der, há que surfar ainda mais.

Treinar com a Sally Fitzgibbons

Aos poucos a vida por Basileia vai-se encaixando, ainda que continue a repetir na alma a falta do mar. O lado bom é que aprendemos a viver com o que temos e, com força de vontade e foco no melhor lado da vida, tudo volta a fluir.

Quando aqui cheguei, uma das minhas preocupações foi a manutenção física. Como vou fazer para manter a agilidade e a energia certa para voltar sempre a surfar sem dificuldade? Eu sabia que treinos como do SurfBuilder iam ser impossíveis de conseguir. Por isso, o primeiro passo era encontrar um ginásio e criar uma rotina de presenças. Vou sempre que posso ao final do dia, depois do trabalho, e já que o tempo chega para tudo, nada melhor do que descomprimir com treinos recorrentes. Sentia, no entanto, pouco efeito. Eu tentei reproduzir vários exercícios que fazia no SurfBuilder mas confesso que não me recordo de tudo.

Num desses scrolls infinitos no Instagram vi que a Sally Fitzgibbons, a surfista pro do circuitos internacionais, tinha uma app dedicada ao fitness. E não é um fitness qualquer; é inspirado nos treinos que a Sally faz para se preparar para as competições de surf. Mesmo o que precisava!

Não fui a modos. Instalei a @All Australian Beach Body (AABB) e descobri a minha nova PT de surf. Estou a adorar cada gota de suor que deixo no tapete. São cerca de 35m de treinos intensivos, para se fazer duas a três vezes por semana pelo menos desenhados para quem quer sentir-se com vigor. Sempre disse que não sou de dietas loucas ou de ir ao ginásio à procura de um corpo perfeito. Quero continuar a construir a minha melhor versão, e ser saudável significa ter espirito de atleta. Saltar à corda, trabalhar bem as costas e o core são algumas das maravilhas que a app nos guia, aliás, que a Sally nos guia. E que mais diz a surfista sobre a AABB?

Encontra um estilo de treino que gostes

Já percebi que sou fã de treinos intensivos mas curtos. Por isso, mais do que encontrar tempo, precisamos de encontrar algo que nos motive e faça voltar. Treinar deve ser divertido, não um sacrifício. Palavra de Sally.

Treina consistentemente

Para resultados excelentes, não há grande segredo há que treinar com consistência. Tentar treinar pelo menos 3 vezes por semana para garantir o aumento da nossa energia e força física. Sally aconselha definir um objectivo e tê-lo em mente nas sessões de treinos. A determinação é um excelente motivador para combater dias de desânimo.

Mantém contacto com a natureza

A natureza é muito importante para a Sally, é o que a mantém com os pés no chão. Sempre que pode, treina na rua, faz circuito no parque ou praia. E nem sempre precisa de ser de alta intensidade, caminhadas na praia para ajudar a relaxar.

Arco-íris no prato

Sally confessa que gosta de manter a alimentação simples, com foco nas frutas, vegetais e proteínas de qualidade. Devemos questionar-nos sobre aquilo que ingerimos para garantir que o nosso corpo funcione na sua melhor capacidade.

Ler os rótulos

Sempre que possível lê os rótulos e evita consumir alimentos cujos ingredientes não sejam pronunciáveis. Uma alimentação à base de alimentos naturais é essencial para ajudar a manter vitalidade et voilá, corpo de atleta.

 

5 pilares de Dorian Paskowitz para uma vida cheia de saúde e surf

Quando ganhamos admiração por alguém e ficamos com o vazio de nunca poder conhecer, conviver com essa mesma pessoa, é o que sinto, depois de aprender um pouco sobre a vida de Dorian ‘Doc Paskowitz no documentário Surfwise. Um surfista, médico judeu, que abandonou as convicções de uma vida estandardizada para criar uma família de 9 filhos numa velha carinha e muito surf. O meu objetivo não é convencer ninguém a fazer o mesmo, quero antes passar as mensagens vitais de Dorian, o homem que levou o surf até Israel e colocou a saúde em sintonia com o mar.

Para Doc, o surf estava intimamente ligado à saúde, ao viver bem, com longevidade. No livro “Surfing and Health” fala sobre cinco pilares que fazem isso acontecer: dieta, exercício, descanso, lazer, e atitudes da mente. Admirei-o pela franqueza com a qual interpretou a vida, a humildade de não querer ser uma ovelha no rebanho, e destreza de perceber que numa vida ligada ao mar facilmente se atingem os cinco pilares, logo a longevidade. Doc faleceu a 14 de novembro de 2014 com 93 anos, apesar de todas as mazelas que o envelhecimento traz, acreditava que a “saúde é a presença de um estado de bem-estar superior, um vigor, uma vitalidade, uma energia (garra) para a qual tens de trabalhar todos os dias da tua vida,” (tens trabalhado para isso?).

#Dieta

A alimentação importa a todos, não apenas a atletas de alta competição. Esta palavra significa que sabemos fazer escolhas conscientes para o nosso corpo e sentir a plena energia proveniente dos ingredientes naturais. Neste sentido, um pouco extremista talvez, Doc dizia que não queria fazer nada que fosse diferente do comportamento dos nossos primatas. Se comem maçã sem casca, nós também vamos tirar a casca.

#Exercício

Nunca na vida seremos completamente saudáveis se mantivermos o exercício físico longe da vista, longe dos músculos. Doc levava os filhos a surfar todos os dias. Caminhar igualmente todos os dias 10km, correr, praticar alguma atividade que nos dê prazer faz com tenhamos força de vontade, coragem, audácia e consequentemente, mais saúde. Para Doc, o surf é o desporto que devolve a vida ao corpo. Eu, subscrevo, atentamente.

#Descanso

Dormir é tão importante quanto beber água. Desligar o motor e entrar em descanso profundo para recuperar as células do nosso dia desgastante (isto porque quase ninguém larga a vida que tem para andar de caravana à procura da melhor onda, se sim, dá-me coragem para o fazer). Dormir 8 horas por dia. Dormir bem. Todos os dias.

#Lazer

O que é a vida sem prazer, sem nunca fazermos aquilo de que gostamos? Ler, escrever, praticar yoga, jantar com amigos, passar bons momentos seja no que for. Vivenciar uma experiência que nos dê prazer deixa-nos mais felizes, relaxados, menos propensos a pensamentos negativos e isso traz saúde, vitalidade. E cereja no topo do bolo, incluir gargalhadas vindas da alma.

#Atitudes da mente

A sabedoria vem da intenção, da experiência e de encontrar coragem. E tudo isto permite uma vida mais positiva, resiliente. Doc viveu até aos 93 anos com problemas de saúde crónicos – asma e artrite – ainda assim, o surf susteve-o durante todos os seus dias. Ali encontrou no pensamento positivo e forte, a forma de contornar os problemas, chutando para canto o que não interessava.

Quem me acompanha desde o início do Mar de Sal, sabe que tenho vindo a trabalhar esta transformação em mim – a de me tornar mais saudável. Procuro continuamente inspirar-me em indivíduos únicos como Dorian Paskowitz; procuro acordar todos os dias grata pela oportunidade do dia, de enxotar os pensamentos negativos, de recusar açúcar e outros alimentos não naturais, de encontrar um desporto (na ausência do meu surf) que me deixe feliz, cheia de vitalidade, de descobrir sempre a melhor forma de viver eternamente aqui e agora.

E tu alinhas a fazer o mesmo?

Health is a presence of a superior state of wellbeing, a vigor, a vitality, a pizzazz you have to work for every single day of your life.

O surf é compromisso para o resto da vida

Sinceramente não sei como vou voltar ao surf depois destes meses sem entrar no mar. Alguma dica? Lembro-me de um amigo dizer, num tom frustrado, que voltava sempre à estaca zero depois de estar uma temporada sem salgar o corpo.

Eu comprometi-me com o surf como uma relação para a vida, com marés altas, marés baixas, meia goofy ou regular. O que interessa é que hei-de sempre, nalgum momento, entrar por mar adentro com a minha prancha e aproveitar a harmonia que a mãe natureza me dá.

Só que não sei como me vou sentir quando me deparar com o swell… como vai ser este reencontro. Conhecendo-me como me conheço, o mais provável é petrificar uns instantes. Já sei, é não pensar tanto no assunto e deixar-me ir na altura, de sorriso na alma, e entregar-me com toda a paixão e motivação que possa ter. Será o melhor cenário, e o meu foco também para os longos meses de inverno que se avizinham.

Dylan Graves disse um dia que as melhores ondas coincidem sempre com algo importante na nossa vida. É isso que sinto agora à distância quando tenho o telemóvel aos apitos na partilha das ondas do dia. É isso que sinto cada vez que não posso pegar no carro e seguir estrada fora até uma praia qualquer à volta de Lisboa para descobrir aquela onda sorridente na minha direção. Há sempre algo mais importante que me me impede de ter esse momento. Estranha vida a minha. Quando assumi este compromisso com o surf, nunca pensei que ficar longe do mar fosse opção… Vi-me unida ao surf, e com ele, para sempre, por perto. Só que não. Aqui estou. Longe quando o mais importante era estar presente. Porque estava a evoluir, a querer mais, a vencer o medo, a ganhar resistência. Apanhada neste agueiro só me resta remar paralelamente até conseguir sair, nas calmas. Porque como disse, estou de caso sério com o surf. E será para o resto da minha vida.